Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O despertar é uma coisa instantânea

Gostaria de começar por onde você nasceu.

Responder-lhe isso seria ir contra tudo o que explico. Ninguém nasceu.

Ninguém nasceu? Como assim?

É assim.

Mas estamos aqui, de alguma forma.

Enquanto consideramos que somos um corpo, também haveremos de morrer.

Onde nasceu seu corpo?

Na Europa Central.

Desde pequeno você sentiu uma grande necessidade de conhecer a si mesmo?

Sim, desde pequeno.

O que aconteceu quando sentiu essa inspiração?

Primeiro, busquei a solução no mundo, nos objetos e nas situações.

Em seguida viu que no mundo não estava a solução?

Não, não vi tão rapidamente. Tive que buscar durante muito tempo nos objetos e nas situações deste mundo.

Os objetos e as situações pareciam muito reais, não é verdade?

Sim.

Tudo está muito bem montado, para que pareça real.

Finalmente me dei conta de que, quando eu estava desfrutado do objeto, não eram reais nem o objeto nem eu mesmo. Somente era real a alegria.

Quem é que estava desfrutando?

Não há ninguém que desfruta. Somente está a alegria.

Não há ninguém em nenhuma parte?

No momento da alegria e da liberdade, não existe outra coisa que a alegria e a liberdade. Não há dualidade.

Quem é Deus?

Deus é um conceito.

Mas se deixamos de lado o conceito... que existe? Quem existe?

Deus não existe. Deus é.

Pode-se conhecer Deus?

Temos que nos libertar da ideia de ser uma pessoa. No momento em que nos liberamos de acreditar que somos uma identidade pessoal, damos lugar para que Deus surja.

O desejo de nos liberarmos de nós mesmos, não implica em passar de um conceito para outro conceito?

A ausência da ideia de ser um alguém lhe deixa num estado totalmente livre.

Você ama a Deus?

Se eu lhe disser que sim, estaria lhe dizendo que existe uma dualidade entre Deus e eu.

Se sente satisfeito de ser que é?

Sinto-me feliz.

Você é feliz sempre, ou só algumas vezes?

Sou sempre feliz. Eu “sou” e isso não é nenhum estado. De um estado se entra e se sai. E nesta alegria não há espaço para o conceito de ser uma pessoa feliz.

Eu vejo, pela rua, que muitíssima gente não é feliz.

E qual é a causa disso? Não é outra coisa do que se sentir separado. Há que se ser si mesmo na unidade.

Que se pode fazer por eles? Que se pode fazer para evitar essa separação?

Primeiro você tem que ser você mesmo. Não tem que tratar de ajudar aos demais enquanto você mesmo necessita de ajuda.

Você necessita de ajuda?

Não.

Tem medo da morte?

Não. Além do mais, já lhe disse que a morte não existe.

Bem, mas... Essa coisa que nós conhecemos como morte, essa coisa que ocorre com o corpo quando a vida se vai... O que significa para você?

Uma mudança. Tudo está mudando, constantemente. Quando se vai um pensamento, vem outro. A mudança é sempre constante.

Temos motivos para estarmos contentes? Temos motivos para ter fé no futuro?

O futuro não existe.

Modificarei a pergunta: Temos motivos para sermos felizes agora?

Sim. Mas o que ocorre é que não aceitamos, estamos sempre recusando essa felicidade

Temos medo?

Sim.

De que temos medo?

Temos medo de perder a ideia de acreditar numa identidade pessoal.

Quanto gostamos dessa ideia de nós mesmos?

Trata-se de uma espécie de mal costume, uma ideia acumulada e alimentada pela sociedade.

Esta vida é um sonho, de verdade?

Sim, é um sonho.

Mas é um sonho tão verdadeiro que parece real, não é assim?

Sim. Assim, se você está sonhando que é um mendigo, você nesse momento é um mendigo. Se você sonha que é um rei nesse momento está sendo um rei. Somente deixará de ser rei ou mendigo quando você despertar e comprovar que tudo isso é um sonho.

Então, isso é nossa vida?

Olha, o fato de você acreditar que está aqui nesta casa fazendo-me perguntas e ouvindo minhas respostas... isso é um sonho. E é um sonho não mais real do que o que  você podia ter a noite em sua cama, enquanto descansava.

Então, o que se pode fazer?

Não se pode fazer nada. Mas no momento em que você se der conta que não pode fazer nada, há uma parada, ocorre algo, se produz um despertar à realidade.

Se você visse um homem na beira de um penhasco, próximo de se jogar abaixo, o que você faria?

Não posso lhe dizer.

Não pode me dizer?

Não.

Por que não pode me dizer, vejamos?

Porque esta situação não está acontecendo agora. Não se podem examinar as ações que não ocorreram. As ações surgem a cada instante. Não se pode codificar a moral.

Você teve um mestre?

Sim, tive um mestre que vivia na Índia.

Ainda vive?

Não.

Tem um mestre agora?

Não.

Você é um mestre?

Há circunstâncias em que posso cumprir a função de um mestre. Porém, não quero restringir-me ou limitar-me a ser um mestre.

O amor existe neste mundo?

Sim, não há nada a mais que o amor.

Não é tudo nesta vida algo assim como uma ação teatral, uma espécie de representação cênica?

Sim. E nosso papel é permanecer na sala comodamente instalados, e observar o que acontece. E não cair na tentação de subir no cenário e nos colocar a atuar ou interpretar.

O amor de que temos falado, esse amor a que nos referimos há momentos, é muito grande?

Não é grande nem pequeno. É amor.

Para mim me dá a sensação de que tem que ser muito grande.

Nesse caso, é que em você há uma referência a algo pequeno. E está, então, objetivando o amor. O amor objetivado não é amor. É como quando vemos a lua refletida na superfície de um lago. O que estamos vendo não é a lua, senão um reflexo.

E não é assim como ocorre na vida? Tudo que nos rodeia não é como que um reflexo de algo muito mais real?

Sim, as formas encobrem a realidade.

Você gosta desta conversa que estamos tendo, eu e você?

Sim, gosto desta conversa que mantemos. E, além do mais, eu posso sentir amor por você.

Sabe se eu também sinto amor por você?

Inevitável. Não pode fazer outra coisa.

Há muito sofrimento no mundo. Diga-me algo a respeito do sofrimento.

O sofrimento, se o observa bem, não é mal em si. Se você sofre e interpreta bem esse sofrimento, isso criará para você uma libertação.

O sofrimento é necessário?

Não, eu não digo que seja necessário. Mas, desde o momento em que aí está, é indicativo de algo.

Sofrer é triste e desagradável.

É triste e desagradável para a pessoa. Sim.

Eu às vezes sou muito feliz, e sem dúvida, por vezes também tenho medo. O que é isso?

O que teria que ver é o que precede ao sentimento de medo.

Eu não sei como se faz isso.

Se lhe dói o fígado, deve observar a que obedece isso. O melhor é que você deve ter comido em demasia. A isso é que me refiro. Há que se saber viver com tudo o que nos rodeia, com nossos pensamentos. Há que ser cada vez mais consciente, na vida. Sobretudo, não há que se tratar de mudar a vida. Nós não podemos modificar a vida. A vida se modifica na medida em que aumenta nossa compreensão da vida.

 Não entendo essa frase.

A compreensão da vida é a mudança. Se alguém quer modificar, então, permanece trancado num circulo vicioso da memória e do passado.

Está cometendo um erro essa pessoa que não gosta de si mesma e pretende estabelecer mudanças em sua existência?

Sim, um erro. Não há que procurar nada.

Então, não há nada que fazer?

Não há nada que fazer.

Estamos muito longe do despertar?

Estamos despertos apenas nos objetos. Nós estamos dormindo.

Repito: estamos longe do despertar?

Não estamos nem longe e nem próximos.

Quando terminará este sonho? Sou consciente de que repito esta pergunta pela terceira vez.

O problema do despertar não tem nada a ver com o tempo. Podemos despertar num só instante.

Isso é certo?

Sim, é verdade. O despertar é uma coisa instantânea.

Você já despertou?

Sim, num só instante.

Pode me ajudar a despertar?

Sim.

Faça-o.

Escute: dois cientistas estão trabalhando num laboratório. Um deles faz a descoberta. Então, transmite essa descoberta ao seu companheiro. Explica-lhe todas as combinações que fizeram com que chegasse a determinado resultado. Seu companheiro deve aceitar o que lhe diz, deve ter confiança no que está recebendo. Mas ele está recebendo uma informação de segunda mão. Para que esta pessoa tenha uma informação de primeira mão, deveria atravessar e passar pelas mesmas etapas pelas quais passou o primeiro cientista.

Não quer me ajudar. Não quer me dar a fórmula encontrada em seu laboratório.

Sim, quero dar-lhe, sim. Vamos ver, para quem lhe parece estar ocorrendo esta situação que estamos vivendo?

Para mim.

Quem é você?

Uma consciência que está observando algo, uma consciência.

Quando esta situação que você agora está observando terminar, onde estará a sua Consciência?

Haverá abandonado esta casa e estará passeando abaixo das árvores.

O que demonstra que a sua Consciência está fora da situação. Sua Consciência é como uma tela e as situações são as imagens que se projetam sobre ela. As situações modificam, porém a tela não modifica. A tela nunca é afetada pelas imagens. A tela é a realidade. A tela é a alegria, o amor, a liberdade.

Posso seguir em frente contente? Então, tudo está bem?

Pode ir contente. E seja corajoso e não tire conclusões. Tirar conclusões é uma função mental. O que temos falado aqui irá encontrando em você distintos ecos. E um dia, você despertará na compreensão. E, então, será você mesmo compreensão.

Era absolutamente indispensável que eu e você tivéssemos nos encontrado?

Não há azar na vida. Não se pode considerar o problema do indispensável nosso cérebro está condicionado para indicar passado, presente e futuro. Mas isso é somente uma função em nosso cérebro. Não existe passado, presente e futuro. Somente existe o estado do presente. O que se manifesta nesta tripla vertente é somente o presente.

Muito agradecido.

Entrevista com Jean Klein, realizada por José Mª Mendiola
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey