Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Quem sou eu? Qual é meu eu real? Qual é minha identidade fundamental?

É muito provável que a incógnita de quem somos tenha atormentado a humanidade desde o início da civilização e continue sendo, hoje em dia, um dos mais inquietantes de todas as interrogações humanas. As múltiplas respostas que tem se tratado de dar para esta pergunta vão desde o sagrado até o profano, dese o complexo até o simples, desde o científico até o romântico e desde o plano político até o individual. Mas em lugar de deter-nos a examinar as multidão de possíveis respostas para esta pergunta, vejamos o processo específico e básico que tem lugar quando uma pessoa trata de responder as seguintes interrogações: "Quem sou eu?" "Qual é meu eu real?" "Qual é minha identidade fundamental?"

O que é que fazemos quando alguém nos pergunta "Quem és tu?" e tratamos de dar-lhe uma resposta mais ou menos detalhada, racional e sincera? O que é que passa por nossa cabeça quando fazemos isto? Em certo sentido, estamos descrevendo nosso ser tal como o temos conhecido, incluindo em nossas descrições a maior parte dos fatos importantes, bons ou ruins, dignos e indignos, científicos ou poéticos, filosóficos e religiosos que consideramos consubstanciais a nossa identidade. O leitor, por exemplo, poderá descrever-se como "Eu sou uma pessoa única, um ser dotado de certas capacidades. Sou amável, porém, ás vezes também sou cruel; sou uma pessoa bondosa, mas em certas ocasiões também sou hostil. Sou pai e advogado. Gosto de pesca e basquetebol..." E a lista poderia seguir e seguir incluindo tudo o que sente e pensa. 

O que ocorre, sem dúvida, quando tratamos de estabelecer uma identidade, é algo todavia mais básico porque, quando tratas de responder a pergunta "Quem sou eu?", quer dizer, quando tentas descrever, explicar ou inclusive limitar-te a sentir internamente quem és, o que na realidade estás fazendo, o saibas ou não, é traçar uma linha ou fronteira mental que atravessa todo o campo de tua experiência. E o que permanece dentro dessa fronteira o chamas e o percebes como "eu" e o que permanece do lado de fora dela o percebes e o consideras como "não eu". Nossa identidade, dito em outras palavras, depende fundamentalmente do lugar em que traçamos essa linha. 

Tu não és uma cadeira, senão um ser humano e o sabes porque, de manira consciente ou inconsciente, tens traçado uma linha que separa os humanos das cadeiras e reconheces tua identidade com os primeiros. Quem sabe acredites que és uma pessoa muito alta, o que evidenciará que tens traçado uma linha mental que separa as pessoas altas das baixas e que se se identifica com aquelas. Você chega a perceber que "eu sou isto e não aquilo" depois de haver traçado uma linha que separa "isto" de "aquilo" e de haver reconhecido sua identidade com "isto" e não com "aquilo".

De modo que quando dizes "eu" traças uma linha que separa o que és do que não és, e quando tratas de responder a pergunta "Quem sou eu?", te limitas a descrever o que fica do lado de dentro dessa linha. O que habitualmente chamamos de crise de identidade, aflora quando não sabes como nem onde traçar a linha. Perguntar, portanto, "Quem és tu?" significa perguntar "Onde estabeleces a fronteira?"

Todas as respostas para a pergunta "Quem sou eu?" derivam-se precisamente deste procedimento de traçar uma linha separando o eu do não eu. E uma vez esboçadas as fronteiras gerais , as respostas para essa pergunta podem ser muito complexas — científicas, teológicas, econômicas, etc. — o seguem sendo muito simples e imprecisas mas, em qualquer um dos casos, a resposta depende do lugar em que estabeleces essa linha fronteiriça. 

O mais interessante é que esta linha divisória não é fixa e sim móvel. Em certo sentido, a pessoa pode voltar a cartografar sua alma e talvez então descubra nela territórios que jamais havia acreditado ser possíveis, alcançáveis nem desejáveis. Como já temos visto, a forma mais radical de refazer o mapa ou de modificar a localização da linha limítrofe tem lugar durante a experiência de identidade suprema em que a pessoa expande as fronteiras de sua identidade até chegar a abarcar a totalidade do universo. Poderíamos inclusive dizer que, em tal caso, se desvanece por completo a fronteira porque, quando se identifica-se com "a totalidade harmoniosa", já não há dentro nem fora e, portanto, não há lugar algum onde traçar a linha. 

Ken Wilber em, A Pura Consciência do Ser
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey