Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O estado de prontificação para o Supramental

Qual seria a preparação para a transformação supramental? Primeiro, um controle cada vez maior do indivíduo sobre sua própria natureza e uma participação mais e mais consciente na ação da Supranatureza. 
Uma primeira condição desta mudança é que o Homem mental, que agora somos, deveria tornar-se interiormente desperto e em posse da lei mais funda de seu ser e seus processos; ele deveria tornar-se o ser psíquico e mental interior, mestre de suas energias, não mais um escravo dos movimentos da Prakriti* mais baixa, mas controlando-a, seguramente situado em uma livre harmonia com uma lei mais alta da Natureza. 

Na mente humana, há o primeiro aparecimento de uma inteligência observadora que olha o que está sendo feito, e de uma vontade e escolha que se tornaram conscientes; mas a consciência é ainda limitada e superficial: também o conhecimento é limitado e imperfeito, ele é uma inteligência parcial, um semi-entendimento, em grande parte tateante e empírico, ou, se racional, então racional por construções, teorias, fórmulas. Não há até agora uma visão luminosa que conheça as coisas por apreensão direta e as arranje com uma precisão espontânea de acordo com a visão, de acordo com o esquema de sua verdade inerente; embora haja um certo elemento de instinto, intuição e insight que tem algum começo deste poder, o caráter normal da inteligência humana é uma razão inquiridora ou um pensamento refletivo, que observa, supõe, infere, conclui, chega através de um duro trabalho a uma verdade construída, um esquema de pensamento construído, uma ação deliberadamente ordenada, de sua própria fabricação. 

Somente uma consciência intuitiva inteira e livre seria capaz de ver e de aprender as coisas por um contato direto e uma visão penetradora ou um senso de verdade espontâneo nascido de unidade ou identidade subjacente, e de ordenar uma ação da Natureza de acordo com a verdade da Natureza. Isto seria uma participação real do indivíduo no trabalho da Força-Consciência universal; o Purusha* individual se tornaria senhor de sua própria energia executiva a ao mesmo tempo um parceiro, agente e instrumento consciente do Espírito Cósmico no trabalhar da Energia universal; a Energia universal operaria através dele, mas também ele operaria através dela, e a harmonia da verdade intuitiva faria deste duplo trabalho uma única ação. Uma participação consciente cada vez maior deste tipo mais alto e mais íntimo deve ser um dos acompanhamentos da transição de nosso presente estado de ser para um estado de supranatureza. 

A individualidade tornar-se-ia, assim, cada vez mais poderosa e efetiva à proporção que se compreendesse como um centro e formação do Ser e Natureza universal e transcendente. Pois à medida que a progressão da mudança se processasse, a energia do indivíduo liberto não seria mais a energia limitada da mente, vida e corpo, com a qual ele começou; o ser emergiria dentro de uma maior luz de Consciência e de uma maior ação de Força e as assumiria — como elas emergiriam para dentro dele, assumindo-o para dentro de si mesmas: sua existência natural seria a instrumentação de um Poder superior, uma Força-Consciência sobremental e supramental, o poder da Shakti** Divina original. Todos os processo da evolução seriam sentidos como a ação de uma Consciência suprema e universal, uma Força suprema e universal trabalhando em qualquer modo que escolhesse, em qualquer nível, dentro de quaisquer limites autodeterminados, um trabalho consciente do Ser transcendente e cósmico, ação da onisciente Mãe-Mundo erguendo o ser para dentro de si mesma, para sua supranatureza. Em lugar da Natureza da Ignorância tendo o indivíduo como seu campo fechado e instrumento não-consciente ou semiconsciente, haveria uma Supra-Natureza da Gnose*** divina, e a alma individual seria seu campo e instrumento consciente, averto e livre, um participante em sua ação, ciente de seu propósito e processo, ciente também de seu próprio Si maior, a Realidade Universal e transcendente, e de sua própria Pessoa como ilimitavelmente una com isso, e ainda assim um ser individual de seu Ser, um instrumento e um centro espiritual. 

Uma primeira abertura a esta participação numa ação da Supranatureza é uma condição da virada rumo à transformação final, a supramental; pois esta transformação é a conclusão de uma passagem da harmonia obscura de um automatismo cego, com o qual a Natureza parte para a autêntica espontaneidade luminosa, o movimento infalível da verdade auto-existente do Espírito. A evolução começa com o automatismo da Matéria e de uma vida inferior, em que tudo obedece implicitamente ao ímpeto da Natureza, tudo cumpre mecanicamente sua lei de ser, e por isso consegue manter satisfatoriamente uma harmonia de seu tipo limitado de existência e ação; ela prossegue através da prenhe confusão da mente e da vida de uma humanidade impelida por esta Natureza inferior, mas lutando para escapar de suas limitações, para dominá-la, dirigi-la, usá-la; ela emerge numa maior harmonia espontânea e ação autocumpridora automática, fundada na Verdade espiritual das coisas. Neste estado mais alto a consciência verá essa Verdade e seguirá a linha de suas energias com conhecimento pleno, uma participação forte e uma maestria instrumental, um completo deleite em ação e existência. Haverá uma perfeição de luminosa e desfrutada unidade com todos, em vez da sujeição cega e penosa do individual ao universal, e a todo momento a ação do universal no individual e do individual no universal será iluminada e governada pela lei da Supranatureza transcendente. 

Sri Aurobindo — The Life Divine


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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey