Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Sobre o caráter do sábio

Diz-se que o caráter do sábio é sempre desinteressado e sereno, desprendido e disciplinado, sem paixão e impessoal. Seria um erro crer, como muitos, que se pode alcançar esse estado por esforço pessoal ou vontade. Nada disso. Isso está acima das forças humanas. Não pode alcançar este grau senão pela graça misteriosa do Eu Superior. Quando esta pousa nele, sente uma outra força que invade sua consciência e o eleva a um estado de exaltação. Percebe-se, desde então, em uma estreita dependência como criança junto à sua mãe. Daí as palavras profundas de Jesus: "A menos que sejais semelhantes às crianças, não entrareis nos Reinos dos céus". 

Aquele que chega a conhecer a experiência da submissão interior, nunca poderá ser o mesmo homem. Quanto mais o Eu Superior opera nele, menos sente o fardo da vida moderna. Quando o sente como uma força viva em cada momento de sua existência, quando se torna um executor submisso da vontade desse mestre interior de sua personalidade, por entregar-se com confiança a qualquer atividade que seja, porque, com efeito, descobre enfim o segredo da ação inspirada. Ela nada tem de oculto, nada de mágico, e parece tão natural como o alegre borborinho das abelhas em torno do serpão. Poderá daí em diante participar da vida do mundo sem ser desviado de seu fim elevado. 

Crer que o acordar da penetração afeta unicamente a inteligência é enganar-se; provoca também o despertar das mais belas qualidades do coração. Neste esfera transcendente em que entra o filósofo, o pensamento e o sentimento são inseparáveis. A compaixão acompanha automaticamente a penetração mental. A natureza interior de todos os homens pertence ao único e mesmo espírito. Aí está porque aquele que o alcança plenamente joga a baixo a barreira que separa o seu "eu" da do semelhante. Compreende a qualificação paradoxal do Eu Superior, distinto mas não separado de outro homem. Torna-se capaz de sentir plenamente com os outros e por eles, conservando sua personalidade completa. É também por isso que não se pode conservar um observador passivo ante as lutas da humanidade, como o foi no estado místico, e porque não pode ficar encadeado por interesses pessoais puramente como estava talvez em sua época materialista. Servirá então pelo único prazer de servir. O fato de ser guiado por uma inteligência racional garante o sucesso de sua ação. 

Por uma consequência curiosa de seu altruísmo, o filósofo, que não procura apenas a sua felicidade, encontra-a; enquanto isso se dá, o egoísta, que a tem como fim constante, nunca a encontra. Enquanto um homem procura arrancar da vida de punhos fechados, somente o que lhe convém, podemos estar seguros de que, quaisquer que sejam seus sucessos momentâneos, não encontrará, afinal, o seu benefício. Como poderá alcançá-lo se seu bem-estar é inseparável do bem-estar comum? Que procure este ao mesmo tempo que o seu, e ele alcançará sempre os dois juntos, sempre em jogo. Isto, sabedoria prática da penetração do Eu Superior, é plenamente confirmado pelas teorias raciocinadas da metafísica iluminada, pelas observações diretas e pelos anais da humanidade. 

Os progressos efetuados nessa busca fazem descer naturalmente uma grande paz no coração; as paixões, as agitações, os conflitos interiores que perturbam tantas existências, se moderam, a princípio, e depois se aplacam completamente; isso não quer dizer, porém, que o estudante filósofo viva de uma maneira menos ardente e menos plena que as outras pessoas. Não, de modo nenhum; ele não tem necessidade de repudiar a felicidade disciplinada dos sentidos, por efêmera que seja, mesmo que procure uma que esteja fora de seu domínio. Se perceber as lastimáveis ilusões e erros a que tanta gente se escraviza, perceberá também as realidades e as verdades gloriosas para as quais a evolução encaminha lentamente seus passos reticentes. Será possível que este ensino confira aos seus adeptos o sentimento da vaidade, das ambições humanas, o sentido do caráter efêmero de todos os desejos terrenos? Reduz ele o mundo a um sonho e o homem a uma sombra? Não, absolutamente. É um chamado de clarim para uma via natural e racional, para a pesquisa da verdade, da paz e da beleza. Chegando ao fim deste ensino, vemos que ele oferece, compreendendo-o bem, uma esperança prática, um guia verdadeiro, e cria um estado de espírito favorável à vida corrente. Se a realidade para a qual procura conduzir-nos fosse apenas uma fria concepção intelectual ou uma efervescência sentimental, poderia ser interessante para a humanidade, sem contudo constituir para ela um socorro permanente. Poderia, em particular, tornar a vida digna de ser vivida; mas, o espírito, sendo a base secreta e vital de toda a existência, o seu conhecimento traz uma ajuda considerável à vida. A filosofia oferece a todos uma experiência suprema e maravilhosa e constitui nossa mais brilhante esperança. Todas as palavras são miseráveis diante desta grande experiência que um dia toda a raça humana conhecerá; todos os que estudam com sinceridade e perseverança podem conhecê-la desde já. 

É portanto um erro crer que a vida exterior, a existência pessoal, as relações sociais do estudante filósofo possam sofrer uma espécie de mutilação ou de diminuição. Elas se enriquecerão e se alargarão, contrariamente às expectativas malsãs, pois, com efeito, o espírito deve fazer descer, neste mundo de espaço e de tempo, um pouco desta grandeza bem-aventurada, deste milagre permanente que percebe no seu mundo transcendental. Embora o Real no absoluto e na sua pureza se encontre permanentemente como um Vazio, além do mundo manifesto e relativo, não será menos paradoxalmente a fonte e a inspiração dos valores mais altos que este contém. O estudante acha, pois, na filosofia, em função de suas tendências interiores a das circunstâncias exteriores, o que não encontra no asceticismo místico: um poderoso impulso para criar novos valores na arte, na literatura, na civilização e no trabalho, na instrução e na política, bem como na economia e na indústria; em suma, em todos os campos da atividade humana. 

O problema de nosso século é justamente aprender a combinar a contemplação com a atividade energética, a razão aguda com a intuição sutil, o serviço altruísta de interesse geral com a pesquisa de interesse pessoal, os princípios do Cristo com as exigências de César de maneira pela qual os homens do século precedente jamais cuidaram.

Paul Brunton em, A Sabedoria do Eu Superior
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey