Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Sobre a crise religiosa atual

A crise religiosa que estamos atualmente atravessando provém do quebrantamento que tem sofrido a confiança na justiça divina.

É ao menos um paradoxo que um cristão possa perder a fé ou que possa duvidar da justiça divina pelo simples fato de que o mundo não funcione segundo suas próprias razões. Não vem ao caso da fé cristã o crer, segundo revela Jesus Cristo, na Realidade divina que vence a morte, o sem-sentido e a solidão do homem? Por acaso a crise do nosso tempo significa outra coisa? Não deveriam conduzir o homem a descobrir novas doente de fé que brotem sem ter que excluir as catástrofes de sua existência, e sem que desmoronem as crenças da infância? Não deveria, quem sabe, que provocar o homem para que deste modo entre em sua “maturidade espiritual” e possa escutar ao “consolador”, ao espírito da verdade em si mesmo? (São João). As graves desordens e as sacudidas pelas quais estamos atravessando não são, quem sabe, uma chamada única ao homem para que entre em si mesmo e escute com atenção o que dita sua secreta voz interior com respeito a realidade aparente de um mundo que sofre, e o que lhe revela em relação com aquela Realidade que não é deste mundo, mas que vence toda sua desolação?

“Eu não creio, senão, em minha própria experiência!” Esta exclamação, cada vez mais frequente, brota do coração de quem tenha perdido a fé; não expressa somente um desafio, senão, sobretudo, o desespero. Um desespero que de ser consequente consigo mesmo contém no fundo uma grande oportunidade. Se o homem está realmente aberto para a sua experiência íntima, terá também a suficiente força para poder desatar os laços — de que é prisioneiro — de um racionalismo estéril e de uma crença que, em vez de havê-la vivido em palavras e nas imagens tradicionais, terminou com elas petrificado. Ali onde vivi sua experiência interior, perceberá uma luz que iluminará seu espírito humano. Porque nele está a fonte sagrada de seu Ser, o homem tem a possibilidade de viver a experiência interior, de sofrer metamorfoses, assim como despertar aquelas forças que são o testemunho de uma realidade mais profunda do que a que reflete o edifício de seu próprio espírito.

O homem pode descobrir nele aquela Realidade, que se desejar ser penetrado por ela, lhe libertará do temor da morte, fazendo-lhe suportar o que era insuportável para sua razão, e na medida em que se encontre na solidão, liberar nele uma misteriosa presença de amor. Aquele que vive uma experiência assim, pode com todo direito dizer que em seu Ser profundo, e no senso de sua dura existência cotidiana, vive um espírito salvador. Preside algo que, em humildade, quase nem se atreve expressar com palavras, e que de nomeá-lo, seria como que a presença nele de um sopro do espírito divino.

O que o homem crente entende por “espírito divino”, aprende pela revelação das Sagradas Escrituras. Quem tenha perdido a fé, porém, continua sobre o influxo da “inquietude sagrada” e sempre que possa levar a sério sua experiência pessoal interior, se sentirá sempre, novamente, elevado por cima da desolação, da falta de sentido e da solidão.

Não se tem então só o direito, senão o dever, de recorrer ao vasto campo do autêntico espírito religioso pré e pós-teológico, para poder chegar às fontes ocultas da verdadeira Vida.

Em todo tempo e lugar tem havido homens que, bebendo desta fonte viva, estão nascendo para um Nono Nascer; este renascimento os têm transformado na raiz, às vezes graças a uma nova fé que brota da experiência e graça que encontram novamente em Deus, havendo-se aberto ao amor. O caminho que segue está fé tem necessariamente que passar pelos recessos do espírito humano; é o fracasso nesse campo o que faz do homem consciente e maduro, permitindo-lhe assim ouvir, em si mesmo, o espírito da Verdade.


Karlfried Graf Dürckheim, O Despontar do Ser - Etapas de Maturação
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey