Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A agressiva e obscura expansão do ego coletivo

A atual crise evolucionária origina-se de uma disparidade entre as faculdades limitadas do homem — mental, ética e espiritual — e os meios técnicos e econômicos à sua disposição.
Presentemente, a espécie humana está sofrendo uma crise evolucionária em que se oculta uma escolha de seu destino; pois foi atingido um estágio no qual a mente humana alcançou em certas direções um enorme desenvolvimento, enquanto em outras ela está parada e confusa e não consegue mais encontrar seu caminho. Uma estrutura da vida externa foi erguida pela mente e vontade vital sempre ativas do homem, uma estrutura de incontrolável enormidade e complexidade, para o serviço de suas exigências e anseios mentais, vitais, físicos, uma complexa maquinaria política, social, administrativa, econômica, cultural, um meio coletivo organizado para sua satisfação intelectual, sensorial, estética e material. O homem criou um sistema de civilização que se tornou grande demais para ser utilizado e manejado por sua limitada capacidade e entendimento mental, e sua capacidade moral e espiritual ainda mais limitada, um servo demasiado perigoso de seu ego vacilante e seus apetites. Porque nenhuma mente de maior visão, nenhuma alma intuitiva de conhecimento, que pudesse tornar essa plenitude básica da vida uma condição para o livre crescimento de algo que a excedesse, veio ainda à sua superfície de consciência. Esta nova plenitude dos recursos da vida, devido a seu poder para uma liberação da incessante pressão insatisfeita das necessidades econômicas e físicas do homem, poderia ser uma oportunidade para a total busca de outros e maiores objetivos que ultrapassassem a existência material, para a descoberta de uma verdade, bem e beleza mais altos, para a descoberta de um espírito maior e mais divino que interviria e usaria a vida para uma perfeição mais alta do ser: mas em vez disso ela está sendo usada para a multiplicação de novas ciências e uma agressiva expansão do ego coletivo. Ao mesmo tempo, a Ciência colocou-lhe à disposição muitas potências da Força Universal e tornou a vida da humanidade materialmente una; mas o que usa esta Força universal é um pequeno ego humano individual ou comunal, com nada de universal em sua luz de conhecimento ou em seus movimentos, nenhum sentido ou poder interior que criaria, nesta conjunção física do mundo humano, uma verdadeira unidade de vida, uma unidade mental ou uma unidade espiritual. Tudo que está aí é um caos de ideias mentais que se chocam, anseios de carência e necessidade física individual e coletiva, exigências e desejos vitais, impulsos de um ignorante ímpeto de vida, ânsias e chamados para a satisfação vital de indivíduos, classes, nações, um rico cogumelo de medicinas e noções políticas e sociais e econômicas, uma azafamada miscelânea de slogans e panaceias pelos quais os homens estão prontos a oprimir e a serem oprimidos, a matar e a serem mortos, a se imporem de uma maneira ou de outra pelos imensos e tão formidáveis recursos colocados à sua disposição, na crença de que esta é sua saída para algo ideal. A evolução da mente e da vida humana deve necessariamente levar a uma crescente universalidade; mas sobre uma base de ego e de uma mente que segmenta e divide, esta abertura ao universal pode apenas criar uma vasta pululação de ideias e impulsos discordantes, uma vaga de enormes poderes e desejos, uma massa caótica de material mental, vital e físico não assimilado e misturado, de uma existência maior que, por não ser erguida por uma luz harmonizadora criativa do espírito, tem que tumultuar-se numa confusão e discórdia universalizada, a partir da qual é impossível construir uma vida harmônica maior. 

Sem uma mudança interior, o homem não pode mais fazer face ao gigantesco desenvolvimento da vida exterior.
Uma vida de unidade e harmonia, nascida de uma verdade mais profunda e vasta de nosso ser, é a única verdade da vida que pode com sucesso tomar o lugar das construções imperfeitas do passado, que formam uma combinação de associação e conflito regulado, uma acomodação de egos e interesses agrupados ou mutuamente encaixados para formarem uma sociedade, uma consolidação pelos motivos-vida gerais comuns, uma unificação por necessidade e pela pressão da luta com forças de fora. É uma tal mudança e um tal remodelar a vida que a humanidade está cegamente começando a procurar, agora cada vez mais com o sentido de que sua própria existência depende de encontrar o caminho. A evolução da mente trabalhando sobre a vida desenvolveu uma organização da atividade da mente e um uso da matéria que não podem mais ser suportados pela capacidade humana sem uma mudança interior. É imperativa uma adaptação da individualidade humana egocêntrica, separativa mesmo em associação, a um sistema de viver que exige unidade, mutualidade perfeita, harmonia. Mas, porque a carga está sendo colocada sobre a espécie humana é grande demais para a presente pequenez da personalidade humana e sua insignificante mente e pequenos instintos-de-vida, porque ela não pode operar a mudança necessária, porque ela está usando este novo aparato e organização para servir ao velho si-de-vida infra-espiritual e infra-racional da humanidade, o destino da espécie parece estar conduzindo perigosamente, como que impacientemente e a despeito dela mesma — sob o ímpeto do ego vital dominado por forças colossais que estão na mesma escala que a enorme organização mecânica da vida e o conhecimento científico que ela evoluiu, uma escala grande demais para ser manipulada por sua razão e vontade — para dentro de uma prolongada confusão e perigosa crise e escuridão de uma violenta incerteza em constante mudança. Mesmo se isso vier a ser uma fase ou aparência passageira, e se for encontrada uma tolerável acomodação estrutural que torne a espécie humana capaz de proceder menos catastroficamente em sua jornada incerta, isto pode ser apenas um adiamento. Pois o problema é fundamental, e, colocando-o, a Natureza evolucionária do homem se confronta com uma opção crítica que deve um dia ser resolvida no sentido verdadeiro, se a espécie deve alcançar seu objetivo ou mesmo sobreviver. 
A exaltação da coletividade, do Estado, apenas substitui o ego individual pelo ego coletivo.
Uma fórmula racional e científica do ser humano vitalista e materialista e sua vida, a busca de uma sociedade econômica aperfeiçoada e o culto democrático do homem comum, são, nesta crise, tudo o que a mente moderna nos apresenta como luz para sua solução. Qualquer que seja a verdade em que se apoiam estas ideias, isto claramente não é suficiente para fazer face à necessidade de uma humanidade que tem a missão de evoluir muito além de qualquer coisa que ela presentemente é. Um instinto-de-vida na espécie e no próprio homem comum sentiu a inadequação e vem impulsionando rumo a uma reversão de valores ou a uma descoberta de valores novos e à transferência da vida para um novo fundamento. Isto tomou a forma de uma tentativa de encontrar uma base simples e pré-fabricada de unidade, mutualidade, harmonia para a vida em comum, de impô-la através de uma supressão do choque competitivo de egos, e assim chegar a uma vida de identidade para a comunidade, em vez de uma vida de diferença. Mas para realizar estes desejáveis fins, o meio adotado tem sido a materialização forçosa e bem sucedida de uma poucas ideias ou slogans restritos, entronados, excluindo todo pensamento diferente, a repressão da mente do indivíduo, uma compressão mecanizada de elementos da vida, uma unidade e ímpeto mecanizados da força-vida, uma coerção do homem pelo Estado, a substituição do ego individual pelo ego coletivo. O ego coletivo é idealizado como a alma da nação, da espécie, da comunidade; mas isto é um erro colossal e pode chegar a ser um erro fatal. Uma unanimidade forçada e imposta, de mente, vida, ação erguidas até sua mais alta tensão sob a impulsão de algo que se pensa ser maior, a alma coletiva, a vida coletiva, é a fórmula encontrada. Mas este obscuro ser coletivo não é a alma ou o si da comunidade; é uma força-vida que se levanta do subconsciente, e, se privada da luz da orientação pela razão, pode ser dirigida apenas por forças maciças escuras, potentes mas perigosas para a espécie, porque alheias à evolução consciente da qual o homem é o depositário e portador. Não foi nesta direção que a Natureza evolucionária apontou a espécie humana; isto é uma reversão rumo a algo que ela deixou atrás de si.
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey