Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A importância de se manter o foco

Se quiser ser um astrônomo, nunca virá a sê-lo se ficar sentado, clamando: "Astronomia! Astronomia!" Para tornar-se um astrônomo você precisa ir ao observatório, usar o telescópio, estudar as estrelas e planetas. Cada ciência tem seu próprio método. Eu poderia pregar milhares de sermões, mas eles não o transformariam em uma pessoa religiosa, a menos que siga o método adequado. São essas as verdades ensinadas em todas as épocas, em todos os rincões da terra, pelos homens sábios, puros e altruístas que só tinham como motivação fazer o bem à humanidade. Todos afirmaram ter encontrado uma verdade superior à que se pode perceber por meio dos sentidos e convidam-nos a comprová-la. Pedem que adotemos seu método, praticando-o com sinceridade. Só então, se não encontrarmos essa elevada verdade, teremos o direito de negá-la. Caso contrário, não estaremos sendo racionais ao negarmos a veracidade de suas afirmações. Assim, devemos fazer um esforço constante, usando os métodos prescritos e a luz virá.
Na aquisição do conhecimento usamos a generalização e a generalização está fundamentada na observação. Primeiro observamos os fatos, depois generalizamos e por último chegamos às conclusões ou princípios. O conhecimento da mente, da natureza interna do homem e do pensamento não há de ser alcançado antes de termos o poder de observar os fatos que se passam em nosso íntimo. Comparativamente falando, é muito fácil observar os fenômenos do mundo exterior. Diversos instrumentos foram inventados com essa finalidade; no que se refere ao mundo interior, não temos instrumento que nos ajudem. Sabemos, entretanto, que é por meio da observação que adquirimos conhecimento autêntico. Sem análise adequada qualquer ciência será infundada reduzindo-se a teorias. E por isso que os psicólogos têm discordado entre si, desde o começo dos tempos, exceto aqueles poucos que descobriram os métodos de observação.
Em primeiro lugar, a ciência da raja yoga propõe-se oferecer os meios de observarmos os estados interiores. O instrumento requerido é a própria mente. O poder de atenção, adequadamente orientado e dirigido ao mundo interior, analisará a mente e esclarecerá diversos fatos. Os poderes mentais são raios de luz dispersos; quando concentrados, iluminam. Esse é o nosso único meio de obtermos conhecimento. Seja no mundo interior, seja no exterior, todos o empregam. Porém, para o psicólogo, a mesma observação minuciosa deve se dirigida para o mundo interior, como faz o cientista com o mundo exterior. Isso requer extensa prática. A começar da infância, aprendemos a prestar atenção às coisas externas, nunca às internas. Por isso, muitos de nós praticamente perdemos a faculdade de observar o processo do funcionamento interno. Interiorizar a mente, impedindo-a de voltar-se para fora e, concentrando seus poderes, dirigi-los para ela mesma a fim de conhece sua natureza, é um trabalho muito árduo. No entanto, esse é o único caminho para que possamos acercar-nos cientificamente do tema.
Para que serve esse conhecimento? Antes de mais nada, o conhecimento em si é a mais alta recompensa do conhecimento; em segundo lugar, é de grande proveito. Ele acabará com o sofrimento. Quando, pela análise de sua própria mente, o homem se confronta com algo que nunca pode ser destruído e que é, por sua própria natureza, eternamente puro e perfeito, não se sentirá mais atormentado nem infeliz. Todo sofrimento deriva do medo, do desejo insatisfeito. O homem saberá que nunca morre e não mais terá medo da morte. Ao saber que é perfeito, não mais terá desejos vãos. Ausentes essas duas causas, a angústia cessará e a felicidade perfeita será alcançada, enquanto ainda vive no corpo.
Existe apenas um único método para alcançar esse conhecimento: denomina-se concentração. O químico em seu laboratório concentra a energia de sua mente em um único foco, que faz convergir sobre os elementos que está analisando, descobrindo dessa forma seus segredos. O astrônomo focaliza a energia de sua mente, projetando-a, por meio do telescópio, para o céu; e as estrelas, o sol e a lua desvendam para ele seus segredos.
Como foi obtido todo o conhecimento do mundo? Pela concentração dos poderes mentais. A natureza está pronta para revelar seus segredos, desde que saibamos bater à sua porta com o toque apropriado. A firmeza e a força da batida vêm por intermédio da concentração. Não há limites para o poder da mente humana. Quanto maior a concentração, maior será o poder exercido sobre um ponto. Esse é o segredo.
E mais fácil concentrar-se nas coisas externas, pois a mente naturalmente se volta para fora. O mesmo não acontece com religião, psicologia ou metafísica, em que o sujeito é o mesmo que o objeto. O objeto é interno — a própria mente é o objeto — e é necessário estudar a mente em si. A mente estudando a mente. Sabemos que existe um poder mental denominado reflexão. Estou falando com você e, ao mesmo tempo, é como se eu estivesse de fora e fosse uma segunda pessoa, que sabe e ouve o que estou dizendo. Você age e pensa ao mesmo tempo, enquanto uma parte de sua mente fica de lado e observa o que você está pensando. Devemos concentrar os poderes mentais convergindo-os para a própria mente e, assim como os recantos mais escuros revelam seus segredos aos raios penetrantes do sol, também a mente concentrada penetra seus próprios segredos mais íntimos. Desse modo chegaremos aos fundamentos da crença, à religião verdadeira e genuína. Perceberemos, por nós mesmos, se temos almas, se a vida dura apenas cinco minutos ou é eterna, se há ou não há um Deus no universo. Tudo isso será revelado.
E isso o que a raja yoga se propõe ensinar. A meta de seus ensinamentos é a concentração da mente, como descobrir seus mais íntimos recessos, como generalizar seu conteúdo para chegarmos a nossas próprias conclusões. Por isso a raja yoga nunca pergunta que religião professamos, nem indaga se somos deístas ou ateus, cristãos, judeus ou budistas. Somos seres humanos e isso basta. Todo ser humano tem o direito e o poder de buscar a religião, indagar suas razões e obter essa resposta por si mesmo, bastando para isso que se disponha a procurá-la.

Até aqui, vemos que não é necessária nenhuma crença ou fé para o estudo da raja yoga. Em nada acredite, a não ser no que descobrir por si mesmo: nisso consiste o ensinamento. A verdade não precisa de nenhum apoio para ficar de pé.
Vivekananda

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey