Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Por que o êxtase no curso das meditações?

As visões pictóricas que podem aparecer na meditação comum, por formosas e surpreendentes que sejam, não constituem a verdadeira visão que sobrevém com a meditação filosófica. Isto se deve a que qualquer coisa que possa perceber-se em dimensões-espaço-temporais, necessariamente pertence ao mundo da relatividade finita. Essas visões são, como bem assinalou São João da Cruz: “só graças que nos preparam para a Graça Maior... Aqueles que têm a visão menos clara, não percebem tão lucidamente como os outros, quanto transcende Ele a suas visões". Qual é a graça maior? É o despertar daquilo que está fora da existência-espaço-temporal, a iluminação da consciência graças a um conhecimento transcendental sem forma. Para apreender o puro Pensamento, é necessário captá-lo como algo vazio de toda forma. O Supremo não tem forma, tamanho, cor ou voz alguma. Por conseguinte, qualquer coisa que se veja diante como percepção interior, não pode ser o Supremo, senão algo inferior. O místico que não tenha purificado sua perspectiva ligada ao espaço, por meio do conhecimento metafísico, que se apega tenazmente a conceitos que só se adaptam a um grau inferior, é lógico que espere perceber o Divino, da mesma maneira como percebe uma casa, ou ver a Deus sob uma figura particular, tal qual vê a um homem parado no outro lado da rua. Numa visão mística des­te tipo, esse místico só vê sua ideia de Deus.
No momento em que seus pensamentos se aquietam totalmente, este homem terá satisfeito uma das duas condições indispensáveis para captar o puro Pensamento. Mas esta consumação desejada não chegará em forma de outros pensamentos, por exaltados que sejam, nem com a aparição de nenhum visão, por formosa que seja. Se espera ver e ouvir Deus com os olhos e ouvidos da mente, por sutis que estes sejam, tal homem ainda se acha numa etapa semi-materialista. Tem que avançar até uma posição filosófica superior, que repila todos os sentidos, em sua aproximação da Divindade, e que deseje unicamente conhecer Deus através da pura faculdade do ser harmônico com Deus. Toda visão do Real que a mente plasme durante o seu progresso evolutivo, pode enganar o místico, fazendo-o pensar que isso é o próprio Real. Deve estar alerta contra tais auto-enganos, porque só quando deixar de exteriorizar Deus em representações pictóricas variáveis; só quando conseguir a inalterável percepção interior do reino amorfo, onde não há representações pictóricas, só então poderá confiar no sentido de realidade que surge de uma experiência mental sem tempo nem espaço.
Deste modo surge um dos valores mais altos de nosso estudo metafísico. Se, em última instância, a realidade carece de espaço, forma e tempo, então quer dizer que nenhum fenômeno transitório que apareça em forma de visões interiores de imagens no espaço, no tempo e que tenham uma forma, jamais pode ser uma manifestação direta da realidade tal qual o é em si mesmo. Àqueles que tenham empreendido a busca da realidade, aconselha-se a não evitarem emocionalmente esse tipo de visões mas a lhes tirarem toda importância. Nada que possua forma, tamanho ou cor, nada visível ou tangível, pode ser aceito como realidade final. Estarão perto de alcançar esta suprema realidade os homens que captarem uma percepção interior de Deus, não mais obscurecida por visões, mas quando seus pensa­mentos acerca de Deus estiverem isentos de ideias preconcebidas so­bre Deus.
O místico filósofo está menos interessado nas formas visíveis subjetivamente que no poder que penetra essas formas; portanto obtém uma iluminação maior. Consegue-se a ioga filosófica quando se aparta a atenção de todo tipo de tempo exteriorizado, por sutil que seja, a respeito da realidade amorfa. Faz que a consciência se introverta sobre si mesma. Noutras palavras, a consciência deve con­verter-se em seu próprio objeto. Os textos antigos denominam à tripla aproximação filosófica, "a senda do pássaro", ao passo que à ioga inferior chamam "a senda da formiga". Estes textos afirmam que ambas conduzem à obtenção do Eu Superior, porém que enquanto a primeira outorga uma rápida salvação, a segunda a produz indireta e gradativamente.
Tanto o místico como o materialista necessitam de refletir insistentemente e esforçar-se honestamente por compreender estas ideias. Porque, se bem que podem aproximar-se da realidade, ao ignorarem que é o que constitui essa realidade, podem passar de largo em sua frente. Os místicos praticantes não têm que se desalentar por nossas advertências, as quais não só os anima, e não se deterem a meio caminho nesta busca, mas também hão de procurar penetrar na etapa superior, não se conformando com os seus objetivos imediatos, senão recordando que existe também um objetivo supremo.
Por que é que muitos místicos experimentam êxtase no curso de suas meditações? A resposta é que, quando a graça os toca nas primeiras etapas, suas emoções se exaltam como consequência natu­ral, e assim repentinamente se vêm transportados a um apaixonado transe de êxtase. Isto é a consequência do impacto de um poder su­perior, um impacto que por não estarem os noviços acostumados a ele, quebra transitoriamente o seu equilíbrio. Geralmente o êxtase sobrevem, no começo ou no final de uma meditação individual, se­gundo o tipo de método adotado. No primeiro caso, o êxtase des­cerá à medida que transcorre a meditação e produzirá a beatífica serenidade de um plano superior. No segundo caso, sua chegada des­truirá a paz previamente alcançada durante a meditação, que se achava neste mesmo plano superior. Em ambos os casos, o êxtase se deve à exaltação da emoção pessoal, enquanto que a serenidade se deve à experiência de um nível mais impessoal.
As visões arrebatadoras e os êxtases emocionais geralmente se produzem numa etapa inicial da carreira do futuro místico, porque vêm a animá-lo a continuar com uma aspiração ou prática que infe­lizmente o mundo em geral não aceita. São fenômenos satisfatórios que podem ou não caracterizar as etapas preliminares da ioga mística, e que geralmente desaparecem quando se alcança uma etapa de evo­lução maior. Quando o homem se intoxica completamente com os arroubos que surgem da meditação, caiu numa situação extrema tão perigosa para o equilíbrio mental e para a realização interior, como quando se intoxica com a metafísica.
Os êxtases místicos devem ser fugazes por própria natureza. É totalmente impossível a um ser humano gozá-los permanentemente. É melhor alcançar um estado de equilíbrio constante do que um estado alternado de êxtase exaltador e de pressão nostálgica poste­rior. O gozo do êxtase implica uma atividade emocional, e toda ati­vidade implica transitoriedade, mudança; de modo que não existe nesse estado repouso final. Que isto é assim resultado evidente atra­vés da história do misticismo oriental e ocidental, que conta com nu­merosas referências acerca da melancólica descida, desde uma etapa muito avançada, ao que se chama "a escura noite da alma", quando todos os êxtases desaparecem com completo e são substituídos por estados de ânimo ensombreados por uma melancólica secura espiri­tual. A maioria dos místicos nos fala desta queda, de alturas arrebatadoras de grande doçura emocional aos secos vales de recorda­ções enfeitiçadas. Mas isto é simplesmente o esforço da Natureza para produzir o ajuste necessário, afim de estabelecer o equilíbrio num nível superior. E depois da trágica experiência da noite obscura da alma, sobrevirá, se o místico o permite, a realização evolutiva e a compreensão de que o êxtase místico, só não é mais uma meta su­ficiente para ele, e que é incomensuravelmente melhor uma serena segurança da presença sempre atual do Divino.
O místico está fundamentalmente preocupado com seus senti­mentos pessoais para com Deus. O filósofo se preocupa principal­mente de Deus. Mas há uma tremenda diferença. A devoção guiada pelo conhecimento pode lograr o que o simples conhecimento jamais há de lograr. Este é um segredo que nem o místico iletrado nem o metafísico que careça de iluminação espiritual, podem compreen­der. Esta é a razão por que, quando o místico alcança o seu mais profundo ponto na meditação, não deveria deixar-se arrastar por seus sentimentos pessoais, ao extremo de esquecer a sua meta superior. Quer dizer que deve gozá-los serenamente, sem enredar-se nesses sen­timentos.
Ao contrário, chegado a este ponto, deveria ter a presença de animo de volver sua atenção para a própria Mente, orientando-a ainda mais profundamente para o seu interior, procurando compreendê-lo e buscando a sua própria realidade. Esta atitude crítica não significa que as emoções devam desaparecer, pois constituem uma das grandes forças impulsionadoras da vida ativa de todo homem, em qualquer etapa de sua evolução pessoal.
Mas enquanto, amiúde, estas emoções correm às cegas no homem que se encontra numa etapa inferior de evolução, em troca, são purifi­cadas e controladas graças a uma cultura bem orientada, numa etapa superior. A veneração é sempre mais importante para o aspirante do que a erudição. Por exemplo, ninguém tem de se envergonhar de chorar, inclusive apesar de seu treinamento metafísico, se chora em nome de coisas exaltadas, por compaixão pelos demais, ou ante a presença divina. Enquanto não alcançar esta meta final, sempre será um aspirante; e enquanto for um aspirante, deve estar preparado para chorar por Deus, para emocionar-se pela divindade e para derramar lágrimas pela ausência de Deus ante a sua consciência; em suma, deve estar preparado para sentir. Em verdade, não se devem matar tais sentimentos, senão senti-los intensamente. Sem eles o homem jamais realizará a meta suprema, porque há de sentir-se Deus da maneira mais profunda possível, e não alimentar-se um frio conceito intelectual. Contudo, deverá utilizar um conceito de Deus para enfrentar seus sen­timentos, e examiná-los e purificá-los, se é que quer achar o verdadeiro Deus. Sentimento e razão devem equilibrar-se mutuamente, porque desta interação surgirá uma atitude mais profunda para com Deus.
Por que logram tantos estudantes fugazes vislumbres do estado supra-sensorial e logo os perdem? Por que são tão esporádicos tais vislumbres, e aparecem tão raramente? Por que não pode o aspirante fixá-los? Por que, quando tenta retê-los, nota que só tem na mão a fria cinza morta de uma mera recordação? Por que não pode re­cuperar esses maravilhosos momentos que dele fogem, inclusive quan­do quase os tem apressado? A resposta é que, em parte, estes momen­tos são refrescantes perguntas de uma conquista que ainda está muito longe, e que são enviados pelo Eu Superior para alentar as esperanças, para atuar como incentivos no prosseguimento da busca e para mos­trar aos neófitos como é a culminação de uma busca. Logo a Natureza os tira da meditação com o fim de que esses vislumbres se reajustem em seus dois outros aspectos, a ação inspirada e a reflexão metafísica, porque é só graças à fusão integral destes três aspectos que a percepção interior pode surgir e ser retida.

Paul Brunton em, a sabedoria do eu superior
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey