Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Sobre a decisiva e genuína experiência pessoal da Verdade

A desgastada objeção que os inexperientes levantam contra a ideia da experiência pessoal da Verdade como fator decisivo na vida do homem, é a seguinte:

Essa experiência não passa, geralmente, de uma ilusão sentimental ou de uma auto-sugestão criada pela ingênua ignorância do pretenso iniciado, ou então pela subconsciente vaidade do seu secreto orgulho individual. 

Somos os primeiros a admitir que há, nesse terreno, infinitas ilusões e auto-sugestões da parte de pseudos místicos de todos os matizes. Negamos, todavia, que seja impossível distinguir do erro a verdade, dos fogos-tolos do sentimento subjetivo o valor real da realidade objetiva. Desafiamos a todos os nossos contrariantes que nos provem com um só exemplo histórico que um homem, depois de uma genuína experiência espiritual dessa natureza, se tenha tornado pior do que antes; que essa experiência o tenha tornado mais sensual, mais egoísta, mais rancoroso, mais cobiçoso, mais explorador de seus semelhantes, menos amigo de servir e mais interessado em ser servido — numa palavra, menos ético do que antes da experiência. A história de todos os povos e tempos prova exatamente o contrário. 

Francisco de Assis, depois de uma grande iniciação interior, beija as chagas fétidas de um leproso e torna-se, para o resto da vida, servo dos servos de Deus. 

Plotino,o místico fundador da escola neo-platônica de Alexandria, não aceita para si um só dos ricos presentes que seus discípulos e admiradores, entre eles o imperador Galieno e a imperatriz Salonina, lhe ofereciam; mas emprega-os todos para resgatar escravos e emparar crianças abandonadas. 

Spinoza recusa todas as ofertas materiais e todas as honrosas posições universitárias, vivendo pobremente numa modesta pensão e ganhando o seu sustento com o trabalho das suas mãos, polindo lentes para instrumentos óticos. 

Gandhi, que, como ótimo advogado, ganhava milhões, morreu deixando como únicos bens materiais uma caneta-tinteiro, um relógio barato e uma tanga. 

Albert Schweitzer, após aquela tempestade de experiência mística aos 21 anos, resolve abandonar todo o conforto da civilização européia e todas as suas glórias humanas afim de se internar nas florestas insalubres da África Equatorial servindo, para o resto de sua vida, aos mais infelizes de seus irmãos. 

Blaise Pascal, após aquela misteriosa iluminação divina da noite de 23 e 24 de novembro de 1654, cede a sua casa para hospital de doentes pobres e vai morar numa modesta pensão para o resto da vida. 

E assim por diante. 

Perguntamos: onde está o orgulho, a vaidade, a auto-complacência espiritual que teria produzido essa transformação, ou dela teria nascido? Será que uma simples ilusão sentimental, ou uma momentânea auto-sugestão subjetiva pode fazer de um egoísta um herói de renúncia e de amor? de um caniço agitado pelos ventos, uma casa edificada sobre rocha a desafiar todas as tempestades da vida e da morte?...

Em resumo: a única coisa que pode, em definitivo, consolidar a nossa ética vacilante e inaugurar uma nova era para a humanidade não é a crença nesta ou naquela teoria ou teologia mais ou menos intelectualista, erudita, arbitrária — há quase dois mil anos que estamos saturados dessas crenças, que não impediram as mais horripilantes explorações e guerras de extermínio dentro do ocidente cristão e o mais vergonhoso descalabro da nossa moralidade individual e social — a única coisa que pode nos salvar é uma experiência vital da Verdade, um contato real com o mundo infinito do espírito eterno, a completa e radical penetração da nossa vida ética pela experiência mística, porque só essa experiência dá conteúdo, substância, razão-de-ser, força e serena alegria à nossa vida. 

É justo que os chefes espirituais insistam com seus rebanhos que creiam nas doutrinas teológicas herdadas de outros — mas é injusto que identifiquem a Verdade com essas doutrinas e, desse modo, fechem as portas para uma evolução espiritual ulterior, rumo à Verdade Integral, que ninguém pode atingir apenas pelo fato de crer, mas pode e deve atingir por um saber íntimo e vital, isto é, pelo renascimento espiritual. 

Huberto Rohden
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey