Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A mente iluminada — o Espírito puro

Muitas são as metáforas poéticas que tem sido empregadas para se referir a Isto, tais como Consciência sem objeto, Eu puro que vê sem poder ser visto, Testemunha equânime ou Mente-espelho na qual se reflete todo espaço, e Vacuidade resplandescente, que é a totalidade do Cosmos. Em qualquer dos casos é, desde o mesmo começo, o grande EU SOU, o Único sem segundo, a Natureza de todas as naturezas, a Condição de todas as condições e o descobrimento da Grande Libertação que conduz a um reino mais além da morte e da mortalidade, da finitude e da dor, do sofrimento e da separação, das lágrimas e do terror. 

Porém, estas não mais do que despojadas palavras, como todas as palavras, de sangue e de coração. Escuta-me queridos amigos, e tratem de ir mais além das palavras:

Como pode encontrar-se o Abismo da Grande Libertação? Jamais poderá encontrar-se, porque este jamais esteve perdido. A Testemunha pura e sem forma é o único que nunca faltou, a única constância do Cosmo. O segredo evidente e único que conheces desde mais de quinze milhões de anos e que, antes disso, conhecias desde toda eternidade, não é outro que teu Rosto Original, o rosto que tinhas antes do Big Bang. Gostarias de vê-lo? Queres realmente vê-lo? Aqui e agora mesmo? Estas são as instruções que, para isso, deu-me um amigo muito querido:

Deixe que tua mente relaxe. Deixe que se relaxe e se expanda até fundir-se com o céu que te rodeia. Então, dá-te conta de que as nuvens flutuam no céu e de que és consciente delas. Os pensamentos flutuam na mente e também te dás conta deles. A natureza flutua, os sentimentos flutuam, os pensamentos flutuam... E tu és consciente de tudo isso. 

Agora diga-me: Quem és tu? 

Tu não és teus pensamentos, porque te dás conta deles; não és teus sentimentos, porque te dás conta deles e tampouco és qualquer dos objetos que podes ver, porque te dás conta deles. 

Algo em ti se dá conta de todas as coisas. Diz-me: o que é que há em ti que seja consciente de tudo? 

O que há em ti que agora mesmo está desperto? O que há em ti que sempre está completamente presente? O que há em ti que agora mesmo seja consciente sem realizar esforço algum de tudo quanto acontece? 

Não reconheces por acaso essa infinita consciência testemunha? Quem é essa Testemunha? 

Tu és essa Testemunha, não é assim? Tu és o Vidente puro, a Consciência pura, o Espírito puro que contempla com equanimidade tudo o que surge de instante em instante. Tua consciência espaçosa, aberta, vazia e cristalina que registra tudo que aparece. 

Essa mesma Testemunha é o Espírito interno contemplando o mundo que criou. Vê mas não pode ver-se, ouve porém não pode ouvir-se e sabe mas não pode ser conhecido. És o próprio Espírito que vês com teus olhos, fala com teus lábios, ouve com tuas orelhas e toca com tuas mãos. Quando reconhecerás este simples segredo e despertarás do mais angustiante dos pesadelos? 

Se podes ver as palavras escritas nesta página, o Espírito está completamente presente, olhando através de teus olhos. 

Se podes sentir o livro que sustentas entre as mãos, o Espírito está completamente presente sustentando o mundo em suas mãos. 

Se podes ouvir o canto desse pássaro, o Espírito está completamente presente escutando essa canção. 

Não podes ver esse Espírito, porque é Ele que está olhando, não podes ver esse Espírito, porque é Ele que está percebendo e não podes descobrir esse Espírito, porque é Ele que realiza todos os descobrimentos. Se entendes isto, será o Espírito quem o entenda e, se não o entendes, também será o Espírito quem não o entenda. O entendas ou não, esse é o Espírito. 

Este é o surpreendente segredo último que lentamente começa a emergir: a mente iluminada — o Espírito puro — não é difícil de alcançar, senão impossível de evitar. Acreditas por acaso que seria possível estar sem esse Espírito que agora mesmo está lendo está frase?

Mostra-me o rosto que tinhas antes do Big Bang e te mostrarei o Espírito de todo o Cosmos. Esse Espírito puro, eterno e sem forma: tu... és... ISSO.

Então ocorre uma coisa muito estranha porque, descansando no Eu puro, morando como Testemunha atemporal e avisado que as nuvens flutuam na imensa amplitude da Vacuidade que é tua própria consciência onipresente, não é possível encontrar a Testemunha. O Vidente se desvanece em tudo o que vê e jamais volta a apresentar-se como uma entidade separada e separatista. Então é quando sujeito e objeto se desvanecem em Um Só Sabor, uma Presença que carece de interior e exterior. Então o Mistério último impregna a totalidade do cosmos com uma certeza tão evidente que resulta incrível, demasiado próximo para poder vê-lo, demasiado presente para poder alcançá-lo e demasiado imediato para poder avisá-lo. 

O Vidente se desvanece no que é visto, que se vê a si mesmo eternamente. Já não vejo as nuvens, porque sou as nuvens; já não escuto a chuva porque sou a chuva; já não posso apalpar a terra, porque sou a terra; já não posso escutar o canto do pássaro, porque sou o pássaro, porque no resplendor brilhante de Um Só Sabor onipresente, sou o canto do pássaro. Se aparece a natureza, sou isso, e se a natureza desaparece, também sou isso. Se aparece Deus, sou isso, e se Deus morre, também sou isso. Eu sou os terroristas e o crime imperdoável que levam em seus corações, sou as vítimas das Torres Gêmeas sobre as as quais lançaram seu espantoso ataque, sou o amor que jaz nos corações de quem respeitam e o ódio das almas desapiedadas dos que massacram aos demais sem experimentar remorso algum.

Precisamente porque não sou isso nem isto, sou completamente isso e completamente isto. Mais além da natureza, sou a natureza; mais além de Deus, sou Deus; mais além de todo Cosmos, sou todos e cada um dos gestos do Cosmos. Estou presente na dor e também no amor; respiro no meio da morte e me movo livremente no meio do sofrimento. Em 11 de setembro de 2001 ataquei-me a mim mesmo num longínquo canto da galáxia, num planeta insignificante que não é mais que um montante de pó num longínquo canto do universo manifesto, um mero sulco no desenvolvimento do que sou. E nada disso me afeta nem um pouco, por isso estou totalmente destroçado, grito sem cessar, experimento uma tristeza e um desespero infinitos que torna insignificante todas as galáxias, o canto de meu coração desata as monções e me afogo nessa tortura.

Profundamente trivial e sumamente importante, tudo é o mesmo. No universo de Um Só Sabor, não há diferença alguma entre os átomos e os deuses, o menor insulto é idêntico ao maior; sou indescritivelmente feliz em cada ato de tortura e me sinto incomparavelmente triste em cada ato bondoso. Desfruto com a dor e desdenho o amor. Minhas palavras te confundem? Ainda estás preso no mundo dos opostos? Devo por acaso seguir acreditando no absurdo dualista que o mundo toma como realidade? Vítimas e assassinos, bons e maus, inocentes e culpados, amor e ódio? Nós atravessamos a vida errando de sonho em sonho!

O amor está em teu coração? Estás preso numa ilusão! Tua alma sente compaixão? Desperta! Estás perdido perguntando-te o que deves fazer, o que é que isso significa, como deves responder, onde tens que buscar o amor, como expressar a compaixão, imprudentemente vagando sem noção de um oposto a outro preso num interminável sonho que carece de realidade! Deixe que a Espiral faça o que deve com todos esses assuntos e diz-me: podes mostrar-me, exatamente aqui e agora, teu verdadeiro Rosto Original? Quem é consciente de querer amar? Quem é consciente da dor que tem gerado esses ataques? Quem é consciente de querer exercitar a compaixão?

Quem é consciente de todos esses objetos? Esquece esses objetos e mostra-me teu EU, e então te mostrarei o Cosmos.

Ken Wilber em, A demolição do World Trade Center
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey