Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O movimento final de consumação da transformação espiritual


[...]É somente por uma abertura para dentro da consciência cósmica que a ascensão e descida da sobremente pode tornar-se de todo possível: uma alta e intensa abertura individual para cima não é suficiente — e esta ascensão vertical rumo à Luz culminante deve ser acrescentada uma vasta expansão horizontal da consciência para dentro de uma totalidade do Espírito. 

Quando a sobremente desce, a predominância do sentido-de-ego centralizador é inteiramente subordinada, perde-se em grandeza de ser e é finalmente abolida; uma ampla percepção e sentir cósmicos de um si e movimento universal ilimitado a substituem: muitas moções que anteriormente era egocêntricas podem continuar ainda, mas elas ocorrem como correntes ou pequenas ondulações de superfície na amplidão cósmica. O Pensamento, em sua maior parte, não parece mais originar-se individualmente no corpo ou na pessoa, mas se manifesta de cima ou entra trazido pelas ondas de mente cósmicas: toda visão ou inteligência individual interior das coisas é agora uma revelação ou iluminação do que é visto ou compreendido, mas a fonte da revelação não está em nosso si separado e sim no conhecimento universal; os sentimentos, emoções, sensações são semelhantemente sentidos como ondas da mesma intensidade cósmica irrompendo sobre o corpo sutil e o corpo grosseiro e respondidas do mesmo modo pelo centro individual da universalidade; pois o corpo é apenas um pequeno suporte, ou até menos, um ponto de relação, para a ação de uma vasta instrumentação cósmica. Nesta grandeza ilimitada, não apenas o ego separado mas todos os sentidos de individualidade, mesmo de uma individualidade subordinada ou instrumental, podem desaparecer por completo; ficam unicamente a existência cósmica, a consciência cósmica, o deleite cósmico, o jogo de forças cósmicas: se o deleite ou o centro de Força é sentido naquilo que era a mente, vida ou corpo pessoal, não é como um senso de personalidade, mas como um campo de manifestação, e este sentir do deleite ou da ação da Força não se confina à pessoa ou ao corpo, mas pode estender-se a todos os pontos, numa consciência ilimitada que se espalha por toda parte. 

Mas pode haver muitas formulações de consciência e experiência de sobremente; pois a sobremente tem uma grande plasticidade e é um campo de múltiplas possibilidades. Em lugar de uma difusão não centrada e não localizada, pode haver o sentido do universo na pessoa ou como sendo a pessoa: mas igualmente aqui, este si não é o ego; é uma extensão de uma livre e pura autoconsciência essencial, ou é uma identificação com o Todo — a extensão ou a identificação constituindo um ser cósmico, um indivíduo universal... Na transição para a supramente, esta ação centralizadora tende à descoberta de um indivíduo verdadeiro substituindo o ego morto, um ser que em sua existência é um com o Si Supremo, um com o universo em extensão, e mesmo assim um centro e circunferência cósmica da ação especializada do Infinito. 

A mudança para a sobremente é o movimento final de consumação da transformação espiritual dinâmica; ela é a mais alta dinâmica de status possível do espírito no plano da mente-espiritual. Ela assume tudo o que está nos três estágios abaixo dela e eleva suas operações características a seu poder mais alto e maior, acrescentando a elas uma amplitude universal de consciência e força, um acordo harmonioso de conhecimento, um mais multiforme deleite de ser. Mas há certas razões, que se erguem de seu próprio status e poder característicos, que a impedem de ser a possibilidade final da evolução espiritual. Ela, embora sendo o poder mais alto, é um poder do hemisfério inferior; muito embora sua base seja uma unidade cósmica, sua ação é uma ação de divisão e interação, uma ação fundada no jogo da multiplicidade. Seu jogo, como o de toda mente, é um jogo de possibilidades; muito embora ela aja não na Ignorância mas com o conhecimento da Verdade destas possibilidades, ela as elabora, contudo, através da própria evolução independente dos poderes delas. 
A descida da Sobremente não é suficiente para transformar por completo a Inconsciência; só a Força Supramental é capaz de conseguir isto.
Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem

A Mente Iluminada


Esta força maior é a da Mente Iluminada, uma mente não mais de Pensamento mais alto, mas de luz espiritual. Aqui a claridade da inteligência espiritual, sua tranquila luz diurna, dá lugar ou se subordina a um brilho intenso, um esplendor e iluminação do espírito: um jogo de relâmpagos de verdade e de poder espiritual desencadeia-se do alto para dentro da consciência e adiciona à calma e ampla iluminação e à vasta descida de paz que caracterizam ou acompanham a ação do princípio espiritual-conceitual maior, um fogoso ardor de realização e um arrebatado êxtase de conhecimento. Uma vertente de Luz interiormente visível quase sempre envolve esta ação; pois deve-se notar que, ao contrário de nossas concepções usuais, luz não é primariamente uma criação material, e o sentido ou visão de luz que acompanha a iluminação interior não é meramente uma imagem visual subjetiva ou um fenômeno simbólico: luz é primordialmente uma manifestação espiritual da Realidade Divina iluminadora e criativa; luz material é uma representação ou conversão subsequente dela dentro da Matéria, para os propósitos da Energia material. Há também nesta descida a chegada de uma dinâmica maior, um ímpeto dourado, um entusiasmo luminoso de força e poder internos que substitui o processo comparativamente lento e deliberado da Mente Mais Alta por um ímpeto veloz, às vezes veemente, quase violento, de transformação rápida. 

A Mente Iluminada não trabalha primariamente por pensamento, mas por visão; o pensamento aqui é apenas um movimento subordinado expressivo da visão. A mente humana, que confia principalmente no pensamento, concebe-o como sendo o mais alto ou o principal processo de conhecimento; mas na ordem espiritual o pensamento é um processo secundário e não indispensável. 

Uma consciência que procede por visão, a consciência daquele que vê, é um poder de conhecimento maior do que a consciência do pensador. O poder perceptivo da visão interior é maior e mais direto que o poder perceptivo do pensamento: é um senso espiritual que capta algo da substância da Verdade, e não apenas sua figura; mas ele também delineia a figura, e ao mesmo tempo apanha a significação da figura, e ele pode corporificá-la com um contorno revelador mais belo e mais audacioso e com uma compreensão e poder da totalidade maiores do que o que pode conseguir a concepção do pensamento.

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem

A transição da mente para a Supramente

A transição da mente para a Supramente é uma passagem da Natureza para a Supernatureza. Exatamente por essa razão, ela não pode ser alcançada por um mero esforço de nossa mente ou nossa aspiração desajudada. A Sobremente e a Supramente estão involuídas e escondidas na natureza da terra; mas para que elas possam emergir em nós, é preciso uma pressão dos mesmos poderes, já formulados em sua plena força natural nos seus próprios planos supraconscientes. Os poderes da Supraconsciência têm de descer para dentro de nós e elevar-nos, e transformar nosso ser.
A transição para a Supramente através da sobremente é uma passagem da Natureza tal como a conhecemos para a Supra-Natureza. Exatamente por isso é impossível a qualquer esforço da Mente ordinária alcançá-la; nossa aspiração e empenho pessoais desajudados não podem chegar até ela: nosso esforço pertence ao poder inferior da Natureza; um poder da Ignorância não pode alcançar, por sua própria força, característica ou métodos disponíveis, o que está além dos domínios da natureza. Todas as ascensões anteriores foram efetuadas por uma Força-Consciência secreta operando primeiramente na Inconsciência e depois na Ignorância: ela trabalhou por uma emersão de seus poderes envolvidos à superfície, poderes escondidos atrás do véu e superiores às formulações passadas da Natureza, mas mesmo assim é preciso uma pressão dos mesmos poderes superiores, já formulados em sua plena força natural nos seus próprios planos; estes planos superiores criam seu próprio fundamento em nossas partes subliminais, e de lá são capazes de influenciar o processo evolucionário na superfície. Sobremente e Supramente estão também involuídas e ocultas na Natureza-terra, mas elas não têm formações nos níveis acessíveis de nossa consciência interior subliminal; ainda não há nenhum ser de sobremente ou natureza organizada de sobremente, nenhum ser supramental ou natureza organizada de supramente atuando, quer sobre nossa superfície, quer em nossas partes subliminais normais: pois estes poderes maiores de consciência são supraconscientes em relação ao nível de nossa ignorância. Para que os princípios da Sobremente e da Supramente involuídos pudessem emergir de seu segredo velado, o ser e os poderes da supraconsciência teriam que descer para dentro de nós e elevar-nos, e formularem-se em nosso ser e em nossas faculdades; esta descida é um sine qua non da transição e da transformação. 

Para uma verdadeira transformação deve haver uma intervenção direta e clara de cima; seria necessário também uma submissão e entrega total da consciência mais baixa, cessação de sua insistência, uma vontade, nela, de que sua lei isolada de ação seja completamente anulada por transformação, perdendo todos os direitos sobre nosso ser. Se estas duas condições, mesmo agora, podem ser alcançadas por um chamado e vontade conscientes no espírito e uma participação de todo o nosso ser manifestado e interior em sua mudança e elevação, a evolução, a transformação pode ter lugar por uma mudança de consciência comparativamente rápida; a Força-Consciência supramental de cima e a Força-Consciência envolvente de trás do véu, agindo sobre a percepção e a vontade despertas do ser humano mental, cumpririam por seu poder unido a transição capital. Não haveria mais necessidade de uma lenta evolução exigindo milênios para cada passo, a evolução vacilante e difícil operada pela Natureza, no passado, nas criaturas não-conscientes da Ignorância. 

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem

A resultante da vivência da sublime invasão do Infinito

Uma nova consciência começa a se formar, com novas forças de pensamento e visão, e um poder de realização espiritual direta que é mais do que pensamento ou visão.
Esta experiência de descida (de uma nova Consciência) pode efetuar-se como resultado dos outros dois movimentos, ou então automaticamente, antes de um ou outro ter acontecido, por uma súbita brecha na membrana mental, ou uma filtragem, uma chuva forte ou um influxo. Uma luz desce e toca ou envolve ou penetra o ser inferior, a mente, a vida ou o corpo; ou uma presença, um poder ou um rio de conhecimento derrama-se em ondas ou correntes, ou há uma inundação de alegria ou um súbito êxtase; o contato com o supraconsciente foi estabelecido; pois tais experiências se repetem até que se tornem normais, familiares e bem entendidas, reveladoras de seu conteúdo e de seu significado, os quais podem ter sido, primeiro, envoltos e revestidos com um segredo pela figura da experiência encobridora. Pois um conhecimento de cima começa a descer, frequentemente, constantemente, depois ininterruptamente e a manifestar-se na quietude ou no silêncio da mente; intuições e aspirações, revelações nascidas de uma visão maior, uma verdade e sabedoria mais alta entram no ser, uma luminosa discriminação intuitiva trabalha, dissipando toda escuridão de entendimento ou confusões aturdidoras, pondo tudo em ordem; uma nova consciência começa a se formar, a mente de um alto conhecimento pensante, vasto e auto-existente, ou uma consciência iluminada ou intuitiva ou sobremental, com novas forças de pensamento ou visão e um maior poder de realização espiritual direta que é mais do que pensamento ou visão, um maior devir aparece na substância espiritual de nosso ser atual; o coração e os sentidos tornam-se sutis, intensos, grandes para abraçar toda existência, ver deus, sentir e ouvir e tocar o Eterno, criar uma unidade mais funda e mais íntima do si e do mundo numa realização transcendente. Outras experiências decisivas, outras mudanças de consciência se determinam, sendo corolários e consequências desta mudança fundamental. Nenhum limite para esta revolução pode ser fixado; pois ela é, em sua própria natureza, uma invasão do Infinito

Pois esta nova consciência tem, ela própria, a natureza da infinidade; ela traz para nós o sentido e percepção espiritual inabalável do infinito e do eterno, com uma grande amplidão da natureza e um desmoronamento de suas limitações; a imortalidade torna-se não mais uma crença ou experiência, mas uma autoconsciência normal; a íntima presença do Ser Divino, seu governo do mundo e de nosso si e de nossos membros naturais, sua força operando em nós e em toda parte, a paz do infinito, a alegria do infinito são agora concretos e constantes no ser; em tudo o que é visto e em todas as formas nós vemos o Eterno, a Realidade; em todos os sons nós o ouvimos, em todos os toques o sentimos; há unicamente suas formas e personalidades e manifestações; a alegria ou adoração do coração, o abraço de toda a existência, a unidade do espírito são realidades duradouras. A consciência da criatura mental está se convertendo, ou já se converteu inteiramente, na consciência do ser espiritual. Esta é a segunda das três transformações; unindo a existência manifesta com o que está cima dela, ela é, dos três passos, o do meio, a transição decisiva da natureza evoluindo espiritualmente.
Para tornar esta nova criação permanente e perfeita, a própria base de nossa natureza de ignorância deve ser TRANSFIGURADA, e um poder maior, uma Força supramental, deve intervir para cumprir a transfiguração. Esta é a terceira fase: a transformação supramental.
Assim como a mudança psíquica tem que apelar ao auxílio do espiritual para se completar, a primeira mudança espiritual tem que apelar ao auxílio da transformação supramental para se completar. Pois todos esses passos de avanço são, como os anteriores a eles, de transição; a mudança radical total na evolução, de uma base de Ignorância para uma base de Conhecimento, só pode acontecer pela intervenção do Poder Supramental e por sua ação direta na existência terrestre.

Esta, então, deve ser a natureza da terceira e última transformação, que finaliza a passagem da alma pela Ignorância e assenta a base de sua consciência, sua vida, seu poder e forma de manifestação num conhecimento completo e efetivo. A Consciência-Verdade, encontrando pronta a Natureza evolucionária, tem que descer para dentro dela e capacitá-la a liberar o princípio supramental que ela contém; assim deve ser criado o ser supramental e espiritual, como a primeira manifestação não-velada da verdade do Si e do espírito no universo material.

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem

O maior triunfo futuro do consciente pensador

Acima da lei individual natural, que estabelece como nosso único padrão de conduta a satisfação de nossas necessidades, preferências e desejos individuais, e acima da lei comunal natural, que estabelece como padrão superior a satisfação das necessidades, preferências e desejos da comunidade como um todo, teve que surgir a noção de uma lei moral ideal que não é a satisfação de necessidade e desejo, mas que os controla e mesmo os coage ou anula o interesse de uma ordem ideal que não é animal, não é vital e física, mas mental, uma criação da busca, por parte da mente, de luz e conhecimento e lei certa e movimento certo e ordem verdadeira. No momento em que essa noção se torna poderosa no homem, ele começa a escapar do vital e material absorventes e aproximar-se da vida mental... É portanto essencialmente um padrão individual; não é uma criação da mente-de-massa. O pensador é o indivíduo; é ele que convoca e dá forma àquilo que de outro modo permaneceria subconsciente no todo humano amorfo. Também o batalhador moral é o indivíduo; autodisciplina, não sob o jugo de uma lei externa, mas em obediência a uma luz interna, é essencialmente um esforço individual. Mas, postulando seu padrão pessoal como a tradução de um ideal moral absoluto, o pensador impõe não sobre si mesmo apenas, mas sobre todos os indivíduos a quem seu pensamento pode alcançar e penetrar. E como a massa de indivíduos vem cada vez mais a aceitá-lo em ideia, mesmo que apenas numa prática imperfeita ou em nenhuma prática, a sociedade também é compelida a obedecer a nova orientação. Ela absorve a influência ideativa e tenta, não com um sucesso notável, moldar suas instituições em novas formas tocadas por estes ideais mais altos. Mas sempre seu instinto é traduzi-los em lei obrigatória, em formas-padrão, em costume mecânico, em uma compulsão social externa sobre suas unidades vivas. 

Porque, muito depois de o indivíduo ter-se tornado parcialmente livre, um organismo moral capaz de crescimento consciente, com a percepção de uma vida interior, ansioso por progresso espiritual, a sociedade continua sendo externa em seus métodos, um organismo material e econômico, mecânica, mais voltada para o status e autopreservação do que para crescimento e autoperfeição. O maior triunfo atual do indivíduo pensante e progressivo sobre a sociedade instintiva e estática tem sido o poder que ele adquiriu, por sua vontade-pensamento, de compeli-la a também pensara abrir-se à ideia de justiça e retidão socialsimpatia comunal compaixão mútua, a tentar compreender, como o critério de suas instituições, antes a regra de razão do que o costume cego, e a considerar o assentimento mental e moral de seus indivíduos como pelo menos um elemento essencial na validez de suas leis. Idealmente pelo menos, considerar antes a luz do que a força como sua sanção, desenvolvimento moral e não represália ou coibição como o objeto mesmo de sua ação penal, está começando a se tornar possível para a mente comunal. O maior triunfo futuro do pensador virá quando ele puder persuadir o todo individual e o conjunto coletivo a assentarem sua relação-vida e sua união e estabilidade sobre um consentimento e auto-adaptação livres e harmoniosos, e a moldarem e governarem a verdade externa pela interna, em vez de constrangerem o espírito interior pela tirania da forma e estrutura externas.

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem

Breve relato de retomada da Perene Consciência Integrativa

Algo interior me move a relatar, expressar e compartilhar com vós, o mundo, a nossa Consciência um relato de experiência... Que está durando até o dado momento no tempo e no espaço. Agradeço aos irmãos que lerem e em vossas mentes meditar sobre a história.

Carta :

Pai e Mãe de toda Vida...

Neste momento no tempo, transfiro de nossa presente Consciência para o papel como uma maneira de entregar-te toda a história do desenrolar da Existência. E, como vós estais Aqui, que teus olhos, ouvidos e mãos de Amor e Compaixão possam Ver, resgatar, reemergir de volta... Retornar, Recordar, Mãe : ''Daquilo''.

Bem jovem, aos 18 anos bem recordo da imensa beleza talvez de uma pontinha do Real. Talvez tenha tocado por méritos de minhas existências passadas o som da tua Luz, por Ti sempre conduzida, em corpo e presença, tão naturalmente como uma criancinha, um Lótus a desabrochar, junto de infinitos outros Lótus, nesta mesma Terra, neste mesmo espaço tempo. Tudo era Tua forma, Tua Voz, tuas bençãos que como um canal, tocava. O coração era um templo infinito, Verde, Sendo... A visão de presente passado e futuro unificados manifestando portais pelo olho interno.

De tanta certeza que essa música da harmonia do Amor Universal jamais pararia de tocar, não soltaria de teu aconchego, não me perderia no meio do Caminho, pois tudo já estava tão claro que nenhum esforço e resistência existiam...  Já estava feito. O manisfesto e imanifesto. Flexível e firme como um bambu, derretendo o Centro na chama da Tua Compaixão um coração amaciado, leve como uma pena no Céu, mantida e sustentada em Tuas mãos.

Em certa noite, aquilo aconteceu. Uma porta, uma brecha mal estruturada invadiu. E cai. Assisti o minha queda, nas dimensões superiores quando o ego jamais poderia penetrar, assim eu estava convicta interiormente. Como uma criança assustada chorei e clamei por dias, prostrada a visão escurecia bem diante do meu ser. Não havia terror maior do que a separação do Universo e do Todo, a ilusão maior... A dualidade. Sentia o corpo do Todo se dividindo, os átomos violeta do Ser se confundindo...

Certa manhã recorria a meu irmão, ministrando Johrei, prostrava-me já dominada pelo terror diante do Mestre no altar de casa.  Enfim, Sentir e vivenciar a separação era o que havia de pior.

Fiquei vigilante. Na noite seguinte, em um plano ''Eu'' estava no Astral. Ali houve uma prova interior. Fui colocada diante de cães raivosos, com um certo frio do medo no coração. De um lado, o desafio da coragem para caminhar por entre os cães, e do outro grande tensão era gerada.

Ali, o Mestre surgiu em Consciência. Seu braço direito, como um Pai forte me seguravam para avançar, subir. Mas, no ultimo suspiro a dúvida se insinuou em minha mente, e do Alto, caí. Novamente assisti minha queda, bem no terreno do sítio onde residia, ali em outros planos, irmãos me acolhiam perguntando o que havia acontecido. Minha voz não saía, a intensidade da experiência era tal que não conseguia expressar o ocorrido.
Teu manto límpido, luminoso como o dourado que me cobria foi invadido por nebulosas nuvens. As vozes ao meu redor já não estavam claras, passavam a influenciar facilmente, pressionar. Desnorteada e cambaleando, fui levando os dias no fundo sustentando uma certa fé que aquilo era impermanente, tentando fazer a mente não se agarrar, as no fundo, a base do apego devido a intensidade do trauma já estava densificando em energia.

Ansiedade, auto cobrança moralista e outras coisas começaram a se manifestar, reforçando o medo. Pois quando recorria aos ensinamentos o que me levava já não era a Criança, e sim o próprio terror. Tudo o que antes era um instrumento de Luz interior, agora o efeito surgia como uma moralidade paternal e punitória. Uma verdadeira prisão para o Coração. 
Suportando, a Dor chegou. A doença, o desalinho cósmico.

Ao longo de 2 anos, Mãe, no curso destes acontecimentos posso recordar de minha memória.

Primeiro, a terra tremeu. As raízes (pernas) da arvore formigavam e ficavam densas.

Em seguida, alguma parte do Coração iniciou agitação. Logo, noutra ocorrência, as tensões elétricas acometiam o pescoço, esquerdo e frontal da árvore.

Depois, era nítido força em todo o lado direito e fraqueza e dor no lado esquerdo.

Da fraqueza, invasões bruscas de susto, vindo do exterior pelas pessoas que estavam ao meu redor(realidade distorcida) rasgando pelo abdome direito. Em formas tão bruscas como sustos, abalos estruturais. ''Eu'' não queria aquilo, mas aquilo acontecia mesmo sem o meu controle.

Quanto mais consciente estava do ataque, mais a repetição do ataque acontecia no ambiente interno.

Dos sustos, a Criança Árvore* recebia raios vindos de cima, irradiando para o coração esquerdo.

A tempestade começou. Muita chuva, vento Calor com vento no alto secando a hidratação e endurecendo o pilar da árvore (força Ancestral)
Perigo na natureza. Os tremores embaixo não davam estabilidade.

No enfraquecimento, a Bexiga perdeu o controle numa ocasião. Assisti a Vesicula obstruindo. I.G perdeu o controle noutra ocasião. Topor e fraqueza acometiam. Pressão vinda do exterior causando rigidez, bloqueio, pescoço curvou-se. Pelos médicos, diagnosticada com Fibromialgia. 

Deste momento, o Universo me levou a um retiro de Vipassana. Na época, residia junto de uma Sangha (comunidade e família). Na época os ensinamentos do Mestre e do Buddha já chegavam para nós, junto do Acesso ao Insight e a Primeira Nobre Verdade: a Verdade do Sofrimento.
Retirei-me por 10 dias em Monteiro Lobato e ali a flor começava a reencontrar uma esperança, uma forma de penetrar e ''re-abrochar''. Sou muito grata a professora Fátima e a todos os irmãos do Centro.

Enfim, hoje tive contato com a Mandala da Roda da Vida e todos os Reinos, sofrimentos e passagens. E ali alguma compreensão da existência me passou, superficialmente, mas passou. Nunca deixei de vagar pelo Samsara. Desde pequena, sempre estive a navegar entre diversos reinos. O que posso recordar é que quando você está'' lá'', você está vivenciando verdadeiramente aquele estado, sem nenhuma artificialidade. Sua Consciência está, naturalmente, naquele estado.

Desta existência, o Caminho para mim se abriu com o Xamanismo, hinduísmo (Yoga). No Xamanismo, e por méritos daquele tempo, agradeço ao Universo por ter Visitado e aprendido com os seres da Lua, e do Sol em Corpo. Por ter visto os raios dos Elohins e Arcanjos abrindo do Alto, como guardiões do Mundo e da Consciência. Todos Eles existem mesmo e estão a trabalhar na Cura e Amor de nossos corpos e consciência. No momento em que Abrir para alguém serão vistos.  Naquele tempo, vivenciei uma prova muito bela. O medo quando se apresentava na Força, virava Amor... Pois estava Presente o suficiente para transmuta-lo sem escolha, por mais embaraçoso que fosse, no meio da floresta. Recordo-me que junto do Medo, O Olho via vários símbolos de religiões embotados na Consciência, todos formas de medos que nós mesmos criamos, e o ato da presença de Ver e testemunhar era como lavar o Mundo com a simplicidade do Amor . Graças por todas essas experiências que hoje compartilho com vós. Vivi um pouquinho, talvez uma fagulha da beleza  do que é o Ser, quando  o Outro é Você e Você é o Outro.  E Tudo É Aquilo. Quando o Som é Você inteiro, quando o movimento inteiro está presente e Uno. 

Quando a qualidade do cuidado com o Todo está lá, você onde quer que vá, estará a serviço do Cosmos. Vi seres criando e co criando juntos diversos reinos maravilhosos. Certa vez, minha mão se alongava para curar outras partes da Vida, outros Seres, como uma Mãe acolhedora. A Consciência via e aquilo já era inteligencia e Amor em ação. Não havia confusão alguma para compreender o mecanismo ilimitado da Consciência Universal que somos. Havia cuidado para com as energias mas era fácil de aprender, pois não havia resistência racional. O Corpo é o Todo a trabalhar pelo próprio Todo. Díficil de pôr em palavras. Quando o tempo para e você só assiste manifestar. Quando o silencio é Vital e o barulho é silêncio luminoso manifesto.

Voltando ao presente e a realidade após essa longa viagem existencial, estou conscientemente, e falando a Verdade, nos reinos inferiores de muita dor e sofrimento. Mente lamenta muito pelo passado, traz muitas memorias a tona, a dor física é forte... Bem como as inúmeras resistências acumuladas pelo pensamento e suas reações . Mas, devo entrar. Devo sentar... E ficar. Não pode ser permanente.

Aqui tenho, os ensinamentos do Mestre, este corpo...e esta Consciência para trabalhar... Não posso desistir.

Relato de Caso.  E agora? ''Continua''.... Observa o movimento...........

Att
Como Aline Pontes Pesci (23 anos, residente da cidade de Santos- SP)

Somos uma espécie em risco de extinção

Para que a humanidade sobreviva, é indispensável uma transformação radical da natureza humana.
Mas não se verificou na experiência, seja o que for que alguma vez se possa ter esperado, que a educação e o treinamento intelectual possam, por si sós, modificar o homem; eles somente proporcionam ao ego humano individual e coletivo melhores informações e uma maquinaria mais eficiente para sua auto-afirmação, mas deixam-no o mesmo ego humano modificado. Tampouco podem a mente e a vida humana ser talhadas para chegarem à perfeição — mesmo àquilo que se pensa ser perfeição, um substituto construído — por nenhuma espécie de maquinaria social; a matéria pode ser assim talhada, o pensamento pode ser assim talhado, mas em nossa existência humana matéria e pensamento são apenas instrumentos para a alma e a força-vida. Maquinaria não pode forma a alma e a força-vida dentro de moldes padronizados; ela pode no máximo coagi-las, tornar a alma e a mente inertes e estacionárias e regular a ação exterior da vida; mas para fazer isto, efetivamente, a coerção e a compreensão da mente e da vida são indispensáveis, e isto de novo significa ou uma estabilidade não progressiva ou decadência. 

Existe a possibilidade de que, no movimento de recuo de uma ideia mecanicista de vida e sociedade, a mente humana possa buscar refúgio num retorno à ideia religiosa e a uma sociedade governada ou sancionada pela religião. Mas a religião organizada, embora possa fornecer um meio de elevação interior para o indivíduo e preservar neste meio, ou por detrás ele, um caminho para sua abertura à experiência espiritual,  não modificou a vida e a sociedade humana; ela não pode fazê-lo porque, no governar a sociedade, comprometeu-se com as partes mais baixas da vida e não pode insistir na mudança interior do ser inteiro; ela pode insistir apenas na aderência a um credo, na aceitação formal de seus padrões éticos e na conformidade com instituição, cerimônia e ritual. Religião, assim concebida, pode dar uma cor ético-religiosa ou uma tintura de superfície — às vezes, se ela mantém um forte núcleo de experiência interior, ela pode generalizar em alguma medida uma tendência espiritual incompleta; mas não transforma a espécie, não pode criar um novo princípio de existência humana. Somente uma direção espiritual total, dada à vida toda e à natureza toda, pode erguer a humanidade acima de si mesma. Outra concepção possível, semelhante à solução religiosa, é o governo da sociedade por homens espiritualmente realizados, a irmandade ou unidade de todos na fé ou na disciplina, a espiritualização da vida e sociedade pelo assumir e transformar a velha maquinaria de vida numa tal unificação, ou inventando uma nova maquinaria. Isto também foi tentando antes sem sucesso; foi a ideia-base original de mais de uma religião: mas o ego humano e a natureza vital eram demasiado fortes para que uma ideia religiosa, trabalhando sobre a mente e através da mente, vencesse a resistência desta. É somente o pleno emergir da alma, a plena descida da luz e poder nativos do Espírito, e a consequente substituição ou transformação e elevação de nossa natureza mental e vital insuficiente por uma supranatureza espiritual e supramental, que pode efetuar esse milagre evolucionário. 

À primeira vista, esta insistência numa mudança radical da natureza poderia parecer afastar toda a esperança da humanidade para um futuro evolucionário distante; pois o transcender de nossa natureza humana normal, um transcender de nosso ser mental, vital e físico, tem a aparência de um esforço demasiado alto e difícil e, no presente, para o homem tal como ele é, impossível. Mesmo que assim fosse, restaria ainda a possibilidade única da transmutação da vida; pois esperar por uma mudança real da vida humana, sem uma mudança da natureza humana, é uma proposição irracional e não-espiritual; é pedir algo não-natural e não-real, um milagre impossível. Mas o que é exigido por esta mudança não é algo completamente distante, alheio à nossa existência e radicalmente impossível; pois o que tem que ser desenvolvido está aí em nosso ser, não é algo fora dele: aquilo para o que a Natureza evolucionária pressiona é um despertar para o conhecimento de si, a descoberta do si, a manifestação do si e espírito dentro de nós e a liberação de seu auto-conhecimento, seu auto-poder, sua auto-instrumentação inata. É, além disso, um passo para o qual o todo da evolução tem sido uma preparação, e que é trazido para mais perto a cada crise do destino humano, quando a evolução mental e vital do ser toca um ponto onde o intelecto e a força vital atingem o auge da tensão e há necessidade ou de sofrerem um colapso, recaírem num torpor de derrota ou num repouso de quiescência não progressiva, ou de abrirem caminho através do véu contra o qual eles estão pressionando. O que seria necessário é que houvesse uma virada na humanidade, sentida por alguns ou muitos, rumo à visão desta mudança, um sentir de sua necessidade imperativa, o sentido de sua possibilidade, a vontade de fazê-la possível em si mesmos e de encontrar o caminho. Essa tendência não está ausente, e deve crescer com a tensão da crise no destino-mundo humano; a necessidade de um escape ou de uma solução, o sentir que não há nenhuma oura solução a não ser a espiritual, só pode crescer e tornar-se mais imperativo sob a premência da circunstância crítica. A este chamado no ser tem que haver sempre uma resposta na Realidade Divina e na Natureza.

Sri Aurobindo em, A evolução futura do homem   

A agressiva e obscura expansão do ego coletivo

A atual crise evolucionária origina-se de uma disparidade entre as faculdades limitadas do homem — mental, ética e espiritual — e os meios técnicos e econômicos à sua disposição.
Presentemente, a espécie humana está sofrendo uma crise evolucionária em que se oculta uma escolha de seu destino; pois foi atingido um estágio no qual a mente humana alcançou em certas direções um enorme desenvolvimento, enquanto em outras ela está parada e confusa e não consegue mais encontrar seu caminho. Uma estrutura da vida externa foi erguida pela mente e vontade vital sempre ativas do homem, uma estrutura de incontrolável enormidade e complexidade, para o serviço de suas exigências e anseios mentais, vitais, físicos, uma complexa maquinaria política, social, administrativa, econômica, cultural, um meio coletivo organizado para sua satisfação intelectual, sensorial, estética e material. O homem criou um sistema de civilização que se tornou grande demais para ser utilizado e manejado por sua limitada capacidade e entendimento mental, e sua capacidade moral e espiritual ainda mais limitada, um servo demasiado perigoso de seu ego vacilante e seus apetites. Porque nenhuma mente de maior visão, nenhuma alma intuitiva de conhecimento, que pudesse tornar essa plenitude básica da vida uma condição para o livre crescimento de algo que a excedesse, veio ainda à sua superfície de consciência. Esta nova plenitude dos recursos da vida, devido a seu poder para uma liberação da incessante pressão insatisfeita das necessidades econômicas e físicas do homem, poderia ser uma oportunidade para a total busca de outros e maiores objetivos que ultrapassassem a existência material, para a descoberta de uma verdade, bem e beleza mais altos, para a descoberta de um espírito maior e mais divino que interviria e usaria a vida para uma perfeição mais alta do ser: mas em vez disso ela está sendo usada para a multiplicação de novas ciências e uma agressiva expansão do ego coletivo. Ao mesmo tempo, a Ciência colocou-lhe à disposição muitas potências da Força Universal e tornou a vida da humanidade materialmente una; mas o que usa esta Força universal é um pequeno ego humano individual ou comunal, com nada de universal em sua luz de conhecimento ou em seus movimentos, nenhum sentido ou poder interior que criaria, nesta conjunção física do mundo humano, uma verdadeira unidade de vida, uma unidade mental ou uma unidade espiritual. Tudo que está aí é um caos de ideias mentais que se chocam, anseios de carência e necessidade física individual e coletiva, exigências e desejos vitais, impulsos de um ignorante ímpeto de vida, ânsias e chamados para a satisfação vital de indivíduos, classes, nações, um rico cogumelo de medicinas e noções políticas e sociais e econômicas, uma azafamada miscelânea de slogans e panaceias pelos quais os homens estão prontos a oprimir e a serem oprimidos, a matar e a serem mortos, a se imporem de uma maneira ou de outra pelos imensos e tão formidáveis recursos colocados à sua disposição, na crença de que esta é sua saída para algo ideal. A evolução da mente e da vida humana deve necessariamente levar a uma crescente universalidade; mas sobre uma base de ego e de uma mente que segmenta e divide, esta abertura ao universal pode apenas criar uma vasta pululação de ideias e impulsos discordantes, uma vaga de enormes poderes e desejos, uma massa caótica de material mental, vital e físico não assimilado e misturado, de uma existência maior que, por não ser erguida por uma luz harmonizadora criativa do espírito, tem que tumultuar-se numa confusão e discórdia universalizada, a partir da qual é impossível construir uma vida harmônica maior. 

Sem uma mudança interior, o homem não pode mais fazer face ao gigantesco desenvolvimento da vida exterior.
Uma vida de unidade e harmonia, nascida de uma verdade mais profunda e vasta de nosso ser, é a única verdade da vida que pode com sucesso tomar o lugar das construções imperfeitas do passado, que formam uma combinação de associação e conflito regulado, uma acomodação de egos e interesses agrupados ou mutuamente encaixados para formarem uma sociedade, uma consolidação pelos motivos-vida gerais comuns, uma unificação por necessidade e pela pressão da luta com forças de fora. É uma tal mudança e um tal remodelar a vida que a humanidade está cegamente começando a procurar, agora cada vez mais com o sentido de que sua própria existência depende de encontrar o caminho. A evolução da mente trabalhando sobre a vida desenvolveu uma organização da atividade da mente e um uso da matéria que não podem mais ser suportados pela capacidade humana sem uma mudança interior. É imperativa uma adaptação da individualidade humana egocêntrica, separativa mesmo em associação, a um sistema de viver que exige unidade, mutualidade perfeita, harmonia. Mas, porque a carga está sendo colocada sobre a espécie humana é grande demais para a presente pequenez da personalidade humana e sua insignificante mente e pequenos instintos-de-vida, porque ela não pode operar a mudança necessária, porque ela está usando este novo aparato e organização para servir ao velho si-de-vida infra-espiritual e infra-racional da humanidade, o destino da espécie parece estar conduzindo perigosamente, como que impacientemente e a despeito dela mesma — sob o ímpeto do ego vital dominado por forças colossais que estão na mesma escala que a enorme organização mecânica da vida e o conhecimento científico que ela evoluiu, uma escala grande demais para ser manipulada por sua razão e vontade — para dentro de uma prolongada confusão e perigosa crise e escuridão de uma violenta incerteza em constante mudança. Mesmo se isso vier a ser uma fase ou aparência passageira, e se for encontrada uma tolerável acomodação estrutural que torne a espécie humana capaz de proceder menos catastroficamente em sua jornada incerta, isto pode ser apenas um adiamento. Pois o problema é fundamental, e, colocando-o, a Natureza evolucionária do homem se confronta com uma opção crítica que deve um dia ser resolvida no sentido verdadeiro, se a espécie deve alcançar seu objetivo ou mesmo sobreviver. 
A exaltação da coletividade, do Estado, apenas substitui o ego individual pelo ego coletivo.
Uma fórmula racional e científica do ser humano vitalista e materialista e sua vida, a busca de uma sociedade econômica aperfeiçoada e o culto democrático do homem comum, são, nesta crise, tudo o que a mente moderna nos apresenta como luz para sua solução. Qualquer que seja a verdade em que se apoiam estas ideias, isto claramente não é suficiente para fazer face à necessidade de uma humanidade que tem a missão de evoluir muito além de qualquer coisa que ela presentemente é. Um instinto-de-vida na espécie e no próprio homem comum sentiu a inadequação e vem impulsionando rumo a uma reversão de valores ou a uma descoberta de valores novos e à transferência da vida para um novo fundamento. Isto tomou a forma de uma tentativa de encontrar uma base simples e pré-fabricada de unidade, mutualidade, harmonia para a vida em comum, de impô-la através de uma supressão do choque competitivo de egos, e assim chegar a uma vida de identidade para a comunidade, em vez de uma vida de diferença. Mas para realizar estes desejáveis fins, o meio adotado tem sido a materialização forçosa e bem sucedida de uma poucas ideias ou slogans restritos, entronados, excluindo todo pensamento diferente, a repressão da mente do indivíduo, uma compressão mecanizada de elementos da vida, uma unidade e ímpeto mecanizados da força-vida, uma coerção do homem pelo Estado, a substituição do ego individual pelo ego coletivo. O ego coletivo é idealizado como a alma da nação, da espécie, da comunidade; mas isto é um erro colossal e pode chegar a ser um erro fatal. Uma unanimidade forçada e imposta, de mente, vida, ação erguidas até sua mais alta tensão sob a impulsão de algo que se pensa ser maior, a alma coletiva, a vida coletiva, é a fórmula encontrada. Mas este obscuro ser coletivo não é a alma ou o si da comunidade; é uma força-vida que se levanta do subconsciente, e, se privada da luz da orientação pela razão, pode ser dirigida apenas por forças maciças escuras, potentes mas perigosas para a espécie, porque alheias à evolução consciente da qual o homem é o depositário e portador. Não foi nesta direção que a Natureza evolucionária apontou a espécie humana; isto é uma reversão rumo a algo que ela deixou atrás de si.

O indivíduo é a chave do movimento evolucionário

É errado exigir que o indivíduo se subordine à comunidade ou se funda nela, porque é através de seus indivíduos mais avançados que a coletividade progride, e eles só podem realmente avançar se forem livres. Mas é verdade que, à medida que o indivíduo avança espiritualmente, ele se descobre cada vez mais unido com a coletividade e o Todo. 
O indivíduo é de fato a chave do movimento evolucionário; pois é o indivíduo que se encontra a si mesmo, que se torna consciente da Realidade. O movimento da coletividade é um movimento-em-massa grandemente subconsciente; ele tem que formular-se e expressar-se através dos indivíduos, para tornar-se consciente: sua consciência-massa geral é sempre menos evoluída que a consciência de seus indivíduos mais desenvolvidos, e ela progride na medida em que aceita o cunho deles ou desenvolve o que eles desenvolveram. O indivíduo não deve sua última obediência nem ao Estado, que é uma máquina, nem à comunidade, que é uma parte da vida, e não a vida toda: sua obediência deve ser à Verdade, ao Si, ao espírito, ao Divino, que está nele e em tudo; não subordinar-se ou perder-se na massa, mas descobrir e expressar essa verdade de ser em si mesmo e ajudar a comunidade e a humanidade em sua busca por sua própria verdade e plenitude de ser, deve ser seu real objetivo de existência. Mas o limite até o qual o poder da vida individual ou da Realidade espiritual dentro dela se torna operativo, depende do desenvolvimento do próprio indivíduo: enquanto for não-desenvolvido, ele tem que subordinar de muitas maneiras seu si não-desenvolvido ao que quer que seja maior do que esse si. À medida que se desenvolve, ele se move rumo a uma liberdade espiritual, mas esta liberdade não é algo inteiramente separado da existência-de-tudo; ela tem uma solidariedade com esta, porque esta também é o si,  o mesmo espírito. À medida em que ele se move rumo à liberdade espiritual, move-se também rumo à unidade espiritual. O homem espiritualmente realizado, o homem liberto, se preocupa, diz a Gita, com o bem de todos os seres; Buda, descobrindo o caminho do Nirvana, tem que voltar para abrir esse caminho àqueles que ainda estão sob a ilusão de seu ser construtivo em lugar de seu ser real — ou não-ser; Vivekananda, atraído pelo Absoluto, sente também o chamado da disfarçada Divindade na humanidade, e mais do que tudo o chamado do caído e do sofredor, o chamado do si para o si no corpo obscuro do universo. Para o indivíduo despertado, a realização de sua verdade de ser e sua libertação e perfeição interiores devem ser sua busca primeira — em primeiro lugar porque esse é o chamado do Espírito dentro dele, mas também porque é apenas pela libertação e perfeição e realização da verdade do ser que o homem pode chegar à verdade do viver. Também uma comunidade aperfeiçoada pode apenas existir pela perfeição de seus indivíduos, e a perfeição pode somente vir cada um descobrindo e afirmando na vida seu próprio ser espiritual, e todos descobrindo sua unidade espiritual e uma resultante unidade de vida. 

Sri Aurobindo em, A evolução Futura do Homem 
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey