Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O fruto do estado de absorção do iogue filosófico

A mera quietude mental é um excelente objetivo, neste caminho de ascensão espiritual, mas não é a verdadeira transcendência. O vazio mental, que tão frequentemente constitui o estado de absorção dos iogues comuns, não é o mesmo que a consciência auto-compreensiva, que constitui o estado de absorção do iogue filosófico. A paz do primeiro facilmente determina um debilitamento da visão do mundo e um imenso letargo, enquanto que a paz do segundo só pode  determinar um aumento de forças para ajudar o mundo e uma grande inspiração. Observar este estado, de fora, e crer que ambos são uma mesma condição, é ser culpável de um grave equívoco. A negatividade difusa do primeiro é inferior e distinto da inteligência discriminativa e alerta do segundo. 

O tipo de iogue comum simplesmente deixa de pensar. O iogue filosófico compromete ativamente sua consciência livre de pensamentos, na compreensão de sua própria natureza. O primeiro é todo flores, mas sem frutos. O outro é todo flores e todo frutos. Assim, pois, na Senda Suprema,  um texto de normas para os aspirantes, reunidos, há oitocentos anos no Tibete, que é ainda muito apreciado ali, se faz a seguinte advertência: "A quietude do processo inativo do pensamento (na mente individual) pode parecer, equivocadamente, a meta verdadeira, que em realidade consiste em alcançar a quietude da Mente Infinita". A chave desta situação extremamente sutil é, portanto, dupla. Primeiro, a posse ou ausência de conhecimento metafísico. Segundo, a atitude mental graças à qual o contemplativo entra em estado de auto-absorção. Estes dois fatores estão intimamente relacionados entre si, e não podem separar-se porque um depende naturalmente do outro.

O momento em que se passa da vigília para o sono ou sonho é, agora o sabemos, um momento sumamente crítico. A direção geral da consciência neste momento pode determinar o caráter dos sonhos ou sono posteriores; pode, por certo, transformar um ou outro em algo totalmente superior. Da mesma maneira, é sumamente crítico o momento em que a atividade do pensar se submerge na absorção total. Também então a direção geral da consciência pode determinar o caráter do estado seguinte. A atitude mental neste momento é realmente criativa. O místico atravessa este momento interessado só em suas relações pessoais frente à experiência, isto é, arrastado por seus sentimentos pessoais de grande satisfação. A experiência o torna mais feliz e ele jamais poderá olvidá-la depois. Mas deixou sua tarefa pela metade, fato melancólico testemunhado pelo seu retorno posterior, tarde ou cedo, ao estado prosaico comum, no qual permanece. Devido em parte a esta referência pessoal, e em parte à sua ignorância metafísica, e consequente falta de preparação, entra neste estado de auto-absorção contemplativo, como o homem que se afastasse de uma habitação por uma porta aberta, com os olhos tenazmente fixos no lugar familiar que deixou, negando-se olhar para a frente.

Assim como este homem só em parte saberá onde está, inclusive quando se acha dentro da habitação, assim também o místico terá só uma consciência parcial da índole da Mente Pura, inclusive quando está imerso na auto-absorção. Além disso, esta referência pessoal faz que o místico abandone as suas perspectivas preconcebidas e as suas crenças dogmáticas, apenas temporariamente no limiar da Mente, por assim dizer, ao invés de mantê-las em sua chama purificadora; assim, pois, volta a retomar suas crenças anteriores, quando regressa à experiência comum. Pelo contrário, se a meditação é praticada conjuntamente com o treinamento filosófico, isto é, se não é mais um simples exercício místico, senão que está informado pelo conhecimento reflexivo racional, então, a perspectiva equivocada da realidade não volta a aparecer, porque o puro ser a experimentará tal qual é. O divino está presente em ambos os caos, mas no primeiro, seu caráter satisfatório se converte num obstáculo, o que não sucede no segundo caso. Ambos os místicos têm tocado a realidade, mas o primeiro apenas alcançou a superfície, enquanto que o outro penetrou em sua imutável profundidade.

Paul Brunton
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey