Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O despertar do Ser

[...]O homem de nosso tempo tem muita dificuldade em reconhecer que a natureza, tal como hoje a conhecemos enquanto trama de fatos e causas, não existia assim no princípio. Estamos ainda sob o influxo do entusiasmo que marcava os primeiros descobrimentos que havia nos levado de experiência em inexperiência, de observação em observação. Aquele passo é a origem de uma nova representação da realidade, que não só governa o mundo da técnica, senão que determina todas as nossas categorias no pensar, na visão, na concepção de mundo e da vida. E rege não somente nossa atitude com respeito aos fatos naturais objetivos, senão também, com tanta ingenuidade como orgulho, o mundo dos valores, a realidade humana, a revelação divina. Ao transpassar a fronteira que distingue o mundo natural do mundo espiritual, torna-se problemático o valor do que a Realidade representa. E isso porque se fez evidente que o homem, ao alcançar o topo de sua pretendida autonomia de ação e de pensamento no mundo considerado como puramente natural, descuidou de sua supranatureza, chegando ao limite do afastamento de Deus. Problemático, por outro lado, porque o conceito de “experiência” que deveria ser a pedra angular do verdadeiro conhecimento, já não alcança a considerar seriamente as mais profundas e pessoais experiências humanas. De fato, tais experiências se suplantam por um experimentar que possa ser registrado e medido. Com respeito ao conhecimento baseado em aparatos, o homem acaba definido como “fonte de erro”. Sem dúvida, a realidade — descoberta pelo tempo que toca a seu fim — se revela cada vez mais como realidade na qual é possível existir em como seres condicionados, mas não no viver na plenitude de nossa humanidade.
Uma vez que o homem despertou seu olhar interior, dá-se conta que o conteúdo de uma experiência marca o começo de uma nova vida.

Abrir-se para essa “experiência” é a virada decisiva na vida humana, supondo o começo da metanóia, ou Grande Conversão. Quem de uma vez tenha “compreendido” seu ser essencial, compreendido com isso que toda nossa existência está impregnada pelo SER (sem que se coloque no fundo deste ordenamento racional de nossa vida outra coisa que não seja o Ser, refletindo-se através do centro de nosso eu racional), se sentirá prontamente cheio de assombro (na medida em que admite o que sente) porque, de pronto, o SER, essência de tudo, brilha em toda sua existência.

O principio fundamental de nossa consciência ordinária é de dualidade, que parte da oposição sujeito/objeto, e que em sua significação humana representa sempre a forma dualista com a qual o Grande Uno se apresenta diante do olhar do homem, depois de havê-lo passado pelo prisma de sua consciência racional. Para o homem, o raio de luz do SER se apresenta sob a forma de opostos e de relações. Se for despertado o olhar interior, bem além da dualidade, o homem poderá contemplar a luz primária.

Através do véu de nossa visão racional, quebra-se a luz do Real, transformando-a numa visão distinta, igualmente como a luz do sol que alcança a chuva forma um arco-íris. Se o homem se conscientiza do sol, compreenderá o arco-íris de maneira diferente. Mas aquele que tenha a coragem dar as costas ao arco-íris, verá o sol. O homem sente em si mesmo e em seu mundo, a promessa de uma Realidade que se oculta ali onde se origina seu desenvolvimento racional.

É assim que se inaugura um tempo de novas descobertas: colhendo novos conhecimentos relativos ao que é autenticamente humano, o homem se liberta de um conhecimento exclusivamente científico, que lhe havia reduzido a não ser ele mesmo, senão um objeto. Abre-se à observação incorruptível. Trata-se agora de descobrir a autêntica Realidade do homem e da vida que lhe havia sido dada, partindo de seu ser transcendente, quer dizer, de abrir-se à Realidade que corresponde àquele e aquilo ao qual havia sido destinado.

Aquilo para o que o homem foi destinado, o sentido de sua vida e de sua realidade — lugar em que a essência é seu cumplice —, permanecem ocultos pelo véu da ordem da consciência racional, centrada num eu objetivo. Sem dúvida, esta ordem é necessária se se quer ser dono da existência cotidiana, e por ela, dar testemunho. O começo da nova era, hoje já superada, abriam ao homem o caminho que dominara a realidade do mundo espaço-temporal. Por que esse conhecimento objetivo do mundo possui o véu que oculta nossa visão da verdadeira realidade? Jamais um sujeito para quem o mundo e a vida se fixem num tecido de leis, fatos e objetos poderá adentrar nessa outra realidade em que reside o homem em seu ser essencial. Para adentrar nela, é preciso que tenhamos com seriedade a “experiência” já que, graças a ela, o homem, transpassa os dados objetivos da consciência, alcança um contato — em si mesmo e nas coisas — com essa Realidade que não é possível escapar na natureza condicionada pela existência, senão que representa a revelação do Ser universal e Supra-temporal (além do tempo e espaço). A forma que o homem participa do Ser é o que chamamos “Ser essencial”. Com respeito a essa visão estreita do tempo que chega a seu fim, este Ser essencial, necessariamente, não considerará ainda nada mais que um produto de especulação teórica, um objeto de piedosa crença incontrolável.

Mas o papel da vida existencial e de sua ordem racional com respeito a “experiência do Ser” é tripla:
  1.  Oculta antes de tudo.
  2. A própria “experiência do Ser” não seria possível sem esta sofrida transformação da vida existencial.
  3. O mundo existencial é o campo de manifestação da Grande Vida, manifestação que se realiza conscientemente uma ver vivida a experiência pela forma de ver, de atuar e amar.


Todo tempo leva em si o presente, o passado e o futuro, mas além do tempo que engloba estas três dimensões, existe o Tempo que está mais além do tempo, e nesse tempo supratemporal em que habita o Ser do homem. O despertar desse Ser é chamado “Grande Experiência”. Esta marca o começo de uma vida mais profunda. Graças à Experiência, poderá se cumprir a liberdade que Deus tem dado ao homem; somente graças ao “si” a tal experiência o home se abre para a Plenitude da Criação. E unicamente se o homem se “enraíza” na experiência chegará à sua maturidade, que lhe capacitará para responder com obediência ao chamado do Ser, dando testemunho Dele em sua existência. Quando se manifesta a Grande Vida por meio de nossa existência, cumpre-se o que significa “O Despertar do Ser.

Karlfried Graf Dürckheim


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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey