Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

As duas coisas essenciais no sucesso da Busca

Não chegamos ao Real por nossos próprios esforços, nem ele vem a nós apenas por sua vontade. O esforço que nasce do eu e a Graça que vem de uma região além dele são duas coisas essenciais no sucesso desta Busca. A primeira depende de nós, mas a segunda só pode ser concedida pelo Eu Superior. Foi dito uma vez aos homens: "O Espírito sopra onde lhe apraz". Assim, afirmar que o esforço humano e a dependência do homem em relação à Graça Divina são ambos necessários não expressa ideias contraditórias e opostas, porque há uma espécie de ação recíproca entre eles. E essa participação conjunta da Graça é algo maravilhoso. O convite subconsciente do Eu Superior origina, como reação automática, a sua invocação consciente. Quando o ego se sente atraído em direção à sua fonte sagrada, o Eu Superior é atraído, com intensidade equivalente, em direção ao ego. Nunca duvide de que o Divino retribui sempre essa atração que o eu humano sente por ele. Nem a história passada desse eu, nem sua personalidade atual podem alterar esse fato, que constitui uma benção e que traz tanta esperança. A Graça é a prova final, gloriosa e autêntica de que não é apenas o homem que busca Deus, mas que Deus também está sempre esperando pelo homem. 

A Graça é um dom celestial supra-humano. Os que nunca a sentiram e por isso se apressam a negar imprudentemente sua existência são dignos de pena. Aqueles que zombam da possibilidade e negam a necessidade de ajuda da Graça só podem ser os que se tornaram vítimas de um sistema intelectual inflexível, onde não pode haver lugar para ela.[...]

Tudo o que o ego pode fazer é criar as condições necessárias para que possa ocorrer a iluminação, porém, não tem possibilidade de produzir por si mesmo essa iluminação. Por meio da autopurificação, da aspiração constante, da meditação regular, do estudo profundo e da atitude altruísta na vida prática, ele faz o que é necessário. Mas tudo isso é como bater à porta do Eu Superior. É só a Sua Graça que pode abri-la no final. 

A vontade tem sua participação nesse processo, mas não é tudo. Mais cedo ou mais tarde, ele descobrirá que não pode mais avançar dependendo unicamente dela, e que deve pedir ajuda a algo que está além de si mesmo. Ele deve, na verdade, invocar a Graça para que ela aja sobre ele. Nessa luta terrível, torna-se extremamente necessário obter ajuda de algo que está além do eu comum e de seus recursos normais. Ele precisa, na verdade, da Graça. Felizmente, essa Graça está disponível, mesmo que não seja nos termos dele. 

Em certo estágio, ele deve aprender a "soltar-se" mais e a permitir que o Eu Superior o possua, em vez de lutar para possuir algo que, segundo crê, ainda lhe escapa. O aspirante que já tiver passado por isso vai lembrar-se de como avançou no caminho quando fez essa descoberta. 

Em outro estágio, o Eu Superior, cuja Graça foi o impulso inicial para todos os seus esforços, começa a se manifestar e começa a revelar mais abertamente sua presença e atuação. O aspirante torna-se consciente dele com respeito, reverência e gratidão. Ele deve aprender a atender prontamente a esses chamados interiores da Graça Divina. São como raios de sol que fecunda a terra.
Com a descida da Graça, toda a angústia e as recordações desagradáveis do passado do buscador e as frustrações do presente serão milagrosamente apagadas pela mão invisível e curadora do Eu Superior. Ele sabe que um novo elemento entrou no campo de sua consciência e que, desse momento em diante, sua vida interior irá progredir mais rapidamente. Quando seu esforço pessoal diminui, um poder maior começa a agir em seu benefício. Sem que ele faça nada, a Graça começa a fazer por ele aquilo que ele não pode conseguir por si mesmo e, sob sua atuação benéfica, ele descobrirá que sua vontade está se fortalecendo, seu caráter se aperfeiçoando e sua aspiração espiritual aumentando. 

Ele perceberá claramente que se acha sob o controle de uma influência superior e que esta está conseguindo vitórias morais para ele, as quais ele não poderia obter por intermédio de seu eu comum. Uma série de experiências extraordinárias confirmarão o fato de que algum poder benéfico tomou conta de sua personalidade e de que a está tornando mais nobre, a está elevando, inspirando e guiando. Uma sensação de liberdade que lhe traz enorme alegria o domina. Ela afasta todas as suas preocupações emocionais e seus fardos pessoais. 

A Graça é recebida, não conquistada. O homem deve estar disposto a deixar o poder dela agir livremente em seu coração; ele não deve colocar obstáculos, nem impedir sua atuação por não estar se rendendo completamente. Ele só poderá possuir a Graça se deixar que ela o possua. 

A filosofia afirma a existência da Graça, afirma que aquilo que não podemos realizar, mesmo por meio dos mais intensos esforços, pode ser colocado em nossas mãos como uma dádiva divina. 

Tanto no início como no final deste caminho, a descoberta do Eu Superior não é um ato da vontade humana. Só a Vontade Divina — ou seja, só a própria Graça — pode levar à revelação última, à consciência que, quando mantida, transforma o aspirante em um adepto.

Ao buscar o Eu Superior, o aspirante deve buscá-lo com amor sincero. Na verdade, toda a sua Busca deve estar ardentemente imbuída desse sentimento. Ele pode amar o divino de maneira pura e desinteressada? Essa é a pergunta que ele se deve fazer. Para que esse amor devocional seja mais do que um sentimento superficial, ele terá que fortalecer e redimir a vontade. Deverá elevar o sentido de dever moral e dispor-se a obedecer-lhe. Em razão da devoção a algo que transcende seus interesses egoístas, ele não mais poderá buscar vantagens pessoais em detrimento de outros. Seu objetivo não apenas será o de amar a alma, mas também o de compreendê-la, não apenas o de ouvir sua voz durante a meditação, mas o de viver segundo sua vontade.

Paul Brunton em, Práticas para a busca espiritual - relax e solitude
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey