Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Do profano adicto ao Vencedor Cósmico

No zênite da sua experiência cósmica, vive o homem a suprema Realidade do Universo, em toda a sua plenitude e integridade; vive o UNO em todos os DIVERSOS; percebe a presença do eterno Nirvana em todos os Sansaras temporários. 

E, por isto, pode o homem cósmico amar sinceramente todas as Existências finitas na Essência Infinita, porque percebe o Creador em todas as creaturas. 

A aversão do mundo experimentada pelo místico culminou na conversão ao mundo vivida pelo homem cósmico. Após o penúltimo estágio evolutivo, que é a fuga do mundo, atinge o homem cósmico o último, que é a convivência com o mundo — não mais a convivência do profano, que é derrota, mas a convivência do iniciado, que é vitória. O estágio antepenúltimo do profano escravo, e o penúltimo do desertor místico, fundiram-se no último do vencedor cósmico. 

Esse homem enxerga a sacralidade do Infinito em todas as profanidades finitas, e assim todas as profanidades de outrora são sacralizadas pelo conhecimento da Verdade Libertadora, a Verdade de que o Infinito está em todos os Finitos, e todos os Finitos estão no Infinito. Os DIVERSOS de fora são iluminados pelo UNO de dentro — o homem cósmico vive e saboreia este UNI-VERSO. 

A fim de chegar a essa visão de transparência cósmica, enxergando o Infinito em todos os Finitos, deve o homem contemplar primeiro a Luz do Infinito em si mesma, isoladamente, longe das coisas opacas do mundo dos Finitos; só depois de se identificar totalmente com essa Luz como tal, isolada, transcendente, e viver intensamente essa experiência mística, é que o homem pode ver, mais tarde, essa Luz, como imanente em todas as coisas do mundo objetivo e profano — a opacidade de ontem se converteu na transparência de hoje. 

Somente o homem habituado a ser solitário com Deus pode ser solidário com o mundo — a solidão com Deus do mundo lhe confere a necessária invulnerabilidade para poder ser solidário com o mundo de Deus, sem alegria escravizante. O homem meramente social e sociável, que nada sabe da feliz solidão mística, a sós com Deus, esse não pode ser solidário com o mundo sem desertar da solidão com Deus. 

Essa solidão em Deus deve ter-se tornado no homem uma segunda natureza, uma querência, um lar, um céu, um paraíso, em que ele poderia habitar eternamente. 

Mas... essa profunda verticalidade da solidão clama por uma vasta horizontalidade de ação. Meditação e contemplação querem manifestar-se em ação. Estranhamente, esta palavrinha "ação", de duas sílabas, está contida naquelas palavras maiores, de quatro sílabas. O homem de genuína meditação e contemplação é de irresistível ação e atividade. 

Do homem que algo espera do mundo nada pode o mundo esperar. 

Só o homem, assim liberto do mundo pela experiência da Verdade, pode afirmar sem perigo e amar sinceramente todas as coisas do mundo, porque deixou de ser escravo e se tornou senhor do mundo. 
"O Cristianismo é uma afirmação do mundo, que passou pela negação do mundo". (Albert Schweitzer
"Homem! renuncia ao mundo, entrega-o a Deus! e depois recebe-o de volta, purificado, das mãos de Deus!" (Mahatma Gandhi)  
"Quem não renunciar a tudo que tem não pode ser meu discípulo... Quem perder a sua vida ganhá-la-á; mas quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á" (Jesus, o Cristo)
"Eu morro todos os dias, e é por isto que vivo — mas já não sou eu que vivo, o Cristo vive em mim". (Paulo de Tarso)
De maneira que chegamos a esse estranho paradoxo da Verdade integral: Quem nunca negou internamente o mundo profano não pode sem perigo afirmar o mundo; a aversão do mundo pela negação deve preceder à conversão ao mundo pela afirmação — isto é libertação, equidistante da escravidão do profano e da deserção do místico. 

Com isto, não negamos, todavia, que a deserção mística seja melhor que a escravidão profana; pelo contrário, afirmamos que a deserção mística é um meio necessário para conseguir a libertação final. Todos os mestres espirituais da humanidade insistem na necessidade da negação pela mística para que o homem possa conseguir a libertação total pela afirmação da Verdade. 

Todas as coisas do mundo objetivo iludem e escravizam o homem que não tenha experimentado a Verdade do seu mundo interior; só depois desse encontro real e definitivo com a Verdade do seu Eu Divino, é que as coisas do ego humano podem ser aceitas sem perigo — e até com auxiliares de auto-realização — porque, depois dessa experiência da Verdade, a alegria de outrora se converteu na imunidade de agora. Só então podem as delícias do Nirvana (ananda) ser saboreadas em todas as formas do Sansara, sem perigo, sem remorsos, sem vacilações. 

[...] O homem, embora pareça ser um exilado aqui na terra, sabe no seu íntimo que pode encontrar aqui um lar, uma querência temporária, que não está necessariamente em conflito com a querência eterna, mas pode ser um prelúdio compatível com a vida eterna; ele quer poder afirmar a existência terrestre sem amargura, sem remorsos, sem nenhum senso de culpa, porque sabe que o reino de Deus deve e pode ser proclamado sobre a face da terra, para que haja um novo céu e uma nova terra. Sabe que é ele, e só ele, que pode e deve libertar da corruptibilidade a natureza, que até à presente hora, geme e sofre dores de parto, ansiando pela gloriosa liberdade dos filhos de Deus, que receberam as "primícias do espírito". 

Mas, enquanto as coisas do mundo lhe são opacas, simples objetos profanos, não pode o homem repousar nelas sem inquietação interior, sem uma futura conversão; só quando ele vê em todas as coisas externas outras tantas formas e veículos finitos da Realidade Infinita; só quando o eterno UNO transparece dos efêmeros DIVERSOS — só quando o homem descobre o verdadeiro UNI-VERSO — Deus em tudo e tudo em Deus — só então pode ele reconciliar-se, definitiva e jubilosamente, com o mundo dos Finitos sem desertar do Infinto. 

E então ingressa o homem na grande Família Cósmica, que é o reino de Deus em toda a sua Integridade e Plenitude. 

Quando a vivência profana passa pela visão mística, e quando a visão mística culmina na experiência cósmica — então o Verbo se faz carne e habita no homem cheio de graça e verdade; então o homem diversitário do mundo profano se une ao homem unitário da solidão mística — e desse casamento nasce a maravilhosa prole do homem universitário, o homem cósmico, o homem crístico, a Luz do mundo.
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey