Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A Busca, seus estágios progressivos e a obra da Graça

"No dia da entrega da vida, morrerei ansiando por Vós; cederei meu espírito, aspirando ser de Vossa rua a poeira". — Humamud Din (místico persa do século XIV)
Esses versos poéticos expressam até que ponto o místico deve estar disposto a ir para obter a Graça. 

Só quando o indivíduo se apaixonar por sua alma mais profundamente do que já se apaixonou por alguém, terá alguma chance de alcançá-la. A aspiração incessante pelo Eu Superior, com um espírito de devoção religiosa, é um dos quatro aspectos indispensáveis da Busca total. A Nota da aspiração por realizar isso deve ressoar em sua oração, em sua devoção, concentração e meditação. Às vezes, o anseio por Deus pode afetá-lo até mesmo fisicamente, por meio de uma súbita força dinâmica que abala todo o seu corpo e seu sistema nervoso. A prática meramente formal de meditação é insuficiente, embora não seja de todo inútil, pois, sem a aspiração, a descida da Graça é improvável e sem a Graça não pode haver qualquer realização do Eu Superior. 

O fato de alguém ter conscientemente iniciado o Caminho é por si só uma manifestação da Graça, pois ele começou a buscar o Eu Superior apenas porque o próprio Eu Superior tornou claro — através da sensação insuportável de separação com respeito a Ele — que o momento certo para isso havia chegado. Portanto, o aspirante deve ter esperança. Na verdade, ele não está caminhando sozinho. O próprio amor que passou a sentir pelo Eu Superior é um reflexo do amor que lhe é dedicado por Ele. 

Assim, a própria Busca à qual ele aderiu, os estudos que realiza e a meditação que pratica são inspirados pelo Eu Superior desde o princípio e sustentados por ele até o final. o Eu Superior já estava agindo, mesmo antes de ele começar a buscá-lo. Na verdade, ele iniciou a Busca em obediência inconsciente ao chamado divino. E esse chamado é a primeira manifestação da Graça. Mesmo que ele acredite estar fazendo essas coisas por si mesmo, é na verdade a Graça que está abrindo seu coração e iluminando sua mente por trás da cena. 

A iniciativa do homem o impulsiona em direção à meta, enquanto a Graça Divina o atrai para ela. As duas forças precisam se combinar para que o processo se complete e seja coroado com êxito. Contudo, foi a Graça que inicialmente o despertou para a meta, que o inspirou por meio da fé, dando assim origem aos seus esforços. Nesse sentido, tornam-se mais compreensíveis as palavras de Paulo de Tarso: "Por meio da fé, pela Graça, fostes salvos, e isso não vem de vós". 

A Graça Divina não tem preferência por pessoas nem lugares. Ela vem ao coração que a deseja muito, esteja esse coração no corpo de um rei ou de um homem do povo, de um homem de ação ou de um recluso. John Bunyan, o pobre funileiro, encarcerado na prisão de Bedford, viu uma Luz negada a muitos reis e tentou descrevê-la em seu livro Pilgrims's Progress, Jacob Boehme, trabalhando como sapateiro em Seidenburg, recebeu três graus de iluminação, vislumbrando segredos que, segundo ele, eram desconhecidos nas universidades de sua época. 

Se um indivíduo tiver conscientemente seguido esse caminho quádruplo, trabalhado a purificação do caráter, praticado a meditação e a reflexão metafísica, se dedicado ao serviço altruísta, e mesmo assim parecer distante da meta, o que ele deve fazer? Ele precisa seguir o conselho de Jesus: "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto". Ele precisa literalmente pedir pela Graça com o mais profundo anseio de seu coração. Somos todos pobres. Na verdade, é sábio aquele que compreende isso e se torna um mendigo, implorando a Deus pela Graça.

Primeiramente, ele deve orar para ser libertado da pesada escravidão dos sentidos, dos desejos e dos pensamentos. Depois, orar pela consciência da presença do Eu Superior. Ele deve fazê-lo profundamente e em silêncio, na solidão do próprio coração. Deve orar com emoção e com a mente firme. Seu anseio por essa libertação e por essa presença deve ser inquestionavelmente forte e sincero. Ele deveria utilizar essas orações ao iniciar, ao encerrar, e se desejar, mesmo durante o período de meditação. Ele deve fazê-lo dia após dia, semana após semana, porque o Eu Superior não é meramente um conceito, mas uma realidade viva, o poder que há por trás de todos os outros poderes menores. 

Nenhum aspirante que seja sincero e sensível ficará sem ajuda. Este poderá se manifestar em uma dificuldade, quando a natureza inferior parece inesperadamente dominada por uma ideia poderosa que se opõe a ela. Talvez ele encontre num livro aquilo que ele precisava e que, nesse momento específico, vai ajudá-lo em seu caminho. A ajuda que ele necessita em determinado estágio virá naturalmente. Ela pode assumir a forma de uma mudança nas circunstâncias exteriores ou de um encontro com uma pessoa mais evoluída, de um livro ou de uma carta, de uma inspiração inesperada de ou uma intuição iluminadora. Nem é necessário que ele tenha avançado muito no caminho para colher esses frutos. Muito antes disso ele começará a desfrutar de paz, esperança, conhecimento e transcendência divina. 

No momento em que, numa situação difícil, um indivíduo abandona de boa vontade seu ponto de vista habitual e o substitui por um ponto de vista superior, nesse momento ele recebe a Graça. Acontece um milagre  e o erro do ponto de vista inferior deixa permanentemente de fazer parte de seu caráter. A situação, ao mesmo tempo que o põe à prova, lhe dá a oportunidade. 

A realidade da Graça não anula a necessidade de escolha moral e de esforço pessoal. Seroa um grande erro rotular de inútil o esforço humano na Busca e proclamar a total inabilidade do homem para conquistar a própria salvação. Assim como é verdade que só a Graça Divina pode levar a Busca a ser bem-sucedida, é também verdade que o esforço humano deve preceder e invocar a descida da Graça. Para invocar a Graça é necessário, primeiramente, uma extrema, intensa e sincera humildade; em segundo lugar, uma entrega do ego ao Eu Superior, uma consagração do ser terreno à essência espiritual; em terceiro lugar, executar diariamente exercícios de devoção. As práticas irão possibilitar experiências, a aspiração irá atrair ajuda. A intervenção misteriosa da Graça pode mudar o curso dos acontecimentos. Ela introduz novas possibilidades, imprime um rumo diferente para o destino. 

Paul Brunton em, Práticas para a busca espiritual - relax e solitude
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey