Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

Por que as experiências de retomada da Perene Consciência não são tão comuns?

"O que está aqui também está lá; e o que está lá, 
Também está aqui. Quem vê a multiplicidade,
Mas não vê o Eu indivisível em tudo, 
Continua a vagar de morte em morte."
— Katha Upanishad —

"A bondade não precisa adentrar a alma,
pois já está lá; apenas não é percebida."
— Theologia Germanica —

Se nossas mentes podem manifestar-se de modo não-localizado — sonhos, visões, intuição, e assim por diante —, por que não estamos normalmente conscientes desse tipo de experiência? Por que elas não são mais comuns? O filósofo Willian Irwin Thompson sugere que estamos sofrendo de uma espécie de hipnose coletiva, de um transe cultural, que nos impede de ver as coisas como realmente são. "Somos como moscas rastejando pelo teto da Capela Sistina", diz ele. "Não vemos os anjos e os deuses que estão sob o limiar de nossas percepções. Não vivemos na realidade; vivemos em nossos velhos paradigmas, em nossas percepções habituais, nossas ilusões; chamamos de realidade às ilusões que partilhamos por meio da cultura, mas a verdadeira... a realidade de nossa condição nos é invisível.

O filósofo Henri Bergson deu uma resposta diferente à questão salientando que distorcemos nosso senso de realidade através da linguagem que usamos, especialmente quando falamos de espaço e de tempo. Disse: "Quando queremos refletir sobre o tempo, é o espaço que nos responde" — assim como quando dizemos que o passado está atrás  de nós e o futuro em algum lugar à nossa frente. Fazemos, assim, de tempo um prisioneiro do espaço, à medida que sempre expressamos a duração como uma extensão. Esse hábito torna difícil compreender o que é afinal a não-localização da Consciência. Quando dizemos, por exemplo, que a eternidade — um conceito não-localizado da Consciência — é um "tempo muito longo, imaginamos que seja uma porção de momentos em série ligados entre si; e quando refletimos sobre a infinitude — outro conceito não-localizado da Consciência — nós a imaginamos, também, como uma porção de pontos espaciais arranjados em sequência linear. Mas a eternidade e a infinitude não são fenômenos graduais; são totalidades. 

Por que espacializamos o tempo? O renomado físico Bernard d'Espagnat, que tem escrito muita coisa sore a realidade não-localizada da Consciência na física moderna, observa que os seres humanos sentem-se muito mais à vontade num mundo de coisas sólidas do que num mundo de coisas fluídas ou invisíveis. Sólidos têm forma, apresentam uma extensão no espaço e estão confinados a lugares específicos: são localizados. Será que a preferência pelo localizado está, portanto, enraizada em nossa biologia, o que explica a dificuldade em perceber experiências não-localizadas de Consciência quando elas ocorrem? Em seu livro In Search of Reality [Em Busca da Realidade], d'Espagnat afirma que: 

A inteligência humana... é acima de tudo um conhecimento dos sólidos: isto é devido à evolução da nossa espécie, cuja luta pela sobrevivência baseou-se especificamente em armamentos e instrumentos feitos de materiais sólidos, ao contrário dos animais. Consequentemente... [somos] incapazes de assimilar a vida, à medida que sua essência é fluída, contínua, móvel.  

Além dos fatores biológicos, há importantes elementos culturais que influenciam o modo como observamos os aspectos não-localizados da realidade. Ninguém pode duvidar que fazemos do tempo um fetiche, tornando-nos o que Jeremy Rifkin chama de "a cultura do nanossegundo". O apego à localização no tempo — sempre olhando para a frente ou para trás, nunca ficando no momento — tornou-se uma obsessão mórbida. Gerou uma multiplicidade de doenças físicas que poderíamos chamar de "doenças do tempo" — problemas na artéria coronária, hipertensão, úlcera péptica, irritações do intestino, e as síndromes de cefalalgia vascular, como a enxaqueca, só para citar algumas. Em geral, qualquer doença em que a ansiedade e a excessiva preocupação com o tempo representam algum papel pertence a esta crescente categoria das enfermidades humanas.

A percepção temporal é um movimento que se afasta de uma consciência não-localizada do tempo, na direção de uma percepção contraída e local. Isto é fácil de ser demonstrado. No Departamento de Biorrealimentação da Associação Diagnóstica de Dallas, onde todos os desarranjos citados são tratados pelo treinamento de biorrealimentação, quando um paciente vem para a sua primeira visita, pedimos a ele que execute uma tarefa muito simples. Solicitamos que se recoste numa cadeira, relaxe, feche os olhos e nos avise quando passar um minuto. Todos subestimam. Nosso recordista por muitos anos foi um homem que sofria de extrema ansiedade e que tocou o apito aos quinze segundos; mas este recorde foi quebrado por um cavalheiro com problemas na artéria coronária, cuja estimativa terminou aos doze segundos! Com o treinamento de biorrealimentação, a percepção do tempo invariavelmente se expande e se alonga. Em sua última visita, pedimos mais uma vez aos nossos pacientes que executem a tarefa. Geralmente eles passam da marca, às vezes permitindo a passagem de até três minutos.

O recondicionamento no sentido de tempo através da biorrealimentação, da meditação ou de outras formas de relaxamento profundo favorece a percepção de acontecimentos não-localizados em nossa vida. Eventos paranormais ou extra-sensoriais tornam-se mais frequentes; podem ocorrer sonhos premonitórios; a intuição e a criatividade podem florescer. Assim, mesmo que a dificuldade de perceber manifestações não-localizadas esteja arraigada em nossa biologia e em nossa cultura, a situação não é irremediável, já que nossos sentidos físicos podem ser devidamente exercitados. 

Larrey Dossey - Reencontro com a Alma

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey