Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Relato de um confrade agraciado e agradecido

Estava sozinho como de costume, e sempre mergulhando nos ensinamentos de Jiddu Krishnamurti. Assistia aos videos e lia alguns textos virtuais. Além disto acabara, por pouco tempo, de conhecer a página dos pensadores compulsivos juntamente com seus áudios.

Era um tempo alegre, pois a busca me trazia certa alegria. No entanto a dor permanecia, estava desiludido com todo o mundo. Nada mais fazia sentir. Estava desprendido de qualquer tipo de relação estreita ou familiar e de amizade. O trabalho estava largado, deixado a deriva. Não fazia parte de nenhuma crença organizada há um bom tempo.

Permanecia sozinho, pois só isto bastava para seguir seriamente e com muita paixão. A busca me puxava, fazia eu acordar pela manhã, e tirava o meu sono.

Era um tempo difícil mas, muito alegre. Já difícil de explicar.

Queria a verdade, pois o mundo já tinha mostrado a cara. E era isto que fazia eu praticar tudo o que eu aprendia.

Num dia de fim de semana, com um céu de poucas nuvens. Estava eu, ainda sozinho a refletir, meditar, observar e contemplar sobre o tapete de um ensinamento específico de Krishnamurti - a palavra não é a coisa.

Já estava com a verdade, mas ainda não tinha esta visão.

Na varanda, tinha-me um pequeno pedaço de céu, uma árvore ao lado, com lindas flores vermelhas, um cachorro, e ao longe alguns topos de outras árvores.

Então o processo se mostrou intenso:

Olhei para o céu e pensei: a palavra céu não é céu. Ela não diz sobre o que vejo, não trata do infinito. Se eu digo céu, uma pessoa pode imaginar um todo estrelado, já outra pessoa pode ter como um céu azul, ou nublado, enfim.

Olhei para a árvore e pensei: a palavra árvore não é o que vejo, pois eu chamo isto de árvore, mas o indiano chama de outra coisa, o japonês de outra, o índio de outra..., e no entanto a coisa está aqui, frente à mim.

Olhei para o cachorro, e pensei: o cachorro não tem nada haver com a palavra cachorro, pois a palavra cachorro não expressa o que vejo agora.

Olhei para o nada e pensei: a palavra deus não é deus porque não alcança o real significado do que é.

Quando eu ia voltar a palavra a mim, e continuar o processo... Bummm!!!

De repente, do nada..., eu, o cachorro, a árvore, os topos das árvore, e tão logo tudo ao meu redor, todo o meu entorno, até mesmo as coisa que eu não enxergava, e rapidamente todo o universo, era a mesma Coisa.

Eu mesmo já não existia mais, e juntamente comigo tudo, absolutamente tudo, não existia mais. Era o amor, a paz, e o infinito no mesmo lugar. Uma energia fora do comum.

Depois de pouquíssimo tempo, coisa de segundos, entre os cinco, eu estava de volta. Andando rápido de um lado para outro, já dentro de casa, com a mão na cabeça, me perguntando: — O que foi isso, o que foi isso, meu deus o que foi isso?! E logo já estava chorando muito, como nunca antes. Era o choro mais profundo que se pode ter (ainda choro, até hoje, e agora tenho meus olhos encharcados por relembrar...). Caí no chão, ainda num choro de soluçar. A cabeça já estava de volta, mas tinha nela uma energia profunda de culpa, dizia-me que eu não era digno de receber uma graça daquela, que Aquilo poderia acabar com todo o sofrimento da humanidade, que eu não era um merecedor. Já estava em estado de compaixão profunda. E ainda no chão passei quase meia hora chorando (nunca imaginei que pudesse existir Aquilo, nunca ouvira antes alguém tratar disto).

Então me levantei, ainda chorando, e escrevi num pedaço de papel: é preciso saber que não és Nada, para veres que és Tudo.

Passei anos procurando por pessoas que tiveram aquilo também. Encontrei-me com a inveja alheia, a mentira, e ironia de muitos. Graças ao nome do universo, pude encontrar com Deca e Out, que tiveram o mesmo, e me ajudam muito a poder caminhar, seguir em frente! 

Grato Deca, grato Nelson! Não me canso de agradecer-lhes, ainda.

(por conta desta experiência, digo aos demais confrades que pratiquem, exercitem tudo o que aprendem, mas de forma intensa e, principalmente com muita seriedade e paixão, pois não há outra coisa a se fazer neste lugar, neste mundo)

Um confrade agraciado e agradecido
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey