Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A sede da Consciência

"De Tua última ceia permite-me participar hoje, Ó Filho de Deus!
Pois não revelarei nenhum segredo a Teus inimigos,
Nem um beijo como Judas Te darei,
Mas, como o ladrão, oro a Ti:
Lembra-Te de mim, Ó Senhor quando entrares em Teu Reino!"

(...) Às vezes, as pessoas que estão bastante maduras para usar de modo adequado a prece mística acima mencionada passam por experiências imediatas e maravilhosas graças a sua maturidade. Elas são penetradas por sentimentos de imensa bem-aventurança; as lágrimas, com frequência, fluem em profusão; o coração pulsa como se fora um arrebatamento, e mesmo as palavras morrem em suas bocas. Saiba que esse é o sinal de que o portal dourado está pronto para se abrir a você. Persevere e você entrará no templo edificado pelos seus próprios esforços e consagrado pelo todo-poderoso espírito. — Mouni Sadhu


Na prática, o que o termo "consciência" significa para nós? Ginásticas teóricas não irão lançar muita luz sobre esta questão. Deixando de lado por um momento todas as definições eruditas, vamos procurar a expressão mais próxima para essa consciência. Não obstante, devemos ser cuidadosos para não confundi-la com outro termo semelhante (mas de sentido muito diferente) - ter consciência —e para traçar uma linha prática de separação entre esses dois termos. 

(1) Ter consciência pressupõe que estamos cientes de algo, ou seja, que sabemos sentimos sua presença. Eu posso estar ciente da presença de um homem em minha sala, mesmo que ela esteja em completa escuridão ou que eu tenha os meus olhos deliberadamente fechados. Isso significa que sei de algo que existe fora de mim. Pode-se acrescentar que há um binário visível no ter consciência — Eu e Não-Eu — e isso estaria bastante correto. A filosofia hermética se ocupa com estudos bastante meticulosos das leis que governam os binários, os ternários e os quaternários, como base para importantes operações metafísicas e ocultistas. Aqui não há espaço para investigá-las com maior profundidade, mas já discorri mais sobre esse tema em outra obra, The Tarto, a Contemporany Course of the Quintessence of Hermetic Occultism.

(2) A consciência forma um polo binário, cujo outro elemento é o ter consciência. Aqui se está menos dependente (ou quase independente) do Não-Eu. A consciência pertence à nossa essência mais interior, sem a qual não somos nada! Ninguém concordaria em aceitar o nada como um substituto de sua consciência, ou seja, como substituto de si mesmo. Portanto, rejeitando momentaneamente todas as concepções mentais, podemos dizer: a consciência é o termo mais claro e mais particular que posso identificar como eu mesmo, já que sempre permanece comigo, em todas as condições normais da minha vida. Eu posso experimentar isto ou aquilo, estar ciente ou não de algum objeto, pensamento ou sentimento, mas não posso, sem ser transformado em "nada", perder minha consciência. De imediato alguém objetará: "Bem, mas quando estou anestesiado ou profundamente adormecido, não posso ter consciência de mim mesmo e, por isso, estou sem nenhuma consciência."

Esse comentário é correto apenas na aparência. Nem todos ficam destituídos de autoconsciência nos estados mencionados, embora tais pessoas ainda sejam uma minoria entre os homens comuns. Há inúmeros casos confirmados de pessoas que, embora sob anestesia total ou mergulhadas em sono profundo sem sonhos, não perderam a consciência nem deixaram de existir por completo nessas condições particulares.

Também sei disso a partir de minha própria experiência, bem como da experiência de outros que as contaram para mim. O desenvolvimento de um alto grau de concentração contribui substancialmente para a separação entre os elementos condicionados e não condicionados do homem. Além disso, a Supraconsciência — o próprio assunto deste estudo — é o exemplo principal da existência, ou seja, de estar autoconsciente, para além de todas as condições corporais e mentais. 

Tudo isso foi dito de modo a elucidar o termo "sede da Consciência", que é utilizado no título deste capítulo. 

Mas seremos nós —tal como sentimos todos os dias — apenas aquela consciência aparentemente abstrata, que pode ser melhor formulada como o axioma mágico Eu Sou? Claro que não, pelo menos não agora, em nosso atual nível de evolução. Somos compelidos a aceitar esse fato e a nos curvar a ele, se queremos ser sinceros e se ainda não conseguimos a realização do Eu em nós. E isso simplesmente porque, se possuíssemos esse alto grau de desenvolvimento interior, não leríamos estre livro, assim como um professor não leria uma cartilha. 

Isso significa que existem coisas semelhantes a véus que envolvem a consciência pura do homem. Perguntem ao primeiro homem que encontrarem quem ele é. A resposta será o seu nome. O que estará oculto sob este rótulo da personalidade que é o nosso nome? Isso merece uma análise mais acurada. 

(1) O primeiro e principal invólucro da sede mais profunda da nossa consciência é, com efeito, o nosso corpo físico, com todas as suas propriedades e qualidades individuais, tais como o sexo. Invariavelmente nos sentimos como homens ou mulheres, mas por certo não podemos atribuir à nossa consciência — que se encontra além desse véu — a noção de ser macho ou fêmea. Excluo aqui os sonhos porque eles são reflexos razoavelmente exatos da nossa vida desperta, pelo menos para a grande maioria das pessoas. O rótulo seguinte é a nossa idade (física). É natural que, ao nos identificarmos com o corpo, aceitamos sua idade como parte integral de nós mesmos. 

A partir disso vem todo o complexo de detalhes que formam o ego-personalidade, vinculado pelo nosso pensamento errático com o ser individual existente em nós. Tomemos como exemplo a nossa educação. Se o nosso cérebro tiver sido treinado, digamos, em matemática, línguas estrangeiras, ou qualquer outro assunto, geralmente nos convencemos de que essas coisas são componentes da nossa pessoa, como a nossa aparência exterior, etc. A posição social e familiar também pertence, ao que parece, ao mesmo ego humano. A maioria absoluta das pessoas acredita nisso, com frequência de modo subconsciente, visto que poucos podem e desejam colocar diante de si mesmos, mesmo uma vez na vida, a controvertida pergunta: quem sou eu? Essa pequena fórmula tem um terrível poder. É impossível avaliarmos aqui todas as suas aplicações, apenas porque, se pensarmos profundamente sobre esse tema, descobriremos que não existe fim para os processos mentais que surgem se usamos essa pergunta, mesmo limitando-a à nossa mente. Não obstante, falaremos disso várias vezes, porque a resposta está na ausência de palavras e de pensamentos, que é exatamente a Supraconsciência (também chamada de Estado sem Ego), como disse com razão o Grande Ramana Maharshi. 

(2) O segundo invólucro (ou véu) que vestimos, além do físico, é a nossa vida emocional e suas propriedades. Devemos ter cuidado para não confundi-las com a mente e suas funções, mesmo que elas possam estar intimamente relacionadas e unidas na vida cotidiana, como costuma ocorrer na prática. 

Apesar disso, esses dois conjuntos são poderes e tipos de matéria bem diferentes entre si, e nunca chegaremos a nenhuma conclusão lógica e positiva sem sermos treinados na distinção entre sentimentos e pensamentos (ou astral e mental, como dizem os ocultistas). (...)

(3) A terceira forma com a qual a Consciência Pura se reveste é o mundo dos pensamentos, o domínio da mente, ou o "plano mental", segundo os ocultistas. A ele pertence tudo o que pensamos e, em consequência, dizemos, mas sem o acréscimo de qualquer ênfase emocional. Mais uma vez o astral e o mental se interpenetram bastante, e não é possível que uma pessoa não-treinada faça a distinção necessária entre esses dois planos.

(...) Para concluir, podemos dizer que a sede da consciência física (estado de vigília) no homem comum é o seu cérebro. Ela foi definida em meus livros anteriores, assim como neste, como Consciência Cerebral. As emoções e os sentimentos encontram seu esteio na contraparte (ou corpo) astral correspondente, enquanto as funções mentais são geradas no corpo mental, de onde passam para o cérebro e daí para o estado de vigília. Quem quiser investigar o problema com mais exatidão poderá encontrar detalhes no livro "Concentração". Para este estudo, que pertence expressamente ao "quarto" estado de Samadhi, as informações resumidas serão suficientes. 

Nas Escrituras Sagradas Hindus há muitos Upanishads, Gitas e tratados que, sem dúvida, podem induzir o Samadhi. Mas quando e em quem?  Por certo não nos iniciantes muito inexperientes, que, por falta de preparação, não podem decifrar os textos sagrados, que não falam em "linguagem aberta", assim como os manuais ocultistas, que sempre possuem um véu para resguardar o conteúdo da profanação e do abuso.

Neste ponto, eu recomendaria que os pretendentes mais determinados lesse, com a mais profunda concentração, alguns versos do Astavakra Gita... As obras originais de Sri Ramana Maharshi, como seus Forty Verses e Truth Revealed, são supremos, mas não muito fáceis de entender corretamente se o estudioso não estiver bem familiarizado com a filosofia desse Sábio contemporâneo.

Mouni Sadhu - Samadhi: A Supra consciência do futuro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey