Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Somos uma espécie em risco de extinção

Para que a humanidade sobreviva, é indispensável uma transformação radical da natureza humana.
Mas não se verificou na experiência, seja o que for que alguma vez se possa ter esperado, que a educação e o treinamento intelectual possam, por si sós, modificar o homem; eles somente proporcionam ao ego humano individual e coletivo melhores informações e uma maquinaria mais eficiente para sua auto-afirmação, mas deixam-no o mesmo ego humano modificado. Tampouco podem a mente e a vida humana ser talhadas para chegarem à perfeição — mesmo àquilo que se pensa ser perfeição, um substituto construído — por nenhuma espécie de maquinaria social; a matéria pode ser assim talhada, o pensamento pode ser assim talhado, mas em nossa existência humana matéria e pensamento são apenas instrumentos para a alma e a força-vida. Maquinaria não pode forma a alma e a força-vida dentro de moldes padronizados; ela pode no máximo coagi-las, tornar a alma e a mente inertes e estacionárias e regular a ação exterior da vida; mas para fazer isto, efetivamente, a coerção e a compreensão da mente e da vida são indispensáveis, e isto de novo significa ou uma estabilidade não progressiva ou decadência. 

Existe a possibilidade de que, no movimento de recuo de uma ideia mecanicista de vida e sociedade, a mente humana possa buscar refúgio num retorno à ideia religiosa e a uma sociedade governada ou sancionada pela religião. Mas a religião organizada, embora possa fornecer um meio de elevação interior para o indivíduo e preservar neste meio, ou por detrás ele, um caminho para sua abertura à experiência espiritual,  não modificou a vida e a sociedade humana; ela não pode fazê-lo porque, no governar a sociedade, comprometeu-se com as partes mais baixas da vida e não pode insistir na mudança interior do ser inteiro; ela pode insistir apenas na aderência a um credo, na aceitação formal de seus padrões éticos e na conformidade com instituição, cerimônia e ritual. Religião, assim concebida, pode dar uma cor ético-religiosa ou uma tintura de superfície — às vezes, se ela mantém um forte núcleo de experiência interior, ela pode generalizar em alguma medida uma tendência espiritual incompleta; mas não transforma a espécie, não pode criar um novo princípio de existência humana. Somente uma direção espiritual total, dada à vida toda e à natureza toda, pode erguer a humanidade acima de si mesma. Outra concepção possível, semelhante à solução religiosa, é o governo da sociedade por homens espiritualmente realizados, a irmandade ou unidade de todos na fé ou na disciplina, a espiritualização da vida e sociedade pelo assumir e transformar a velha maquinaria de vida numa tal unificação, ou inventando uma nova maquinaria. Isto também foi tentando antes sem sucesso; foi a ideia-base original de mais de uma religião: mas o ego humano e a natureza vital eram demasiado fortes para que uma ideia religiosa, trabalhando sobre a mente e através da mente, vencesse a resistência desta. É somente o pleno emergir da alma, a plena descida da luz e poder nativos do Espírito, e a consequente substituição ou transformação e elevação de nossa natureza mental e vital insuficiente por uma supranatureza espiritual e supramental, que pode efetuar esse milagre evolucionário. 

À primeira vista, esta insistência numa mudança radical da natureza poderia parecer afastar toda a esperança da humanidade para um futuro evolucionário distante; pois o transcender de nossa natureza humana normal, um transcender de nosso ser mental, vital e físico, tem a aparência de um esforço demasiado alto e difícil e, no presente, para o homem tal como ele é, impossível. Mesmo que assim fosse, restaria ainda a possibilidade única da transmutação da vida; pois esperar por uma mudança real da vida humana, sem uma mudança da natureza humana, é uma proposição irracional e não-espiritual; é pedir algo não-natural e não-real, um milagre impossível. Mas o que é exigido por esta mudança não é algo completamente distante, alheio à nossa existência e radicalmente impossível; pois o que tem que ser desenvolvido está aí em nosso ser, não é algo fora dele: aquilo para o que a Natureza evolucionária pressiona é um despertar para o conhecimento de si, a descoberta do si, a manifestação do si e espírito dentro de nós e a liberação de seu auto-conhecimento, seu auto-poder, sua auto-instrumentação inata. É, além disso, um passo para o qual o todo da evolução tem sido uma preparação, e que é trazido para mais perto a cada crise do destino humano, quando a evolução mental e vital do ser toca um ponto onde o intelecto e a força vital atingem o auge da tensão e há necessidade ou de sofrerem um colapso, recaírem num torpor de derrota ou num repouso de quiescência não progressiva, ou de abrirem caminho através do véu contra o qual eles estão pressionando. O que seria necessário é que houvesse uma virada na humanidade, sentida por alguns ou muitos, rumo à visão desta mudança, um sentir de sua necessidade imperativa, o sentido de sua possibilidade, a vontade de fazê-la possível em si mesmos e de encontrar o caminho. Essa tendência não está ausente, e deve crescer com a tensão da crise no destino-mundo humano; a necessidade de um escape ou de uma solução, o sentir que não há nenhuma oura solução a não ser a espiritual, só pode crescer e tornar-se mais imperativo sob a premência da circunstância crítica. A este chamado no ser tem que haver sempre uma resposta na Realidade Divina e na Natureza.

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem   
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey