Não importa o custo, o esforço ou o sacrifício; não se esqueça de que o Caminho existe, de que o Objetivo é atingível e está além de tudo o que você possa imaginar ou conceber agora; de que qualquer preço que tenha sido pago por sua obtenção parece insignificante quando ele é obtido; de que essa é a libertação final da escravidão dos grilhões da matéria e do sofrimento com ela relacionado. A sua obtenção é o serviço e o bem supremos que você pdoe prestar a seus irmãos atados nas correntes de Maia - Mouni Sadhu

O paradoxo do ser e do vir-a-ser

Existe um profundo paradoxo na jornada espiritual, qual seja: o propósito de nossa jornada, a resposta que buscamos, nada mais é do que aquilo que já somos em essência — Ser, a totalidade máxima que é fonte e fundamento de todo Vir-a-ser. A iluminação é a revelação da verdade do Ser. Nossa condição natural, nosso verdadeiro eu é o Ser, tradicionalmente chamado Deus, Ser Cósmico, Ente Supremo, o Um-em-tudo. (Aliás, alguns mestres iluminados — Buda foi um deles — preferem evitar termos teístas a fim de se comunicarem melhor. Seu intento é evitar o profundo condicionamento cultural contido nessa linguagem, que impede a compreensão.) Somos manifestações do Ser mas, à semelhança do próprio cosmos, estamos também no processo de Vir-a-ser — sempre crescendo, mudando, desenvolvendo-nos e evoluindo para estados mais elevados que expressam eterna e belamente a perfeição da origem da existência. Assim, não somos apenas seres humanos; somos também seres humanos em transformação. A iluminação consiste em compreender o perfeito equilíbrio entre o ser e o vir-a-ser. 

Assim, a verdade de toda a existência e de toda experiência nada mais é do que o inconsútil aqui-e-agora, o já-presente, a natureza anterior daquilo que busca, luta e indaga: o Ser. A jornada espiritual é o processo de descobrir e viver essa verdade. É o olho vendo a si próprio — ou melhor, o eu vendo o seu EU. Em termos filosóficos, a iluminação consiste em compreender a unidade de todas as dualidades, a composição harmoniosa de todos os opostos, a unidade da infinita multiplicidade e diversidade. Em termos psicológicos, é a transcendência de todo sentimento de limitação e dessemelhança. Em termos humanistas, é a compreensão de que a jornada é o ensinamento, de que o caminho e o destino são, em última análise, unos. Em termos teológicos, é a compreensão da união de Deus e da humanidade. Em termos ontológicos, é o estado de todos os estados, a Condição de todas as condições, que transcende todo o cosmos, mas é também a realidade diária, pois nada está ou jamais poderá estar separado dela. 

Quando, enfim, compreendemos o Grande Mistério, descobrimos a nossa verdadeira natureza, a Identidade Suprema, o Eu absoluto. Essa percepção direta de nossa unidade com o infinito, a compreensão abstrata da nossa identidade com o divino é a fonte de toda alegria, bondade, beleza e verdade. A experiência está além do tempo, do espaço e da causalidade; está além do ego e de qualquer sentimento socialmente condicionado do "eu". Saber que somos eternos, infinitos e, por conseguinte, cosmicamente livres põe fim à ilusão de separatividade e a todas as defesas que erigimos, individualmente e socialmente, a fim de preservar a ilusão do ego à custa dos outros. O Maitrayana Upanishadi explica assim: "Tendo percebido o seu próprio eu como o Eu, a pessoa torna-se generosa... Este é o maior de todos os mistérios."

John White — Iluminação Interior 

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"Quem já sentiu o Espírito Supremo não pode confundi-LO com nada, esquecê-LO ou negar SUA existência. Ó Mundo, se recusares a reconhecer SUA existência com voz unânime, irei abandoná-lo e ainda preservar a minha fé".

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada." - Albert Einstein

"Enfim, podemos continuar acreditando que somos criaturas localizadas, isoladas e condenadas, confinadas ao tempo e ao corpo, e separadas de todos os outros seres humanos. Ou então abrimos os olhos para a nossa NATUREZA IMPESSOAL e ONIPRESENTE e para a MENTE UNA da qual fazemos parte. Se escolhermos a primeira alternativa, nada nos salvará. Se porém, resolvermos despertar para este divino EU, estaremos frente a frente com um novo alvorecer." - Larry Dossey