Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A liberdade significa independência

A liberdade significa independência de tudo que é ex­terior, ou seja, nada que esteja fora da alma pode atuar sobre ela, como causa. A alma não tem causa e é dela que provém todas as grandes ideias que temos. Você não pode constatar a imortalidade da alma enquanto não aceitar, como verdadeiro, que ela seja livre por natureza, em suma, que nada externo exerce influência sobre ela. Pois a morte é um efeito produzido por uma causa ex­terna. Bebo veneno e morro, mostrando que meu corpo pode sofrer a ação de uma causa externa, denominada veneno. Contudo, se é verdade que a alma é livre, in­ferimos que nada pode afetá-la e ela nunca morrerá. A liberdade, imortalidade e felicidade dependem de estar a alma além da lei da causalidade, além de maya.
Qual das duas possibilidades você escolhe? Ou con­sideramos a primeira ilusória, ou a segunda. Com toda a certeza eu digo que a segunda é uma ilusão. Está em maior consonância com meus sentimentos e aspirações. Tenho perfeita consciência de que sou livre por natureza e não posso admitir que esta escravidão seja verdadeira e minha liberdade, ilusória.
Esta discussão, de uma forma ou de outra, acontece em todas as filosofias, mesmo nas mais modernas. Tra­ta-se do mesmo debate. Há duas facções: uma diz que a alma não existe, e que a ideia de alma é uma ilusão pro­duzida pela constante atividade de partículas de matéria que produzem a combinação que denominamos corpo ou cérebro; que o conceito de liberdade resulta das vi­brações, interações e deslocamentos contínuos dessas partículas. Houve seitas budistas que sustentaram essa tese, justificando-a com o seguinte exemplo: se tomamos uma tocha e a fazemos girar rapidamente, produziremos um círculo de luz. Esse círculo, na realidade não existe, porque a tocha está mudando de lugar a todo momento. Não somos mais do que um feixe de pequenas partículas que, em acelerado rodopio, produzem a ilusão de que a alma é permanente.
A outra facção declara que na rápida sucessão de pensamentos, a matéria sobrevêm como uma ilusão, não tem existência real.
Vemos então que enquanto um lado afirma que o es­pírito é uma ilusão, o outro declara que a matéria é uma ilusão. De que lado você fica? Evidentemente vamos tomar o partido do espírito e negar a matéria. Os argu­mentos são similares nos dois casos, apenas a retórica dos que tomaram o partido do espírito é um pouco mais convincente. Ninguém jamais viu a matéria tal como ela é. Só podemos ter a percepção de nós mesmos. Nunca conheci um homem que pudesse perceber o mundo ma­terial sem usar a mente. Por conseguinte, a argumenta­ção é um pouco mais consistente do lado do espírito. Em segundo lugar, a teoria do espírito explica o universo, a do materialismo, não. Por esse motivo a explicação materialista é ilógica. Em suma, se você analisar e resumir todas as correntes de filosofia, descobrirá que elas se limitam a adotar uma ou outra dessas duas perspectivas.
Aqui também deparamos, de forma mais complexa, mais filosófica, com a mesma indagação sobre liberdade e servidão. Cada lado afirma que o outro está enganado. Evidentemente, nós tomamos o partido dos que creem que nossa escravidão é uma ilusão.
A explicação que a Vedanta nos dá é que não estamos presos por nenhum laço; somos livres. Além do mais, dizer ou pensar que estamos aprisionados é perigoso; luta-se de um equívoco, de uma auto-hipnose. No mo­mento em que dizem: "estou de mãos atadas," ou "sou um fraco," ou ainda "estou sem ação," coitados de vocês! Acorrentaram sua vida com mais um grilhão. Não fale assim, não pense dessa forma. Ouvi o relato sobre um homem que vivia numa floresta e costumava repetir, dia e noite: "Shivoham" — Eu sou o Abençoado.
Certo dia um tigre saltou sobre ele e arrastou-o para devorá-lo. As pessoas que estavam na outra margem do rio viram a cena e ouviram sua voz, enquanto lhe restava alento, dizer "Sbivoham" — mesmo quando já estava entre as mandíbulas do tigre. Tem havido muitos homens como esse. Tem havido homens que enquanto estavam sendo cortados em pedaços, abençoavam seus inimigos. "Eu sou Ele, eu sou Ele, tu és Ele. Eu sou puro e perfeito, assim como meus inimigos também são. Tu és Ele, e eu também." Essa é a atitude do forte.
Há grandes e admiráveis aspectos na religião dos du­alistas. E maravilhosa a ideia do Deus Pessoal, separado da natureza, a quem amamos e reverenciamos. Às vezes, esta ideia é tranqíiilizadora. Porém, diz a Vedanta, essa serenidade é algo como o efeito produzido por um entorpecente: não é natural. Com o tempo traz fraqueza e hoje, mais do que nunca, o mundo necessita de força. A fraqueza é a causa de toda a miséria do mundo, afirma a Vedanta. A fraqueza é a causa do sofrimento. Nós nos afligimos porque somos fracos. Mentimos, roubamos, matamos e cometemos outros crimes porque somos fra­cos. Sofremos porque somos fracos. Morremos porque somos fracos. Onde não há nada para nos enfraquecer, a morte ou o pesar não existem. Somos desprezíveis por culpa da ilusão. Renunciemos à ilusão, e tudo isso se desvanece. Em verdade é simples e claro. Por meio de todas essas discussões filosóficas e tremendas ginásticas mentais, chegamos a esta única ideia religiosa, a mais simples do mundo.
Há um argumento que é frequentemente usado para combater o não-dualismo. E o seguinte: é muito bom dizer "Sou o Puro, sou o Abençoado," mas nem sempre demonstro o que digo em minha vida. É verdade, o ideal costuma ser difícil de atingir. Todo recém-nascido vê o céu acima dele, muito longe, mas é esta uma razão plau­sível para não contemplarmos o céu? Melhoraríamos as coisas se nos entregássemos à superstição? Se não temos néctar, melhoraríamos as coisas se bebêssemos veneno? Só porque não podemos realizar a verdade imediata­mente, valeria a pena penetrarmos na escuridão, sujeitando-nos à fraqueza e à superstição?
Não me oponho ao dualismo em muitas de suas for­mas. Aprecio a maioria delas, contudo me oponho a qualquer tipo de ensinamento que promova a fraqueza. A pergunta que faço a todo homem, mulher ou criança que esteja em treinamento físico, moral ou espiritual é a seguinte: — Você é forte? Você se sente forte? — por­que eu sei que apenas a Verdade produz força. Sei que apenas a Verdade produz vida. Nada nos tornará fortes; a não ser que nos encaminhemos na direção da Realida­de, e ninguém alcançará a Verdade enquanto não se fizer forte. Por conseguinte, qualquer sistema que enfraqueça a mente e nos torne supersticiosos, desanimados e que nos faça desejar toda sorte de insensatas impossibilida­des, mistérios e crendices, não é do meu agrado, porque seus efeitos são perigosos. Tais sistemas nunca trazem qualquer bem; criam uma mente mórbida, enfraquecendo-a e debilitando-a a tal ponto que com o passar do tempo, torna-se quase impossível aceitar a Verdade ou viver de acordo com ela.
Força, portanto, é o requisito mais necessário. Força é o remédio para a enfermidade do mundo. Força é o remédio que os pobres devem tomar quando explora­dos pelos ricos. Força é o remédio que o ignorante deve tomar quando oprimido pelos que têm erudição; e é o remédio que os pecadores devem tomar quando tirani­zados por outros pecadores. Nada propicia tanta força quanto esta ideia de monismo, nada nos dá tanta intei­reza de caráter quanto este conceito de monismo. Nada nos faz trabalhar tão bem, em consonância com o que somos de melhor e mais nobre, como quando a respon­sabilidade é lançada sobre nós.
Faço um desafio a cada um de vocês: como irão se comportar se eu colocar uma criancinha aos seus cuidados? No mesmo instante suas vidas mudarão. Não importa quem sejam, agora terão de ser altruístas. Desistirão de todos os seus planos ilícitos assim que se investirem dessa responsabilidade, e seu caráter mudará inteiramente. Da mesma forma, se a responsabilidade recai por inteiro sobre nossos ombros, faremos o melhor que pudermos. Quando não temos ninguém a quem re­correr, nem Diabo a quem culpar, nem um Deus Pessoal para carregar nosso fardo, quando a responsabilidade recai inteiramente sobre nós, então estaremos na ple­nitude do que somos de melhor e mais nobre. "Sou o responsável pelo meu destino, sou eu que me acarreto o bem, sou eu que me acarreto o mal. Sou Aquele que é Puro e Santo."
Essa, diz a Vedanta, deveria ser nossa única oração. Essa é a única via para alcançarmos a meta, para dizer, a nós mesmos e a todos, que somos divinos. À medida que continuamos a repeti-la, ficamos mais fortes. Aque­le que vacila no começo se tornará cada vez mais forte e a voz aumentará de volume até que a verdade tome posse de nossos corações, percorrendo nossas veias, im­pregnando nossos corpos. A ilusão se dissipará à medida que a luz se torne cada vez mais fulgurante. Camada após camada, a ignorância desaparecerá e então virá o tempo em que tudo se terá desvanecido e apenas o Sol brilhará.

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey