Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O que conta é a vivência

Nosso conhecimento baseia-se na experiência. O conhecimento inferencial, que parte do particular para o geral ou do geral para o particular, tem seu fundamento na experiência. Nas ciências exatas é mais fácil encontrar a verdade porque elas se remetem às experiências de cada ser humano. O cientista não lhe diz para crer em coisa alguma. Ele dispõe de certos resultados que provêm da análise de seus experimentos. Quando pede que acreditemos em suas conclusões, recorre a alguma experiência universal. Nas ciências exatas há uma base comum a toda a humanidade que nos permite reconhecer imediatamente como verdadeiras ou falsas as conclusões por elas formuladas. A pergunta que fazemos agora é a seguinte: tem a religião uma base similar ou não? A essa pergunta terei de responder tanto de maneira afirmativa quanto negativa.
A religião, como geralmente vem sendo ensinada no mundo, apóia-se na fé e na crença e, na maioria dos casos, consiste apenas em diferentes teorias. E por esse motivo que as religiões estão em conflito umas com as outras. As teorias, por sua vez, baseiam-se em crenças. Um homem diz que existe um grande Ser que está sentado acima das nuvens, de onde governa o universo, e pede que eu creia nisso apenas pela autoridade de suas palavras. Eu, de minha parte, posso ter minhas próprias ideias e solicitar aos outros que acreditem nelas, mas se me pedirem uma comprovação, não tenho nenhuma sequer para oferecer-lhes. E por isso que a religião e a metafísica têm atualmente péssima reputação. As pessoas instruídas parecem dizer: "Oh, essas religiões não passam de montes de teorias, sem que haja um critério válido para julgá-las, com cada homem pregando suas ideias favoritas." Entretanto, a religião fundamenta-se numa crença universal, que rege as diversas teorias e ideias das mais variadas seitas, em diferentes países. Em seus alicerces elas se apoiam em experiências universais.
O cristão pede que você acredite em sua religião e em Cristo, aceitando-o como Deus encarnado, e que creia em um Deus, em uma alma, e em um estado mais elevado para ela. Se eu lhe pergunto por que devo acreditar nisso, ele responde porque é nisso que ele acredita. Mas se você for à origem da cristandade, descobrirá que sua base foi construída sobre a experiência. Cristo disse que viu Deus, seus discípulos disseram que sentiram Deus, e assim por diante. De modo similar, encontramos no budismo a experiência de Buda. Ele vivenciou certas verdades, contemplou-as, entrou em contato com elas e pregou-as ao mundo. O mesmo acontece com os hindus. Em seus livros, os autores, denominados rishis ou sábios, declaram ter experimentado as verdades que pregam.
É evidente que todas as religiões do mundo foram construídas sobre o fundamento universal e inabalável de todo o nosso conhecimento — a experiência direta. Todos os mestres viram Deus, todos viram sua própria alma e seu próprio futuro, todos contemplaram a eternidade. O que viram, ensinaram. Existe, porém, uma diferença. A maioria das religiões, especialmente nos tempos modernos, faz a afirmação singular de que tais experiências são impossíveis hoje em dia: foram possíveis apenas a alguns raros homens, os fundadores das religiões que posteriormente levaram seus nomes. Em nossos dias tais experiências ficaram antiquadas e, portanto, temos agora de aceitar a religião pela fé.
Nego peremptoriamente tal coisa. Se neste mundo houve uma determinada experiência em algum ramo específico de conhecimento, é incontestável que ela foi possível milhões de vezes antes e se repetirá eternamente. A uniformidade é a lei rigorosa da natureza; o que alguma vez aconteceu, poderá acontecer sempre.
Os mestres da ciência da raja yoga declaram que a religião não apenas se fundamenta na experiência de tempos remotos, mas também que nenhum homem pode ser religioso até que ele próprio alcance as mesmas percepções. A raja yoga é a ciência que nos ensina como obtê-las. Não adianta muito falar de religião até que a tenhamos experimentado. Por que existem tantos distúrbios, tantas lutas e disputas em nome de Deus? Houve mais sangue derramado em nome de Deus do que em nome de qualquer outra causa, porque as pessoas nunca foram à origem; contentaram-se apenas em dar seu consentimento mental aos costumes de seus antepassados e querem que os outros façam o mesmo. Que direito tem um homem de afirmar que possui uma alma, se nunca a sentiu, ou que existe Deus, se nunca o viu? Se existe um Deus, devemos vê-lo; se existe uma alma, devemos percebê-la. Do contrário, será melhor não crer. É melhor ser um ateu declarado do que um hipócrita.
Se por um lado, a ideia moderna entre as pessoas "cultas" é a de que religião, metafísica e a busca por um Ser Supremo é algo inútil, por outro lado, entre os menos instruídos, a ideia parece ser a de que esses assuntos não têm nenhuma base; seu único valor consiste em propiciarem fortes e poderosos motivos para que o bem seja praticado neste mundo. Se os homens crêem em Deus, tornam-se bons e honrados; por conseguinte, bons cidadãos. Não podemos censurá-los por pensarem assim, uma vez que os ensinamentos que esses homens recebem consistem em simplesmente acreditar numa eterna algaravia de palavras, sem nenhum fundamento por trás delas. São chamados a viver de palavras. Podem fazê-lo? Se pudessem, eu não teria o menor respeito pela natureza humana. O homem quer a verdade, quer experimentar a verdade por si mesmo. Quando entendê-la, realizá-la e senti-la no âmago de seu ser, só então, declaram os Vedas, as dúvidas desaparecem, a obscuridade se dissolve, o que é torto se endireita. "Filhos da imortalidade, até mesmo para vós que viveis nas mais altas esferas o caminho foi encontrado. Existe uma maneira de sairmos dessas trevas, que consiste em perceber Aquele que está além de toda a escuridão. Não há outro."

Vivekananda


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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey