Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O Homo Holotrópico

O homem integral é, certamente, um santo, mas é também um sábio, um sapiente, um vidente da Realidade total, um ser dotado de infinita verticalidade e de ilimitada horizontalidade. Não é estreitamente unilateral, mas amplamente onilateral. É um iniciado na Universidade Cósmica — um homem divinizado. 

Por onde se vê que o homem cósmico não é simplesmente um homem erudito; muito menos um mero perito ou um pesquisador cientificamente treinado. Tão pouco é ele apenas um homem inteligente e talentoso, nem somente um gênio, no sentido tradicional da palavra. Pode alguém ser tudo isto sem por isto ser um homem sábio, um iniciado... O homem erudito em todas as variantes é um viajante que segue o seu caminho por entre as estreitas paredes de um túnel, escuro e longo, e enxerga no fim dessa galeria subterrânea uma luz, que ele vai demandando com grande velocidade e entusiasmo. Mas a sua jornada desenrola-se em sentido linear, unilateral. O homem sábio, porém, não conhece escuros túneis e estreitos corredores. Acha-se colocado como que numa vasta planura, envolto em claridade solar. A sua grandeza tem afinidade com a luz do sol, tão distante e tão propínqua, tão poderosa e tão delicada — esse sol que arremessa gigantescas esferas pelos espaços sidéricos e acaricia maternalmente as faces duma criança dormente... Assim é o sábio, na potência do seu gênio e na suavidade do seu amor...

O verdadeiro sábio, em sua vasta jornada, transcendeu a desconcertante pluralidade dos conhecimentos periféricos e meramente quantitativos, e atingiu a tranquilizante unidade do Todo, numa vidência central e qualitativa. É possível que ele não conheça muitas coisas, mas sabe muito. O seu modo de conhecer não é um simples agregado mecânico de elementos desconexos e fortuitamente justapostos, como os grãos de areia num deserto, mas é um sistema orgânico de partes afins que convergem num Todo natural e espontâneo, como as células e os tecidos de uma planta dominados por um princípio vital. O saber do sábio é antes profundo que agudo; a sua visão atravessa todas as superfícies, invólucros e camadas do mundo fenomenal, e penetra até o fundo essencial de todas as coisas. Para ele, o mundo circunjacente deixou de ser opaco; tornou-se transparente como um cristal, através do qual ele contempla a essência e última razão-de-ser de todas as coisas. Vê o eterno "Simbolizado" através de todos os símbolos temporais... a Essência divina através das aparências mundanas. 

O homem cósmico é, pois, um vidente da Suprema Realidade, essência e subproduto universal de todos os fenômenos individuais. O seu saber vai à origem e raiz de todos os seres, ao foco gerador de todas as luzes, à nascente profunda de todas as águas. Ele é um "essencialista", um "realista" no mais verdadeiro sentido da palavra; um genuíno "iniciado", quer dizer, um homem que "está dentro", e não mais um "profano¹", um homem que "está de fora". 

Ser sábio é tomar o "sabor, a noção intuitiva da íntima natureza das coisas; é deixar de ser vítima das aparências ilusórias; é conhecer a Verdade libertadora, no dizer do maior de todos os iniciados, Jesus de Nazaré. 

A perspectiva do sábio é a da centralidade, ao passo que o homem simplesmente erudito observa o mundo do lado de fora, de um determinado ponto da periferia, e tem por isto mesmo apenas uma visão parcial do Todo, visão externa e unilateral. É esta a razão porque um homem assim não pode conhecer a Deus. O homem cósmico, da profunda e alta sentinela da sua absoluta centralidade, abrange o universo numa visão panorâmica, assim como o próprio Deus o contempla. Ele é o homem divino por excelência, perfeitamente identificado com Deus: "Eu e o Pai somos Um). 

À luz do exposto, é evidente que o verdadeiro sábio é também um santo. Sabedoria e santidade são conceitos idênticos:ambos designam Totalidade, Integridade, Universalidade. O olhar do sábio não se prende jamais a uma parte ou fragmento do Todo. Ele não é unilateral, mas onilateral. Não se assemelha à luz intermitente do relâmpago, ou à luz estreita dum holofote — mas, sim, à luz vasta e permanente do sol a espraiar-se em oceanos de claridade por montes e vales, compreendendo todas as latitudes e longitudes do sistema planetário. 

Graças a essa visão vasta e tranquila, possui a alma do homem sábio uma como que passividade dinâmica, ou seja, um dinamismo pacífico. Ao profano e inexperiente pode essa serenidade do iniciado parecer apatia e indiferença, quando de fato é precisamente o contrário. O profano não conhece atividade que não seja ruidosa e explosiva; ser ativo é, para ele, idêntico a ser nervoso, espalhafatoso, afobado, andar numa incessante lufa-lufa, contar o programa diário por minutos, segundos e frações de segundos. A essa enervante precipitação é que ele chama atividade ou dinamismo. Ignora a silenciosa dinâmica da vida, a taciturna potência dos astros e a onipotente serenidade do espírito. O homem sapiente é intensamente ativo, mas a sua atividade é de outra qualidade que a do insipiente. Não conhece pressa ou nervosidade, porque sabe que, por mais que ainda tenha de andar e aprender, está sempre no fim de todas as suas jornadas, uma vez que o valor da sua jornada não é quantitativa, mas qualitativa; não obedece a uma horizontalidade extensiva, mas antes uma verticalidade intensiva. Embora perene viajante, está sempre no termo da viagem... O homem cósmico, a bem dizer, vive fora do tempo e espaço, vive na eternidade e no infinito e é por isto que, embora peregrino, está sempre em casa. É o que lhe outorga essa serenidade dinâmica, essa atividade pacífica que lhe circunda e permeia a existência terrestre...

Graças à sua visão panorâmica, o homem cósmico não conhece temor de espécie alguma. Que admira? Pois, para ele, o universo não contém tenebrosos esconderijos donde possa irromper, de inopino, algum perigo, alguma surpresa ingrata, algum inimigo traiçoeiro. Temor é filho da ignorância ou erro; mas o sábio está além de ignorância e erros, na plena luz da verdade... O homem cósmico tem plena confiança em todos os seres do universo, e vive numa grande e sincera simpatia com todos eles. 

(...) Devido ao fato de perceber essa divina afinidade que o liga a todos os seres do universo é que o homem sapiente lhes consagra um amor sincero e deposita inteira confiança nas criaturas que o rodeiam, usando-as sem jamais as abusar. O homem cósmico é amigo e aliado da Natureza, não o seu tirano e explorador, como o homem profano e insipiente. É esta a razão por que o homem sábio e santo é, em geral, um taumaturgo, porque a Natureza, aliada e amiga, lhe revela seus segredos, suas potências dormentes, seus divinos mistérios, na certeza de que um amigo de Deus não abusará da confiança de nenhuma criatura de Deus. 

O homem sábio, como dizíamos, é por força uma alma amante, uma alma assas ampla e acolhedora para abranger todos os seres do universo como em sua casa e querência natural. De fato, só um homem amante pode ser um homem sábio. Amor e sabedoria são dois atributos inseparáveis do homem integral — assim como luz e calor são propriedades da energia elétrica. 

(...) O homem cósmico, vidente que é da Verdade, é sempre um grande defensor da mesma, e, portanto, inimigo do erro — mas nunca um descaridoso excomungador dos errantes. A apologia que ele faz da Verdade é essencialmente positiva e construtora; nunca desce ao terreno de polêmicas meramente negativas e destruidoras. 

(...) 
Só pode transformar o mundo quem vive no mundo, mas não se conforma com o mundo.

O homem cósmico é um catalizador que transmuda os elementos sem se mudar ele mesmo. 

Só pode conduzir os outros que não é seduzido por criatura alguma. 

Só pode conduzir para Deus quem é por Deus conduzido.

Huberto Rohden
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(¹) A antiquíssima distinção em profanos e iniciados revela profunda intuição. "Profano" é derivado de "pro" (diante) e "fanum" (templo, santuário), e designa alguém que está "diante do santuário", contemplando-o apenas do lado de fora, sem saber da realidade interna das coisas. — "Iniciado" vem de "in" (dentro) e "ire" (ir), designando um homem que "está dentro", que entrou no templo cósmico da Realidade e que conhece a essência íntima das coisas por imediata e direta intuição espiritual. 

Breve relato de Pandita Ramabai

Pandita Ramabai, notável líder cristã da Índia, conta que trocou a sua religião hindu pelo cristianismo, na esperança de encontrar paz e tranquilidade para sua alma sequiosa de Deus — mas não encontrou o que desejava, embora cumprisse meticulosamente todos os seus deveres de cristã. Muito mais tarde, em Londres, ouvindo falar sobre o "renascimento espiritual" e abismando-se na comunhão com Deus, passou pela grande crise redentora — encontrou-se com o Cristo...

Escreve: "Havia eu encontrado a religião cristã — mas não encontrará o Cristo. Tinha aceito o cristianismo como uma troca de religião — mas não havia entrado em contato com o Cristo"... 

Pode-se estudar o cristianismo — e continuar irredento; mas quem entra em contato vital com o Cristo é remido.

Huberto Rohden em, Metafísica do Cristianismo

O clamor vital da natureza humana

"O reino de Deus não vem com observâncias (externas), nem se pode dizer: ei-lo aqui! ei-lo acolá! O reino de Deus está dentro de vós".
Isto quer dizer que quem não descobre o reino de Deus dentro de si mesmo não presenciará jamais o seu advento, não entrará no reino de Deus — assim como a árvore não vem de fora mas de dentro da semente; essa semente é a própria árvore em potência, assim como a árvore é a própria semente atualizada. O reino de Deus não tem nenhum "aqui" ou "acolá", não vem de fora em virtude de certas "observâncias" legais ou formalidades rituais... O reino de Deus não é uma espécie de prêmio ou recompensa que se confira ou outorgue ao homem pela fiel observância de certas leis — mas é antes o fruto maduro duma revolução intrínseca do próprio ser humano que descobre dentro de si a "imagem e semelhança de Deus", o "espírito de Deus que nele habita". 

Sendo que o reino de Deus está latente em cada homem, como a potência está no ato, e o ato na potência, deve o homem viver permanentemente esta prece: "Venha o teu reino!" Este silencioso clamor vital da natureza humana é como a luz solar atualizando paulatinamente a vida potencial da semente e transformando-a na verdejante maravilha da planta. Não é a luz solar externa que cria a vida, mas é a condição necessária e indispensável para que a vida dormente desperte e a planta passe a ser atualmente o que já é potencialmente. 

O que os grandes gênios filosóficos — Sócrates, Platão, os Neo-platônicos de Alexandria, os metafísicos do Egito e da Índia, a alma solitária de Spinoza e tantos outros — procuraram definir analítica e intelectualmente, sabia-o Jesus numa grandiosa e espontânea síntese intuitiva: que Deus é a eterna essência de todas as coisas. O que os remontados gênios filosóficos excogitaram laboriosamente, possui-o e vive-o naturalmente, o gênio místico do Nazareno, com a leveza e facilidade de consumado artista. 

Huberto Rohden em, Metafísica do Cristianismo

Sobre a decisiva e genuína experiência pessoal da Verdade

A desgastada objeção que os inexperientes levantam contra a ideia da experiência pessoal da Verdade como fator decisivo na vida do homem, é a seguinte:

Essa experiência não passa, geralmente, de uma ilusão sentimental ou de uma auto-sugestão criada pela ingênua ignorância do pretenso iniciado, ou então pela subconsciente vaidade do seu secreto orgulho individual. 

Somos os primeiros a admitir que há, nesse terreno, infinitas ilusões e auto-sugestões da parte de pseudos místicos de todos os matizes. Negamos, todavia, que seja impossível distinguir do erro a verdade, dos fogos-tolos do sentimento subjetivo o valor real da realidade objetiva. Desafiamos a todos os nossos contrariantes que nos provem com um só exemplo histórico que um homem, depois de uma genuína experiência espiritual dessa natureza, se tenha tornado pior do que antes; que essa experiência o tenha tornado mais sensual, mais egoísta, mais rancoroso, mais cobiçoso, mais explorador de seus semelhantes, menos amigo de servir e mais interessado em ser servido — numa palavra, menos ético do que antes da experiência. A história de todos os povos e tempos prova exatamente o contrário. 

Francisco de Assis, depois de uma grande iniciação interior, beija as chagas fétidas de um leproso e torna-se, para o resto da vida, servo dos servos de Deus. 

Plotino,o místico fundador da escola neo-platônica de Alexandria, não aceita para si um só dos ricos presentes que seus discípulos e admiradores, entre eles o imperador Galieno e a imperatriz Salonina, lhe ofereciam; mas emprega-os todos para resgatar escravos e emparar crianças abandonadas. 

Spinoza recusa todas as ofertas materiais e todas as honrosas posições universitárias, vivendo pobremente numa modesta pensão e ganhando o seu sustento com o trabalho das suas mãos, polindo lentes para instrumentos óticos. 

Gandhi, que, como ótimo advogado, ganhava milhões, morreu deixando como únicos bens materiais uma caneta-tinteiro, um relógio barato e uma tanga. 

Albert Schweitzer, após aquela tempestade de experiência mística aos 21 anos, resolve abandonar todo o conforto da civilização européia e todas as suas glórias humanas afim de se internar nas florestas insalubres da África Equatorial servindo, para o resto de sua vida, aos mais infelizes de seus irmãos. 

Blaise Pascal, após aquela misteriosa iluminação divina da noite de 23 e 24 de novembro de 1654, cede a sua casa para hospital de doentes pobres e vai morar numa modesta pensão para o resto da vida. 

E assim por diante. 

Perguntamos: onde está o orgulho, a vaidade, a auto-complacência espiritual que teria produzido essa transformação, ou dela teria nascido? Será que uma simples ilusão sentimental, ou uma momentânea auto-sugestão subjetiva pode fazer de um egoísta um herói de renúncia e de amor? de um caniço agitado pelos ventos, uma casa edificada sobre rocha a desafiar todas as tempestades da vida e da morte?...

Em resumo: a única coisa que pode, em definitivo, consolidar a nossa ética vacilante e inaugurar uma nova era para a humanidade não é a crença nesta ou naquela teoria ou teologia mais ou menos intelectualista, erudita, arbitrária — há quase dois mil anos que estamos saturados dessas crenças, que não impediram as mais horripilantes explorações e guerras de extermínio dentro do ocidente cristão e o mais vergonhoso descalabro da nossa moralidade individual e social — a única coisa que pode nos salvar é uma experiência vital da Verdade, um contato real com o mundo infinito do espírito eterno, a completa e radical penetração da nossa vida ética pela experiência mística, porque só essa experiência dá conteúdo, substância, razão-de-ser, força e serena alegria à nossa vida. 

É justo que os chefes espirituais insistam com seus rebanhos que creiam nas doutrinas teológicas herdadas de outros — mas é injusto que identifiquem a Verdade com essas doutrinas e, desse modo, fechem as portas para uma evolução espiritual ulterior, rumo à Verdade Integral, que ninguém pode atingir apenas pelo fato de crer, mas pode e deve atingir por um saber íntimo e vital, isto é, pelo renascimento espiritual. 

Huberto Rohden

Quando o homem antigo já não existe, e o novo chegou

Samadhi começa com um intervalo, mas nunca termina. Um intervalo sempre começa e termina — tem limites: um início e um fim, mas samadhi começa com um intervalo e assim se eterniza. Não há fim para ela. Portanto se a ocorrência vem com um intervalo, e não há fim nela, trata-se de samadhi, mas se é um intervalo completo — com um início e um fim — então é satori, e isso é diferente. 

Se é apenas um relance, apenas um intervalo, e o intervalo de novo é percebido — se algo está enquadrado e o enquadramento é completo (você dá uma olhadela furtiva e volta; você salta para aquilo e volta), se algo acontece e de novo é perdido — trata-se de satori. É um relance, um relance de samadhi, mas não é o samadhi. Samadhi significa o inicio do conhecimento, sem fim algum. 

Na Índia não temos palavra que corresponda a satori, assim, as vezes, quando o intervalo é grande, podemos confundir satori com samadhi. Mas uma coisa nunca é a outra. Trata-se de um relance, apenas. Você veio ao cósmico, olhou para ele, e então tornou a desaparecer. Você não será o mesmo, naturalmente; agora, nunca mais você será o mesmo. Algo penetrou em você, algo lhe foi acrescentado, você não pode ser novamente o mesmo, mas, ainda assim, o que lhe modificou não está em você. É apenas uma recordação, uma memória. É apenas um relance. 

Se você pode recordar isso — se pode dizer: "Conheci o momento" — ele foi apenas um relance, porque, do momento em que samadhi acontece, você não estará ali para recordar. Então, você nunca poderá dizer: "Eu o conheci", porque, com o conhecimento, o conhecedor se perde. Só com o relance o conhecedor permanece. 

Assim, o conhecedor pode conservar aquele relance como memória — pode adorá-lo, ansiar por ele, desejá-lo, tentar novamente senti-lo — mas ele ainda está ali. Quem teve um relance, quem olhou, ali está. Aquilo fez-se uma lembrança. E agora aquela lembrança irá segui-lo de perto, irá assediá-lo, e pedirá o fenômeno, uma e muitas vezes. 

Do momento em que samadhi acontece, você não está ali para recordá-lo. Samadhi jamais se torna uma parte da memória, porque o que era já não é. Como dizem no Zen: "O homem antigo já não existe, e o novo chegou..." Esses dois jamais se encontraram, portanto não há possibilidade de que exista qualquer lembrança. Não há assédio nem anseio com relação a isso. Não há desejo dirigido a isso. Então, tal como você é, está à vontade e nada há a desejar. 

Não se trata de você ter matado o desejo — não! É a indesejabilidade, no sentido de que aquele que podia desejar já não está ali. Então, não há anseio, não há futuro, porque o futuro é criado através de nossos anseios, é uma projeção de nossos desejos. 

Se não há desejo, não há futuro. E, se não há futuro, não há necessidade do passado, porque o passado é sempre o cenário de findo contra o qual, ou através do qual, o futuro é desejado. 

Se não há futuro, se você sabe que neste mesmo momento você vai morrer, não há necessidade de recordar o passado. Então, não há necessidade nem mesmo de recordar seu nome, porque o nome só tem significação se houver um futuro. Pode ser necessário. Mas, se não há futuro, você apenas queima, todas as pontes que ligavam-lhe ao passado. Você não precisa delas. O passado fez-se inteiramente sem importância. 

Do momento em que aconteceu o samadhi, o futuro torna-se não-existencial. Não existe, só o presente existe. É o único tempo. Não há nem mesmo o passado. O passado desapareceu e o futuro também, e uma só e momentânea existência se torna a existência total. Você está nela, mas não como uma entidade que é diferente dela. Você não pode ser diferente porque só se torna diferente da existência total devido o seu passado e ao seu futuro. O passado e o futuro, cristalizados em redor de você, formam a única barreira entre você e o presente momento que está acontecendo. Assim, quando samadhi ocorre, não há passado nem futuro. Então, não é que você esteja no presente, mas você é o presente, torna-se o presente. 

Samadhi não é um relance, samadhi é uma morte; satori, porém, é um relance, não uma morte. E satori é possível através de muitas formas! Uma experiência estética pode ser uma possível fonte para o satori; a música pode ser uma possível fonte para o satori, o amor pode ser uma possível fonte para o satori. Em qualquer momento intenso que você esteja vivendo no presente (um momento de amor, ou de música, ou de sentimento poético, ou qualquer outro fenômeno estético, no qual o passado não interfira e no qual não haja o desejo do futuro) —, satori torna-se possível. Mas é apenas um relance. 

O relance é importante, porque, através do satori, você pode sentir pela primeira vez o que samadhi pode significar. O primeiro sabor, ou o primeiro perfume que distingue o samadhi, vem através do satori. Por isso, satori auxilia. Mas tudo quanto auxilia pode ser um obstáculo se você se agarra a ele, e se você sentir que ele é tudo. Satori tem uma beatitude que pode enganar-lhe, tem uma beatitude que lhe é própria. 

Por você não ter conhecido samadhi, satori é definitivo, para você, e agarra-se a ele. Mas se você se agarrar a ele, pode transformar o que era útil, o que era amistoso, em algo que se faz uma barreira, um inimigo. Portanto, você deve estar alerta para o possível perigo do satori. Se você assim o fizer, então a experiência do satori será útil. 

Osho em, Meditação: a arte do êxtase
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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey