Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Reflexões sobre a Graça


Quando um homem sente o impulso autêntico para seguir determinado caminho, mas não pode ver como isso será possível, seja por circunstâncias externas seja por emoções internas, deve confiar e obedecê-lo. Pois, se assim fizer, a Graça do Eu Superior manipulará essas circunstâncias ou alterará seus sentimentos adequadamente. Mas fará isso para levá-lo ao seu crescimento ulterior e real necessidade, e não para satisfação de seus desejos pessoais ou de suas supostas carências. Que aceite ser conduzido por ela, e não pela cegueira do ego.

A rejeição da ideia da Graça baseia-se num conceito errôneo do que ela é e especialmente na crença de que é um dom caprichoso e arbitrário, derivado de favoritismo. Naturalmente, não é nada disso, mas antes a entrada em ação de uma lei mais elevada. A Graça é simplesmente o poder transformador do Eu Superior, que está sempre presente mas que, de ordinário e por lei, é incapaz de agir num homem enquanto ele não retirar os obstáculos à sua ação. Se o seu aparecimento é considerado imprevisível é porque as más tendências cármicas que retardam esse processo variam consideravelmente de uma pessoa para outra em força, volume e duração de vida. Quando o carma que as gerou torna-se suficientemente fraco, elas não poderão mais impedir a ação da Graça.

Há três tipos de Graça: primeiro, a que tem a aparência de Graça, mas que na verdade resulta do carma positivo passado, e é totalmente merecida; segundo, a que um Mestre concede aos discípulos ou aspirantes quando existem circunstâncias internas e externas adequadas — isso está na essência de apenas um lampejo temporário, mas é útil porque dá um vislumbre da meta, um sentido de direção correta e um encorajamento inspirador para continuar na busca; terceiro, quando um homem atinge o mais pleno grau de realização, ele se torna capaz, em alguns casos, de modificar o carma negativo pendente ou, em outros caos, de negá-lo por ter dominado as lições específicas que precisavam ser aprendidas. Isto é particularmente evidente quando a Mão de Deus remove as obstruções no caminho do seu trabalho. O conceito filosófico da Graça mostra que ela é justamente razoável. É na verdade bem diferente da crença religiosa ortodoxa, uma crença que a considera como intervenção arbitrária do Poder Superior, para benefício de seus seres humanos favoritos.

Ele pode saber que trabalho da Graça começou quando sente um chamado ativo, a partir de dentro, que o desperta do sono e que retorna durante o dia, incitando-o a praticar suas devoções, recolhimento, orações ou meditações. A Graça leva-o da consciência superficial até o seu ser interior, um movimento que lentamente retorna numa exploração e descoberta de si mesmo cada vez mais profunda.

Parece que a Graça nos visita em momentos que ela própria escolhe. Esta é a verdade, mas não a única. Pois o estudo, a prática de exercícios, o treinamento, a autodisciplina, a oração, a aspiração e a meditação também constituem um esforço integral que deve finalmente atrair a Graça como recompensa.

Se a existência da Graça é aceita, surge a questão dos meios de transmiti-la. Visto que se trata de uma irradiação emanada do Eu Superior, ela pode ser concedida diretamente. Mas se há bloqueios internos, como acontece na maioria dos casos, e força insuficiente da parte do homem para rompê-los, então ela não pode ser recebida diretamente. Alguma coisa ou alguém de fora dele terá então de ser usado como meio de transmissão indireta.

Nenhum Maharishi, nenhum Aurobindo, nenhum Francisco de Assis pode salvar você. É o Espírito Santo que salva o homem pela sua Graça. A intervenção desses homens pode acender a fé e aquietar a mente, pode ajuda-lo a preparar as condições corretas e oferecer um foco para sua concentração, mas não oferece nenhuma garantia de salvação. É muitíssimo importante não se esquecer disso, não deificar o homem e negligenciar o verdadeiro Deus que deve vir a você diretamente e agir sobre você diretamente.

Duas coisas são exigidas de um homem antes que a Graça se manifeste nele. Uma é a capacidade de recebe-la; a outra é a cooperação com ela. Para a primeira, terá de tornar o ego humilde; para a segunda, terá de purificá-lo.

Quanto mais o aspirante se aproxima do Eu Superior, mais ativamente a Graça pode atuar nele. A razão disso está na própria natureza da Graça, uma vez que ela nada mais é do que uma força benigna que emana do Eu Superior. A Graça sempre está presente, mas pela predominância da natureza animal e do ego é impedida de chegar à percepção do aspirante. Quando essa predominância é suficientemente demolida, a Graça entra em ação cada vez mais frequentemente, tanto através de Vislumbres como por outros meios.

O verdadeiro obstáculo à entrada da Graça é simplesmente a preocupação dos pensamentos do aspirante com ele próprio, dessa forma, o Eu Superior tem de deixa-lo a seus cuidados.
Pela Graça entendo a manifestação do afeto de Deus.

Se você procura invocar a Graça divina para suprir uma genuína e desesperada necessidade física, ou para obter um resultado humano, procure primeiro encontrar a sagrada presença dentro de si mesmo, e somente depois de tê-la encontrado, ou pelo menos só depois de ter atingido o ponto de contemplação mais profundo possível para você, é que você deve mencionar a coisa ou resultado procurado. Pois então não só lhe será mostrado se é ou não correto continuar com o pedido, como também você se terá colocado na situação mais propícia para obter a Graça.

Ninguém, exceto o próprio Ser de um homem concede-lhe a Graça. A partir do momento em que o homem inclina a cabeça diante dEle, e retorna a essa atitude repetidas vezes, sempre mentalmente e fisicamente quando impelido a fazê-lo, a Graça é invocada.

Nos primeiros estágios do progresso espiritual, a Graça pode fazer-se presente na concessão de emoções de êxtase. Isso encoraja o aspirante a continuar a Busca e a perceber que até então está se empenhando corretamente. Mas, alcançada a finalidade, os estados de enlevo finalmente passarão, como devem passar. Ele então imaginará erroneamente que perdeu a Graça, que deixou de fazer algo que deveria ter feito, ou que fez algo que não deveria ter feito. Na verdade, foi a própria Graça que causou essa perda, que constitui o próximo estágio de progresso, mesmo que não proporcione prazer à mente consciente, mas apenas dor. A crença de ter perdido o contato direto com o poder superior que anteriormente usufruirá é errada: seu contato real era apenas indireto, pois suas emoções então estavam ocupadas consigo mesmas e com o seu prazer na experiência. Ele está sendo separado dessas emoções, de forma que possa ser esvaziado de cada desejo e seu ego possa tornar-se totalmente humilde, e assim estar pronto para a hora em que a alegria, uma vez recuperada, nunca mais o deixará. Porque está agora no limiar da noite escura da alma. Nesse estado a Graça também está atuando sobre ele, mas nas profundezas da sua mente subconsciente, bem além da sua vista, do seu controle.

Quando a Busca se torna a mais importante atividade da vida de um homem, mais importante até que o seu bem-estar material, então é provável que a Graça também se torne uma realidade, e não uma teoria em sua vida.

Se há alguma lei ligada à Graça, ela consiste em que, assim como dedicamos amor ao Eu Superior, da mesma forma recebemos dele a Graça. Mas esse amor deve ser tão intenso, tão grande, que lhe sacrifiquemos espontaneamente o tempo e o pensamento em tal medida que demonstre o quanto ela significa para nós. Em resumo, temos de dar mais para receber mais. E o amor é o melhor que podemos dar.

Paul Brunton em, Ideias em Perspectiva
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey