Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

A diferença entre uma mente vazia e uma mente calma

Nós não estamos trabalhando para uma raça ou um continente ou para uma realização de que apenas indianos ou apenas orientais sejam capazes. Nosso objetivo não é fundar uma religião ou uma escola de filosofia ou uma escola de yoga, mas criar um fundamento de crescimento e experiência espiritual e um caminho que trará para baixo uma Verdade maio, além da mente, mas não inacessível à alma e à consciência humanas. Todos os que forem atraídos por esta Verdade podem tomar este caminho, sejam eles da Índia ou de qualquer outro lugar, do Oriente ou do Ocidente...

Não é possível construir um fundamento no Yoga se a mente é inquieta. A primeira coisa necessária é a quietude na mente. E, também, dissolver a consciência pessoal não é o primeiro objetivo do Yoga; o primeiro objetivo é abri-la a uma consciência espiritual mais alta, e também para isto uma mente quieta é a primeira necessidade.

A primeira coisa a fazer na sadhana é conseguir uma paz e um silêncio estáveis na mente. Se não, você pode ter experiências mas nada será permanente. É na mente silenciosa que a verdadeira consciência pode ser construída.

Uma mente quieta não significa que não haverá de modo algum pensamentos ou movimentos mentais, mas que estes estarão na superfície, e você sentirá seu verdadeiro ser, DENTRO, separado deles, observando mas não sendo levado embora, capaz de vigiá-los e julgá-los e de rejeitar tudo que tem que ser rejeitado e aceitar conservar tudo que é consciência verdadeira e experiência verdadeira.

A passividade da mente é uma coisa boa, mas tome cuidado para ser passivo somente em relação à Verdade e ao contato da Energia Divina. Se você for passivo às sugestões e influências da natureza inferior, você não será capaz de progredir, ou então irá se expor a forças adversas que podem levá-lo para muito longe do verdadeiro caminho do Yoga.

As forças que dificultam o caminho da sadhana são as forças da natureza inferior mental, vital e física. Por trás delas há poderes adversos dos mundos mental, vital e físico sutil. Só se pode lidar com elas depois que a mente e o coração estiverem reunidos em uma só direção e se concentrarem na aspiração única ao Divino.

O silêncio é sempre bom; mas com quietude da mente eu não quero dizer um silêncio total. Quero dizer uma mente livre de perturbação e dificuldade, firme, leve e contente, podendo abri-se à Força que mudará a natureza. A coisa importante é livrar-se do hábito da invasão de pensamentos perturbadores, sentimentos errados, confusão de ideias, movimentos infelizes. Todos eles perturbam a natureza, obscurecem-na e tornam difícil o trabalho da Força; quando a mente está quieta e em paz, a Força pode trabalhar mais facilmente. Deveria ser possível você ver as coisas que têm que ser mudadas em você, sem ficar aborrecido ou deprimido; assim a mudança é feita mais facilmente.

A diferença entre uma mente vazia e uma mente calma é esta: quando a mente está vazia, não há pensamento, nem concepção, nem ação mental de qualquer espécie, exceto uma percepção essencial das coisas, sem uma ideia formada; mas na mente calma é a substância do ser mental que está imóvel, tão imóvel que nada a perturba. Se vêm pensamentos ou atividades, eles não surgem absolutamente da mente, mas vêm de fora e cruzam a mente como um voo de pássaro cruza o céu no ar sem vento. Passa, não perturba nada, não deixa traço. Mesmo se mil imagens ou os acontecimentos mais violentos as atravessam, a calma imobilidade permanece, como se a própria textura da mente fosse uma substância de paz eterna e indestrutível. Uma mente que adquiriu esta calma pode começar a agir, mesmo intensamente e poderosamente, mas ela manterá sua imobilidade fundamental — não originando nada de si própria mas recebendo de Cima e dando a isso uma forma mental, sem adicionar nada de si própria, calmamente, desapaixonadamente, se bem que com alegria da Verdade e o feliz poder e luz de sua passagem.

 Sri Aurobindo - A Consciência que vê - Volume 1

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey